PENÉLOPE VIAJANTE

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Dicas Técnicas: Empregando o Fusca como um utilitário faz-tudo

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Barrinho carregado com vigas de aço, após subir uma rampa considerável. Tarefa impossível para outros carros de passeio, mas que para ele era rotina normal.


Sabe aquela história do "lobo em pele de cordeiro"?

O conceito pode ser inteiramente aplicado ao Fusca.

Mas como fazer com que seu Fusca atue como um bravo utilitário? Nas linhas a seguir, após breve introdução puramente emocional, dissertaremos acerca do aparato técnico e operacional para que o objetivo seja cumprido.




Barrinho recém adquirido, estacionado no Aeroclube de Itu (destino de todos os finais de semana) já com os racks de teto da Week-End, cuja qualidade e capacidade de carga surpreendeu-nos ao longo dos anos.


Possuidor de um motor de satisfatório torque em baixa rotação, embreagem e câmbio resistentes, suspensão incrivelmente robusta, chassi tubular, lata de chapa grossa, pneu convencional (diagonal), absurda simplicidade mecânica e outras infindas características técnicas primorosas, o besouro resiste de forma incontestável ao ser empregado em condições de trabalho pesado, situações estas as quais praticamente nenhum outro carro de passeio suportaria.



Diuturnamente, o Barrinho demonstrava toda a sua capacidade. Não demorou muito para que meu pai, diante da infinidade de empregos que eu fazia com o Barrinho, exclamasse: este carro já se pagou algumas milhares de vezes!


Em 2010, objetivando ter uma verdadeira viatura "faz tudo", sugeri que adquiríssemos um Fusca. Sob protestos incrédulos, minha insistência venceu: compramos e preparamos aquele que talvez tenha sido o mais feliz dentre todos os VW Sedan - o valente Barrinho, um polivalente Fusca utilitário, capaz de cumprir as mais absurdas missões. Enfim, um verdadeiro companheiro de aventuras que mostrou empiricamente que o limite operacional deste carrinho está muito além do que o senso comum jamais poderia acreditar.

Na época, tínhamos alguns problemas de acesso em nossa empresa, uma vez que as ruas de acesso estavam sendo pavimentadas e adequadas. Muitas vezes danificamos os Vectras que davam apoio ao escritório ao trafegarmos com eles naquelas condições. Unindo-se o que para mim era útil e agradável, e na tentativa de minimizar os elevados gastos com fretes de máquinas e equipamentos, tracei um modus operandi que englobava o Barrinho em praticamente todas as atividades do dia a dia: da rodagem simples ao trabalho pesado; das viagens pessoais às trilhas de lazer.



Embora a capacidade declarada do rack fosse de até 100 kg, não raras as vezes transportamos até 300 kg. A lataria de chapa grossa, aliada a alguns reforços nas calhas do teto, permitiam que a estrutura suportasse tais abusos, jamais previstos no projeto do besouro.


A primeira e imediata providência que tomei após adquiri-lo foi instalar um par de racks de teto da Week-End (os quais provavelmente são os melhores dentre os disponíveis no mercado).

Na sequência, instalamos argolas de amarração nos suportes da lâmina do para choque, permitindo que peças compridas pudessem ser transportadas com relativa facilidade e segurança, já que, com estes novos pontos de amarração, o efeito pendular das cargas longas podia ser bastante minimizado.



No clima da Copa do Mundo de 2010: alocamos algumas bandeiras do Brasil, as quais foram espalhadas pelo carro. Enquanto muitas pessoas torciam o nariz para o que fazíamos com este Fusca, outras tantas - a maioria - se admiravam com a capacidade do carrinho, sendo que normalmente ele virava a atenção nas empresas visitadas.



Não bastasse carregar considerável peso, esta viatura os transportava morro acima quando os caminhões tinham dificuldades em subir as vigas de aço devido ás chuvas e condições precárias da rampa.


Na sequência, instalamos um fantástico engate da Engforth (cujo modelo adquirido infelizmente não é mais fabricado, o que é lamentável, já que era, de longe, o melhor do mercado) e luzes auxiliares dianteiras e traseiras, as quais permitiam o emprego do carro a qualquer hora do dia ou da noite pois eram manualmente direcionáveis (auxiliando as operações de carga e descarga noturna).

Também colocamos calhas de chuva para facilitar a dirigibilidade (dificultando que o vidro embasasse quando a água estava caindo do céu), third brak light, retrovisores de Kombi de ambos os lados (para maximizar o campo de visão, auxiliando sobremaneira as manobras em ré com a carretinha engatada), lavadores elétricos dos vidros, e, por fim, lixas anti-derrapantes que permitiam que o carro fosse escalado com segurança (para facilitar a alocação das cargas).



Luz adicional de freio, luz adicional de ré e farolete direcional, engate incrivelmente robusto. Acessórios que facilitavam bastante o trabalho e as incursões off-road.



Os grandes retrovisores da Kombi majoravam consideravelmente o campo de visão, facilitando a condução e, especialmente, as manobras com a carretinha engatada. Os faróis auxiliares com grade off road, além de melhorarem bastante a visibilidade no período noturno, deixavam o carro com aparência mais valente.


E, para completar a operacionalidade do conjunto, adquirimos, também, uma extremamente útil carretinha do tipo fazendinha (marca Reclal), com capacidade de carga de até 500 kg (a qual de fato não pode ser extrapolada, haja vista que alguns excessos no decorrer dos anos produziram danos no eixo dela).

Com esta configuração utilitária, entre 2010 e 2011 rodei aproximados 60 mil km com o Barrinho, indo para todos os cantos possíveis, não raro levando conosco uma quantidade nada desprezível de carga.

Para ser viável tal feito, contudo, é imprescindível conhecer a fundo algumas características técnicas do Fusca, de forma a poupar seu conjunto mecânico e, principalmente, a respeitar suas limitações.

Primeiramente, é preciso cumprir algo prioritário: para empregar o carro no limite de sua capacidade (não raro extrapolando-a), a mecânica tem de estar no mais perfeito estado, com absolutamente todas as manutenções preventivas e corretivas realizadas, notadamente no sistema de freio, suspensão, direção, pneus, conjunto moto-propulsor, enfim... tudo tem de estar em perfeito estado, evitando-se quebras constantes e, mais do que isso, acidentes que tenham como fator contribuinte falhas mecânicas e/ou estruturais.

Naquela época, era comum eu realizar revisões no Barrinho a cada 2.500 km, no máximo a cada 3.000 km, quando, além da troca de óleo, o mecânico e amigo Eduardo Tsuzuki promovia uma revisão completa em todas as partes do carro. Normalmente, nada de errado era encontrado. Todavia, tal regra - de promover uma revisão a cada troca de óleo - permitia que tudo no carro estivesse sempre sendo fiscalizado, propiciando-se condições de que os problemas fossem corrigidos em seu início, evitando-se que uma cadeia de consequências e eventos catastróficos fosse iniciada.



Voltando de Botucatu - SP, local em que ficava instalada a fábrica de reboques Reclal. Para testar a capacidade de carga da carretinha, ainda no posto da Rodovia Castelo Branco, meu irmão resolveu atuar como carga viva (obviamente com o carro apenas estacionado, já que é terminantemente proibido o transporte de animais em carrocerias abertas). Com 2,00 x 1,20 de área livre dentro da carretinha, o Barrinho rebocou considerável quantidade de materiais, atuando como um verdadeiro caminhãozinho.


Outro fator determinante para o sucesso deste tipo de utilização é conhecer a fundo as características operacionais do trem de força do Fusca, partes estas que são um ponto crítico durante o reboque de elevadas cargas.

Como sabemos, o motor do Fusca é refrigerado a ar. Assim, o controle da temperatura do motor depende do arrefecimento proporcionado pela ventoinha de refrigeração do óleo, a qual tem sua rotação ditada mecanicamente pela rotação do motor. Portanto, ao se carregar ou rebocar muito peso, é imperioso que o motor trabalhe sempre em rotações mais elevadas, normalmente aquelas situadas entre o ponto de torque máximo e o ponto de máxima potência.

O Manual do Fusca trás consigo algumas páginas dedicadas a este assunto, quando apresenta os limites máximos e mínimos de velocidade para cada marcha, ocasião em que recomenda explicitamente que, quando as marchas mais longas não suprem a necessidade de força, devem ser empregadas as marchas mais baixas tão logo a velocidade adentre à faixa de operação da marcha imediatamente anterior. Por isso, é importante que, ao se rebocar muito peso, as marchas sejam mantidas o mais próximo possível de suas rotações máximas de trabalho (exceto a quarta marcha na estrada, por razões óbvias).



Conhecer plenamente o seu carro passa pela leitura cuidadosa do Manual do Usuário. No caso do Fusca, há uma clara recomendação de como deve ser conduzida a operação das marchas, de acordo com a velocidade, para a promoção máxima da refrigeração do motor a ar.


Deste modo, o motor estará sempre gerando força para tracionar o peso, e, também, estará recebendo uma boa refrigeração proporcionada pela turbina em alta rotação. Com este modo de condução, ainda, não permitiremos que o câmbio sofra um esforço extra ao tentar tracionar muito peso com marchas altas e baixas rotações do motor, pois a metodologia supracitada impõe que o conjunto esteja operando com marchas mais reduzidas do que aquelas utilizadas em condições normais.

Por fim, ao se operar com rotações mais elevadas e marchas mais reduzidas, teremos o freio motor atuando sempre a se aliviar o pé do acelerador, o que auxilia muito a preservar aquele que é um ponto fraco no carrinho (para este tipo de operação): o conjunto de freio, o qual aquece com relativa facilidade ao se andar com o carro bastante pesado.
Nas longas subidas, normalmente vale a pena reduzir um pouco a velocidade para que o Fusca a suba com uma marcha mais reduzida, sempre mantendo-a, quando possível, próxima do limite máximo superior de velocidade para a marcha alocada. Por exemplo, numa subida em estrada, ao invés de forçar o carro subindo a 85 km/h em 4 marcha é vantajoso subir a 75 ou 80 km/h em 3 marcha (assertiva esta embasada pelo Manual da VW).



As lixas anti-derrapantes permitiam que o Fusca fosse "escalado", facilitando a alocação e amarração das cargas que eram transportadas no rack.


Quando se deparar com grandes subidas, normalmente nas cidades ou nas estradas congestionadas, é recomendável subir com uma marcha que completará o caminho sem necessidade de redução no meio dele (reduzir a marcha de um carro extremamente carregado numa subida íngreme gera, normalmente, esforços e trancos consideráveis, além de grande diminuição da vida útil da embreagem), sempre atentando-se a regra mandatória de manter o motor "cheio", ou seja, com rotações mais elevadas para maximizar o torque e o arrefecimento. Deve-se evitar, sempre que possível, subir "queimando embreagem", ou seja, o carro deve enfrentar a subida com uma marcha reduzida, motor cheio, e as partes perfeitamente acopladas (pé longe do pedal da embreagem).

Nas descidas, por sua vez, manter o carro também sempre com marchas reduzidas, de forma que seja praticamente desnecessário pisar no freio. A marcha ideal numa descida nestas condições operacionais de peso é aquela que permita que você reduza a velocidade do carro sem pisar no freio (ou seja, mesmo na descida, caso queira aumentar a velocidade do carro será necessário acelerar). Pode parecer um certo exagero esse cuidado extremo, mas eu garanto que ter o freio aquecido numa grande descida com o carro bastante pesado não é nada agradável... e ele aquece incrivelmente rápido quando o brinquedo está extremamente pesado.

Vale mencionar e frisar que os aumentos e reduções de velocidade devem ser sempre promovidos de modo o mais gradativo possível, a fim de se poupar ao máximo as partes mecânicas envolvidas no processo, haja vista que elas já estarão bastante sobrecarregadas.



Servindo como carro tanque para os galões (pela facilidade de se retirar combustível de um Fusca), o Barrinho, nesta foto, estava sendo preparado para subir uma quantidade respeitável de acesso pela rampa de acesso, haja vista que, devido a chuva (conforme é possível ver na imagem), o caminhão do fornecedor de aço não obteve sucesso ao tentar vencer o liso e precário acesso.


Seguindo estes cuidados, o Barrinho foi capaz de realizar feitos impressionantes no período em que foi utilizado como o nosso utilitário polivalente.

Entregas de produtos extremamente pesados, com 05 pessoas dentro, mais carga no rack, no porta malas dianteiro, no bagageiro traseiro e na carretinha lotada (com 500 kg ou mais) não foram condições rara. Eu diria até que eram cotidianas...

Raras foram as vezes que o Barrinho precisou ajudar a rebocar o trator quebrado (maquininha que pesa míseros 5.000 kg) ou mesmo a camionete atolada (A-10 chassi longo com carroceria de madeira, que não pesa menos que 2.000 kg), além de outras situações menos audaciosas...

Sem dúvida alguma, a valentia deste carro superou a todos, até mesmo a mim, que jamais duvidei da capacidade de um Fusca.


Nos vemos na estrada.

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Casos e Causos: O dia em que impedi o furto do Barrinho

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Fuscas são muito visados pelos "amigos" do alheio para furto. Infelizmente, não há muito o que contrapor a essa triste assertiva.

Além de normalmente muito fáceis de abrir e ligar, sobremaneira pelos treinados meliantes, os besouros atraem a cobiça dos ladrões por sua incrível facilidade e rapidez de desmontagem. Normalmente, as suas pecas originais valem um bom dinheiro no mercado. Por isso, vale a dica: evite ao máximo comprar peças em desmanches quando não houver boa certeza acerca da honesta proveniência da peça. Caso contrário, você poderá estar alimentando o grande número de furtos de Fuscas (e isso vale para todos os carros). E, um dia, você e seu precioso poderão ser as vítimas.



Lembre-se: não haveria o vendedor de peças furtadas se não houvesse o comprador!


Com o furto do Ray, descobri que nem mesmo três travas em conjunto impedem um Fusca de ser furtado quando algum safado cisma que ele deverá ser levado (o Ray ostentava trava de volante, de câmbio e de pedais). E, nesse caso específico, meu irmão assistiu a tudo de camarote, pois, ao sair da faculdade, deparou-se com um indivíduo dentro do carro, sendo coberto por outro em outro carro. Mesmo que ele tenha me ligado para saber o que fazer, e mesmo que a PM tenha sido acionada, perdemos o carro. Até porque ele foi por mim orientado a não intervir no furto, embora eu, num momento passado, por impulso, tenha agido e, assim, impedi a tentativa de furto do Barrinho, história que será relatada a seguir.

De qualquer modo, diante disso tudo, acreditem: investimentos em alarmes e segredos no Fusca nunca é demais (e vale para qualquer carro que não tenha seguro). E, mesmo assim, não arrisquem. Aprendam com os azares e erros dos outros (como os meus...), pois é mais triste e caro tentar aprender por conta própria!

É por isso também que eu evito adquirir peças de desmanches suspeitos: para não fortalecer o comércio ilegal. Mas, infelizmente, tal correto comportamento não impede o azar de bater a minha porta, vez ou outra.

Num dia qualquer de uma dada semana, a tarde, resolvi passar na Auto Mecânica Tsuzuki para ver a A-10 da nossa empresa que estava em revisão.

Como de costume, para uma parada rápida, estacionei o Barrinho na esquina, tranquei-o e fui encontrar o Eduardo Tsuzuki dentro da oficina para verificar se havia alguma novidade sobre a revisão da camionete.

Passados alguns poucos minutos, quando eu estava vendo o que estava sendo feito na A-10, ouvi uma buzina familiar. Por reflexo, instantaneamente sai apressado em direção ao Barrinho. Os mecânicos ainda me perguntaram, ao ver meu passo acelerado, o que estava acontecendo. Respondi-lhes, automaticamente: meu Fusca está me chamando (a buzina ecoava de um jeito diferente, num tom desesperado e assustado).

Mal sai da oficina e me deparei com uma situação estranha: havia alguém dentro do carro! (detalhe importante: o carro não tinha nenhum alarme que fazia a buzina disparar).

Agindo mais por instinto e raiva do que por qualquer senso de racionalidade, abri a porta do lado do motorista do Barrinho, puxando ao mesmo tempo o energúmeno que tentava furtar o meu veículo. Estivesse ele armado ou com algum comparsa, e eu teria eu virado estatística nas planilhas de homicídio e latrocínio (e nada iria acontecer com o bandido, afinal, pela cultura pitoresca fomentada pela esquerda burra neste país, eu - o ganancioso imperialista dono de um Fusca 1974 - não deveria tentar impedir a ação de um bondoso e coitadinho ladrão, vítima da sociedade capitalista opressora em seu ganha pão diário, já que a orientação das autoridades é jamais reagir, até mesmo para facilitar o trabalho dos auxiliares do governo). Mas, na hora da adrenalina, da raiva, da emoção e da necessidade de agir, quem pensa de modo calmo e plenamente sensato?

No exato instante em que meliante saiu do carro, iniciando a sua fuga, automaticamente levei minha mão a cintura... e, num saque rápido... puxei o celular do bolso, ligando para o 190 (confesso que queria ter podido puxar outro magnífico aparelho, tão ou mais importante que o celular, mas graças a Lei 10.826/03 isso era - e ainda é - impossível para os pobres mortais que não são amigos do rei).

O primeiro policial que atendeu no COPOM se limitou a pegar os dados da ocorrência. Mas, como eu estava correndo atrás do ligeiro malfeitor, liguei novamente para a PM. Nesta segunda ligação, fui atendido por um policial bem mais comprometido que aquele primeiro, e, então, o policial foi orientando as viaturas de área através do que eu ia falando pelo celular enquanto não perdia de vista o bandido em fuga. Tal prestatividade, todavia, não impediu o policial de me orientar a não ir atrás do ladrão, pois estaria arriscando minha vida. Ok, em condições normais, eu concordaria com o prestativo militar. Mas um desgraçado tentara roubar o meu querido Fusca!

Estando eu bem fora de forma, bastou alguns poucos quarteirões para que, num tombo, encerrasse minha infrutífera perseguição. E, ao informar o Papa - Mike de minha queda, pela quantidade de viaturas que apareceram quase que instantaneamente, acredito que o policial entendeu que eu tinha levado um tiro, e não um belo tropeço (tivesse sido a "pobre vítima" da sociedade que tivesse se arrebentado num tombo, certamente iriam aparecer, em instantes, carros dos direitos "dos manos", dos partidos de comunistas de extrema esquerda, e invariavelmente toda uma sorte de idiotas úteis, os quais iriam cobrar da justiça a minha punição por lesão corporal dolosa ou tentativa de homicídio do pobre ladrãozinho que caíra em sua fuga...).



Itens originais costumam atrair muito a atenção dos meliantes, pois eles sabem o valor desses itens no mercado negro. Apesar do visual desleixado, o Barrinho possuía na ocasião diversos itens originais.


De volta ao local dos fatos, o Fusca já estava sob guarda de pelo menos três viaturas da PM.

Ao verem que se tratava da tentativa de furto de um besouro, os colegas militares compartilharam de minha revolta. Talvez porque eles pensaram que aquele carrinho com aparência velha era meu único carro e meu ganha pão. Mas o fato é que eles também se revoltaram e, embora não conseguissem lograr êxito na captura do ladrão, ao menos tentaram.

O ocorrido deixou algumas lições para mim:

(1) Eu deixava o Barrinho propositadamente feio de pintura justamente para não atrair esse tipo de atenção - a dos ladrões. Não adiantou. Bandidos geralmente sabem reconhecer bons Fuscas.

(2) Agir por instinto pode dar errado. Mas também pode dar certo... Afinal, o Barrinho está comigo. Não compactuo, em absoluto, com a a política de não reagir. O certo é, sim, reagir. Falta-nos, contudo, apenas meios de promovermos o enfrentamento de forma correta. Quem sabe com o PL 3722 não tenhamos mais oportunidades de, ao menos, partir para um combate justo contra os marginais que tentam nos dominar.

(3) E, o principal aprendizado: dificulte ao máximo a vida dos salafrários. Eles são preguiçosos e vagabundos, então existe uma maior probabilidade de eles desistirem de levar o seu carro se precisarem se desvencilhar de alarmes, travas e segredos um atrás do outro (sistemas e segredos, pois travas são facilmente superadas, como o caso do Fusca Ray comprovou). Eu sugiro fortemente a colocação das Travas Veronezzi.



Nem mesmo a proposital aparência de desleixo fez com que os ladrões deixassem de se interessar pelo Barrinho. Mesmo você, que tem um Fusca que não chama atenção pela esplêndida beleza, não deve deixar de dedicar atenção especial a travas, segredos, alarmes e anti-furtos em geral.


Dois dias depois dos fatos narrados, meu irmão passou na oficina mecânica do Eduardo Tsuzuki para confirmar com ele a história que eu havia contado, pois parecia improvável toda a história contada, notadamente o detalhe mencionado de que meu Fusca tivesse me chamado em um pedido de ajuda.

Um pouco sem graça, sem jeito, sem saber ao certo como dizer, e também ainda sem entender direito o que se passou, ele (o Eduardo) disse ao meu irmão algo mais ou menos assim: "Só sei que o Rodrigo estava aqui dentro quando disse que o Fusca estava chamando e ele saiu correndo...".

O resto da história vocês já sabem.

Nos vemos na estrada!

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Literatura: Fusca sujo, alma limpa

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Brincando de sujar o Barrinho no famoso Morro do Puma, em Atibaia - SP.



A relação homem - máquina sempre foi algo não plenamente compreendido pela esmagadora maioria das pessoas. Não podemos condená-las, porém. Afinal de contas, não é fácil entender como podemos gostar tanto de objetos supostamente inanimados.

Usei o termo supostamente de forma proposital, pois algumas máquinas possuem algum tipo de vida própria, quase uma espécie de alma, e isso é corroborado por certos fatos incompreensíveis, ainda que incontestáveis e absolutos.



Turma de amigos: Fusca "Joca" do Alexandre; (ex) Rural "Madame" do Fernando Miguel, e, ao fundo, meu ex - Fusca "Barrinho", num divertido dia de brincadeiras fora de estrada.


A paixão por Fuscas muitas vezes nasce e cresce ombreando as aventuras fora de estrada. Contudo, numa primeira observação superficial, sujar carros com lama pode parecer algo bobo, por mais que a brincadeira seja fantástica.

Mas, atentando-se ao fato sob outra óptica, pode-se inferir que o off - road é um hobby no qual o piloto e a viatura tem de estar em perfeita sintonia para vencerem os obstáculos naturais. Maximizando-se o grau de dificuldade dos desafios, aumenta-se a habilidade necessária. E, a cada nova incursão, conhecimentos diversos são absorvidos e muito se aprende, uma vez que jamais ou  passeio ou uma trilha são iguais a outros anteriores, mesmo que o caminho seja exatamente o mesmo! Daí o sabor especial de vencer cada um dos obstáculos, pois eles são únicos. E, para o sucesso da missão, todos precisam contar com um enorme grau de camaradagem e amizade entre os integrantes do grupo aventureiro. Normalmente, as condutas são norteadas pelo lema "entra junto, sai junto". Em outras palavras, tem-se como valor intrínseco que, não importa o que aconteça, todos tem de se unir para superar quaisquer adversidades que surjam no caminho, muitas das quais plenamente imprevisíveis. Esse comprometimento entre os integrantes de um grupo, sobretudo nos egoístas dias atuais, é raro e muito encantador!




Barrinho compondo um trio de amigos (Explorer do Fernando Miguel e Kombi "Narangah" do Alexandre). Juntos, subimos a Trilha da Placa, em Cajamar - SP, num dia de muita chuva!


As viaturas mais equipadas conduzidas por pilotos mais experientes permitem que, com habilidoso manejo, sejam conhecidos locais de grande beleza, quando podemos interagir de verdade com a natureza, fugindo por completo do mundo maluco em que vivemos. Cansa-se o corpo, relaxa-se a mente!

Somente quem experimenta a deliciosa sensação de trafegar por trechos tido como intransitáveis para pessoas e carros comuns sabe o quão gostoso é o sabor da superação conjunta do binômio homem - maquina.

A concentração necessária durante a pratica do off - road faz com que os envolvidos esqueçam momentaneamente de todos os problemas daquela vida que, naquele instante, parece não existir. Tais revezes são sempre deixados para fora do carro, desde o início até o término do passeio (afinal, peso inútil extra geralmente atrapalha...).

A sensação indescritível de experimentar o sucesso da empreitada, o convívio com os grandes amigos e a proximidade ímpar da natureza tornam este relaxamento mental impagável.




Brincar com Fuscas na terra é divertido, por vezes emocionante, e sempre relaxante!


E, ao término de um dia de diversão e aventuras, as imagens do por-do-sol no fim de tarde, assistidas normalmente de locais privilegiados, encerram um dos mais belos espetáculos desta vida (e que é gratuito, por enquanto!), cuja beleza e encanto são geralmente esquecidos na correria cotidiana, especialmente para os moradores dos grandes centros urbanos.




Fuscas Barrinho e Joca passeando por trechos de mata fechada em Caucaia do Alto - SP. Para quem gosta de conhecer lugares inóspitos, belas paisagens e muita natureza, sujar os carros é apenas uma consequência (mas uma parte extremamente divertida da brincadeira!).


Infelizmente, algumas pessoas torcem o nariz quando veem um comboio composto de viaturas imundas, sujas das rodas ao teto. Menosprezam-nas!

Mas para nós - e para as queridas viaturas - não importa a opinião alheia.  Aquela sujeira toda, os riscos e os arranhões são troféus e medalhas que premiam mais um combate vencido.




Afinal... quando o Fusca está sujo, a alma está limpa!


Nos vemos na estrada!

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Viagens e Passeios - Estrada do Sal e Almoço no Mineirin

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Domingo de chuva, dia de sujar a viatura: desta vez, um passeio pela Estrada do Sal com um delicioso almoço em Jundiapeba!


Dia 25 de outubro de 2015. São Paulo acordou chuvosa. Um ar frio tocava a janela de nosso quarto, provocando um sibilar surdo, permitindo-nos antever que seria um típico dia preguiçoso, quando a vontade de permanecer deitado sob as cobertas prevaleceria sobre todas as demais forças que atuam no planeta Terra.

Mas mal o despertador tocou, acusando 7 horas da manhã e saltamos da cama. A garoa que principiava cair apenas tornava o dia mais interessante, afinal, nossa turma (a futura equipe Fucalama) iria passear pela Estrada do Sal, culminando o evento num almoço de confraternização no excelente restaurante Mineirin, em Jundiapeba (Mogi das Cruzes - SP).

Após alguns contra-tempos (o controle de presença da Penélope logrou findar sua bateria exatamente na hora que íamos sair, o que - vejamos pelo lado bom - ao menos demonstrou que o sistema da Positron realmente funciona e sem ele o carro só vai embora rebocado, justificando os investimentos...), os quais atrasaram a nossa saída em alguns bons minutos. Tudo resolvido, partimos para encontrar o pessoal para o desjejum matinal.

Antes, entretanto, passamos encontrar o nosso casal de amigos (Du e Tati) que nos honraram com sua companhia, valentemente seguindo o comboio com um Palio (que, diga-se de passagem, nas mãos do Eduardo se tornou um verdadeiro "adventure").

Turma encontrada, viaturas reunidas e saímos para o passeio, tendo o comboio liderado pela Explorer (Fernando e Clarisse), seguido pelo JPX (Serginho e Rosana), pela Penélope (Rodrigo e Marília) e pelo desavisado Palio (Eduardo e Tatiana), cujo motorista, haja vista a falta de costume em andar em comboio de viaturas, atrapalhou-se um pouco no início.

Seguimos pela Rodovia Anchieta até o trevo de acesso para Riacho Grande. Lá acessamos a Rodovia Índio Tibiriçá, a qual nos levou até a Rodovia Caminhos do Mar, antiga estrada para Santos.

Faço aqui uma pausa no relato para protestar contra a decisão de fechar a Caminhos do Mar para a descida dos carros, haja vista que ela ostenta um visual turístico maravilhoso e, por ser nossa - do povo - não é admissível a decisão das incompetentes autoridades em fechá-la. Prezados responsáveis, permitam que, ao menos, sejam organizados passeios com grupos automotivos! Somos nós que bancamos toda a farra que a máquina estatal tem promovido aos cargos públicos! Nós somos os patrões!

Feito o desabafo, prosseguimos com a nossa história.

Seguindo pela Rodovia Caminhos do Mar, chegamos ao Bar da Lu, ponto de encontro tradicional para todos aqueles que visitam a região com intuito de praticar off-road.



Bar da Lu repleto, como sempre, de aventureiros de toda as tribos!


A partir daí, adentramos a antiga Estrada Mogi das Cruzes, onde teve início o trecho visitado da Estrada do Sal, caminho este mantido através de uma parceria das prefeituras de Santo Andre e Mogi das Cruzes, passando ainda por Ribeirão Pires e arredores de Paranapiacaba e Rio Grande da Serra.

O trecho inicial da estrada está bem cuidado, com - infelizmente - muitas pedras alocadas na estrada, evitando que os carros dos moradores e visitantes da região atolem em dias de chuva, como este.
Mais para a frente, pegamos uma saída à direita e, para a nossa alegria - e para desespero, tristeza e braveza da Tati - começaram a aparecer alguns atoleiros, erosões, subidas e descidas e até alguns locais mais desafiadores.



Logo no início da Estrada Caminhos do Sal temos uma pequena barragem. Tradicionalmente paramos para uma foto!



O valente Palio encarando trechos de estrada enlameada e erosões.



Algumas poças rasas existiam pelo caminho. Infelizmente, porém, não registramos os atoleiros mais legais.


Foi quando encontramos um grupo de ciclistas que pedalavam pela estrada. Eles nos advertiram que os carros de passeio não transporiam uma subida íngreme, com erosões, pedras soltas e lama, advertindo-nos para voltar. Obviamente não o fizemos, por alguns motivos. O primeiro é que as pessoas, de modo geral, não tem a menor ideia do que um Fusca é capaz de fazer. O segundo é que, se eles estivessem certos - o que eu duvidada - o JPX poderia ajudar. Portanto, continuamos pela rota pretendida.

Quando finalmente chegamos na subida desafiadora, constatei que, de fato, ela estava pior do que em outras ocasiões. O Fernando reduziu a Explorer e ela, mesmo com a tração dianteira inoperante, vagarosamente foi vencendo, metro a metro, a subida complicada. A reduzida, a suspensão com bom curso, eixo traseiro rígido e o LDS da traseira, além da técnica do Fê, certamente atuaram sobremaneira para este sucesso.
Em segundo lugar tentamos ir a Ma e eu, com a Penélope. Iniciei a subida bem lento, confiante que o Fusca transporia o trecho sem dificuldades. Infelizmente, eu me enganei: por estar com a barra estabilizadora dianteira e a compensadora traseira, a Penélope não se dá bem com erosões, e, invariavelmente, perdia tração no meio da subida. Após algumas tentativas, percebi que apenas passaria impondo uma velocidade suficiente para nos fazer transpor o local com o auxílio da inércia, e assim o fiz. E, como era de se supor, nossa valente Fusca chegou ao topo da subida.
Se o besouro teve dificuldades, certamente a condição seria impossível para o Palio. E esta elucubração se comprovou: Du e Tati precisaram de uma força do valente JPX do Serginho, que os levou até lá em cima sem dificuldade alguma. Afinal, jipe é jipe!

A partir dai o passeio voltou a ir se tornando tranquilo, até que encerramos a brincadeira no asfalto da estada que liga o Rio Grande da Serra à Paranapiacaba.

Pelo adiantado da hora, resolvemos abortar a segunda parte do passeio, que previa uma visita a Paranapiacaba e Taquarussu, prosseguindo diretamente para o restaurante Mineirin em Jundiapeba, Mogi das Cruzes - SP.



Viaturas estacionadas. Acessem o site do Mineirin para maiores informações acerca do local.


Após aproximada 01 hora, chegamos ao restaurante. Percebemos uma evolução desde a última vez que lá fomo (há uns 4 anos atrás...). O que já era muito bom ficou excelente: mesa de frios, de diversidades mineiras, de carnes diversas (churrasco), tudo incluso e à vontade! Sugiro provar o filé argentino e as três linguiças da casa (tradicional, mineira e apimentada). E, segundo o Eduardo, a Fraldinha também estava excelente. Não deixe de provar a cebolada empanada da casa e tampouco o pão de alho! De sobremesa, doce de leite (incluso).



Mesa de saladas (eu passo longe desta parte...).



Mesa bastante diversa, com a deliciosa churrasqueira ao fundo (nesta parte eu faço várias passagens baixas...).


Quando terminamos de empanturrarmo-nos com a deliciosa comida, outra boa surpresa: a conta, para 02 pessoas, com refrigerante, não chegou a 45 reais/pessoa. Considerando-se o ambiente e a qualidade da comida, o preço é bastante honesto.



Meu grande amigo Fernando tirando uma selfie com a turma ao fundo! Diversão sempre garantida com esse pessoal!


Encerramos o dia com uma foto da turma em frente as viaturas e, após as despedidas, pegamos o caminho de volta. Aproveitamos para conhecer o trecho novo do Rodoanel que, saindo e Suzano, leva a Rodovia Dutra.



Cada casal em frente a sua viatura. Grandes amigos e belas máquinas. Uma verdadeira turma do bem!


Ao final do dia, ficou uma certeza: as doses de diversão e de comilança serão repetidas quando visitarmos Paranapiacaba e Taquarussu (e um Palio, em mãos hábeis, faz milagre) em breve!



E, mais do que merecida, uma foto nossa: afinal, preciso sempre agradecer a esta garota por fazer parte da minha vida e por suportar estas aventuras, além das inerentes trapalhadas e contratempos (risos). Amo-te! E neste feriado, ficou-se decidido: a Penélope estará na nossa cerimônia.


Nos vemos na estrada!

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Especial: O incrível Fusca Joca

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O valente Fusca Joca!


A postagem de hoje será dedicada a um amigo especial. Melhor dizendo, a dois amigos especiais, que nos receberam de braços abertos quando a vontade de fazer trilhas de Fusca era então somente um sonho distante.

Alexandre e o seu Fusca Joca são os dois amigos em questão.

Lembro-me que nos conhecemos através de uma postagem no Fórum Fusca Brasil, onde o Alexandre narrava suas experiências e aventuras no divertido processo de melhoria do originalmente já valente Fusca, passando o Joca a ser uma referência entre os aficionados pelo carrinho, sobremaneira aqueles que adoram empregá-lo quando a estrada comum acaba. As postagens em questão no supracitado fórum poem ser acessadas em: http://www.forumfuscabrasil.com/index.php/topic,33397.0.html

Após algumas trocas de e-mails, combinamos de passear com os Fuscas no Centro de Treinamento de Off Road - Off Track, em Caucaia do Alto - SP, quando, na oportunidade, conheci o também até hoje grande amigo Fernando Miguel e sua valente Rural Madame (quem, invariavelmente, muito me incentivou a conhecer o mundo dos 4x4). Que época gostosa, quando podíamos nos reunir com os grandes amigos, mais vezes, para fazermos aquilo que era paixão de todos: carros fora da estrada!



Fusca Joca descendo um caminho no Off Track para iniciar a brincadeira!



Do ponto de vista do Fusca Barrinho, o qual, junto de mim, aprendíamos lições com os mestres Alexandre e Fernando!



Três amigos, Fuscas Joca e Barrinho, e Rural Madame, ainda limpos, antes de a brincadeira começar! Off Road é amigos e emoção!


Naquela ocasião ficou bem claro que Alexandre e o Joca eram uma dupla de elevada intimidade. Ainda que eu tenha um histórico nada desprezível de milhares de horas e quilômetros no comando de Fuscas, ficou claro para mim que minha habilidade era incomparavelmente inferior ao do, agora, grande amigo Alexandre.



Foto do arquivo: Joca no início de suas incursões no fora de estrada, ainda sem praticamente nenhuma modificação.


Sem exagero algum, o Joca se tornou um dos mais famosos Fuscas de todos os tempos, já que, com poucas modificações, este besouro fez sucesso em diversas trilhas da vida, sendo que seus impressionantes vídeos rodaram o mundo (temos notícias de que o vídeo do Joca na Trilha das Águas subindo a Trilha da Placa rodou por diversos países) e serviram para corroborar o que já é de saber notório: não existe carro 4x2 original no mundo que vai até onde os VW Sedan vão!



Joca e Alexandre no vídeo que rodou o mundo! Sejamos francos: até o Herbie o invejaria!



Outro vídeo do Joca indo até a Placa (Trilha da Placa, Cajamar - SP) por caminhos radicais!


Sendo o Alexandre um dos mais audazes e técnicos pilotos de off-road que conheci, especialmente quando ao volante do Joca, com poucas e precisas modificações conseguiu um resultado formidável, preparando a sua viatura para incursões aparentemente impossíveis. E, assim, o Joca, um Fusca 74, recebeu acessórios que permitiram-lhe transpor obstáculos que, não raro, deixavam boquiabertos os amigos do 4x4, mantendo, ainda, toda a agilidade que somente os Fuscas possuem na terra.

Com protetores dianteiros e traseiros, suspensão original levantada, pneus mistos, proteção do sistema de indução e elétrico, o Joca mescla a aparência original com pequenos detalhes técnicos que o tornam apto a enfrentar locais que até alguns 4x4 pensariam duas vezes em tentar transpor.



Joca em sua configuração mais recente! Absurdamente bruto, porém, ainda, original!


Mas nem tudo na vida é exatamente como queremos. E as poucas vezes que, atualmente, conseguimos reunir nossa turma para fazer o que gostamos é prova irrefutável desta assertiva.

Assim, infelizmente, chegou-me a notícia de que o Joca necessitará ser vendido, pois o meu grande amigo Alexandre tem outros projetos de vida que se sobrepõe em importância ao sonho de um Fusca original imbatível no fora de estrada. E, diante da exposição de suas razões, eu concordo com ele! Eu mesmo deixo de lado alguns sonhos pessoais para privilegiar certas obrigações. Mas, com plena convicção, chegará o momento de vivermos estes sonhos...

Quem estiver interessado no carrinho, garanto que irá obter uma joia rara em termos de história, passado de aventuras, qualidade, bom gosto e, claro, capacidade off road!

E, de brinde, terá em mãos um dos mais famosos Fuscas do Brasil!


Nos vemos na estrada (e, quiça, você com o Joca)...

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Casos e Causos: O naufrágio do Fusca Mau

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O Fusca Mau algum tempo após os fatos narrados na presente história. Besouros possuem, comprovadamente, uma capacidade de sobrevivência absurda!


A história que narrarei a seguir comprova um fato já certamente conhecido por pessoas mais experimentadas: é preciso ter cuidado com o que você fala às crianças.

Afinal, elas possuem uma capacidade absurda de mentalizar aquilo que lhes é dito, e, invariavelmente, no futuro, usarão tais aprendizados para realizarem "coisas". E, normalmente, tais "coisas" se traduzem em "artes" (empregando o termo de modo estritamente não-artístico). Eu fui prova inconteste desta assertiva!

Na Fazenda São João, em Borborema - SP (de propriedade de uma divertida senhora que costuma nos atender pela alcunha de Vó Gleide), havia um açude.

Açude, para os leitores menos adaptados ao linguajar cotidiano do interior, é um local feito para represar água. No caso específico da presente história, o açude fora criado para usufruto dos gados que existiam nos bons tempos daquela fazenda.

Não raro, descíamos até o pequeno lago para brincar em suas margens (quando éramos crianças as coisas pequenas pareciam enormes e assustadoras...). Noutras vezes o cruzávamos a cavalo. Mas eu sempre tive vontade de atravessá-lo com algum veículo, especialmente porque ele era utilizado como atalho pelos tratores da Fazenda, os quais, evitando alguns quilômetros a mais, atravessavam-no para atingir a sede da propriedade.

Sendo eu, desde aquela época de pivete, um fã incondicional de Fuscas, já tinha para mim que, mais dia, menos dia, tentaria realizar proeza semelhante. Afinal de contas, se os tratores logravam êxito em tais travessias, obviamente que o Fusca passaria no açude (no fantástico mundo da mente infantil, querer é poder, e ponto final!).

Foi quando, não me recordo ao certo quantos anos tinha, que comentei com meu pai algo a respeito disso. Estávamos indo ao sítio com o Chevette SL/E 1991 dele. Questionado a respeito de minhas intenções, meu pai, como competente Engenheiro Civil formado pela POLI-USP, retrucou-me afirmando que, se a profundidade do lago não fosse tão exagerada (como de fato não era, exceto em alguns locais), a travessia seria possível com o Chevette pois a água facilitaria ao pneu encontrar solo firme (em que pese a esplêndida formação técnico-científica dos engenheiros da Escola Politécnica, hoje tenho a plena ciência de que lhes faltam alguns vários crédito do tema "Tipos de solo e respectivas transposições por veículos automotivos"...). Incrédulo com a assertiva proferida por meu pai (qualquer pessoa que já teve um Chevette sabe que eles atolam até em asfalto molhado...), desafiei-o. Recordo-me de que ele, naquele instante, desviou-nos do caminho que, em condições normais, levar-nos-ia até a sede da Fazenda, para ir até o pequeno lago. Mas, na ocasião, a estrada que lhe dava acesso estava um pouco precária e, para não enroscar o baixo Chevrolet em algum buraco, ele desistiu da desmiolada façanha. Quanta sorte! Destarte, é evidente que se o Chevy não conseguia sequer chegar até o açude, jamais conseguiria adentrá-lo, muito menos transpô-lo (talvez o fato da desistência em tempo hábil seja prova irrefutável de que nos momentos em que a ausência plena de inteligência se apresenta, somos guiados por alguma força superior).

Mas, confesso, fiquei com aquilo na cabeça: se meu pai, por qualquer motivo que fosse, cogitou tentar atravessar o lago com o Chevette (que era um excelente carro na época, mas que adorava apenas o asfalto), indubitavelmente que o Fusca lograria êxito em sua travessia.

E, por mais que tivéssemos um Fusca na família naquela época, depois que o Chevette passou a ser nosso carro de viagem, o valente besouro - comprado pelo meu Avô Jorge e dado de presente ao seu filho - não mais foi a Borborema. Assim, tive de esperar meu próprio Fusca para tentar a façanha. Passados alguns anos, eu comprei o Fusca Mau.

As investidas nas estradas da Fazenda e seus arredores em dias de chuva eram constantes. De dia ou de noite, bastava o céu despejar sua água que lá ia eu brincar de fazer rally com o valente Fusquinha.

O leitor que acompanha o nosso blog sabe que este Fusca não estava configurado para aventuras fora de estrada. Para ser sincero, tinha até pior desempenho nesse tipo de uso do que um original, uma vez que estava calçado em rodas de aro 14 com pneus de perfil mais baixo e consideravelmente mais largos (para entender bem o assunto, sugiro a leitura dos postes relacionados a calibragem de pneus, os tipos de pneus para cada uso, e sobre a qualidade do besouro no fora de estrada). Ainda assim, nos deslocamentos normais da Fazenda para a cidade, ele trafegava com relativa tranquilidade sob qualquer condição de tempo. Mas, para um uso off road mais pesado, aquela configuração estava completamente fora do ideal.

Naquela época, também, no auge dos meus 18 anos de idade, ostentava todos os ingredientes para o insucesso: sempre costumo dizer que "a coragem excessiva é uma flor colhida no jardim da inexperiência", sendo tal frase costumeiramente corroborada por fatos diversos.

Assim, sem entender quase nada sobre características necessárias para manter a boa capacidade off-road original do besouro, e sem saber ao certo que o Fusca Mau tinha perdido boa parte da sua aptidão para a lama, decidi que iria realizar o antigo sonho: finalmente iria atravessar o açude de Fusca!

Não me recordo ao certo quem estava presente naquele dia para confirmar minha versão. Meu primo Lucas, contudo, certamente estava lá com outro carro.

E, assim, fomos até o local que dava acesso ao açude.

Parei o Fusca Mau antes da água e olhei - confesso que naquele momento deu um certo medo, afinal, sempre tive medo de água por não saber nadar. Todavia, confiante na valentia do Fusca, acelerei. Ao entrar na água, desde que um pouco mais funda, o Fusca, que é naturalmente leve, tem uma tendência de flutuar. Calçado em pneus largos, e sendo o fundo daquele lago um lodo extremamente liso, não era difícil prever o que aconteceria: o carro perdeu tração e começou a patinar. Mas o meu querido carrinho, vendo que eu estava cometendo um enorme ato de extremada burrice, resolveu me dar uma chance e, de forma surpreendente, completou a travessia. Cheguei na outra margem feliz da vida: um sonho de criança havia sido realizado. Não podia ser diferente, afinal de contas, meu carro era um Fusca!

Mas o destino gosta de pregar peças...

Saindo na outra margem do açude, precisaria subir até a sede da Fazenda pelo caminho que o gado costumeiramente utilizava para subir para o seu curral. Por conta desse deslocamento constante dos bichinhos, foram criadas grandes erosões nessa subida. Na oportunidade, ao olhar para tais erosões, desisti de ir até a sede por essa rota, pois fiquei com receio de algo dar errado (o que demonstra a minha completa inexperiência em fora de estrada na ocasião, pois hoje sei que o trecho seria facilmente transponível pelo Fusca através do emprego de técnicas corretas). Naquele instante, o elo faltante para o total colapso da inteligência se completou: decidi retornar pelo lago.

Fiz meia volta com o Fusca Mau e mirei novamente o açude. Ao invés de retornar exatamente pelo local que havia passado na primeira vez, mais confiante, rumei direto para a outra margem. O valente carrinho adentrou a água, andou alguns metros e, caindo num buraco mais fundo, parou. Tentando sair do enrosco em que me enfiei, engatei a ré e acelerei. Naquele momento, completei o ciclo da ignorância e do desconhecimento, mantendo o carro bastante acelerado para não deixar a água entrar no escapamento (muitos anos mais tarde, aprendi que isso é uma das maiores lendas que existe no universo automotivo, sendo a entrada de água pelo escamento é uma das coisas que menos deve causar preocupação na transposição de trechos alagados). Tal bestial ação fez com que a polia do virabrequim jogasse água por todo o cofre do motor, molhando distribuidor, filtro de ar e, como aprendi depois, sugando água para dentro do cárter pela pressão negativa de ar exercida pela polia). Resultado: o motor apagou no meio do açude. E, para fechar o dia que para mim significou um vácuo de massa cinzenta, tentei ligar o motor novamente por diversas vezes, encerrando com chave de ouro as sequências de trapalhadas.

A água entrou para valer no interior do carro. Meu primo, que assistia a tudo da estrada, de dentro de outro carro, foi até a sede para buscar nosso Tio Dio para que me socorresse. Tios necessitam de uma dose extra de paciência, pois precisam aturar as travessuras desmedidas dos sobrinhos...

Quando nosso tio chegou no açude com o seu Gol, ao ver as condições de submersão que estava o Fusca, concluiu que o seu carro não teria força, nem tração, nem resistência de engate para fazer o resgate. E, assim, resolveu ir buscar o trator para promover o salvamento.

Para o bruto Ford 4600, retirar o VW Sedan do lago foi tarefa fácil. Depois, tentamos sem sucesso fazer o meu carro ligar. Pelo insucesso, resolvemos rebocá-lo até a sede da Fazenda.

Para amenizar um pouco o estrago, iniciei a retirada da água que se alojou dentro do besouro. E, junto desta respeitável quantidade de água, saíram alguns girinos e peixinhos, os quais provavelmente entraram no carro quando eu abri a porta para sair.

E, assim, o Fusca Mau foi deixado lá quietinho para um providencial socorro no dia seguinte.

Infelizmente, dado o desespero na ocasião, não foram feitos registros fotográfico do ocorrido. Temos, porém, considerável número de testemunhas oculares.

Rebocamos o carrinho até uma oficina da cidade com o Gol do Tio Dio.

Como é típico do interior, rapidamente a história se espalhou pela cidade. E, como também é costumeiro, a história teve suas versões incrementadas, até chegar a um descritivo definitivo: o neto da Dona Gleide havia caído com um Fusca dentro de um grande lago, submergindo-o. Vai entender...

Passado uns poucos dias, ligou-me o mecânico informando que o Fusca estava pronto. Comprovando sua valentia, bastou uma troca de óleo para retirar a água do cárter, uma secagem do filtro de ar, das velas, dos cabos, da bobina e do distribuidor, e ele voltou a funcionar novamente, como se quase nada tivesse acontecido. O motor Boxer refrigerado a ar é incrivelmente robusto e resistente!

Mandei-o na sequência para uma providencial lavagem completa, inclusive em seu interior, seu estofado e complementando com plena lubrificação.



O interior do Fusca Mau privilegiava o conforto, ostentando carpetes ao invés das passadeiras de carrapatinho. Por isso, o interior foi mais prejudicado do que um em configuração original.



E, pouco tempo após o naufrágio, lá estava o Fusca Mau aprontando novas travessuras pelas ruas de Borborema, até acabar minhas férias da ocasião.

Acabei deixando o carro por lá, e, dias após, meu pai foi buscá-lo. E, mesmo depois disso tudo, o carrinho voltou para São Paulo sem nenhum tipo de ocorrência.

Tem coisas que somente os Fuscas são capazes de fazer...

Nos vemos na estrada!

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Viagens e Passeios - Off road no Puma (Atibaia - SP)

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Fusca Penélope na lama! Off road é diversão e emoção!


Após algum tempo de ausência, por conta de compromissos profissionais que me tomaram todo o já escasso tempo disponível, felizmente conseguimos voltar a dedicar uma merecida atenção ao Blog da Penélope e aos nossos já milhares de Leitores.

A re-estreia não poderia ter sido melhor: aproveitamos o domingo de 27/09/2015 para passear no Puma em Atibaia - SP, aproveitando a chuva que caiu nos dias anteriores. Para a nossa alegria (e também a do governador geraldo alckmin...), uma boa quantidade de água caiu do céu




Penélope com pneus originais passando na lama! Um Fusca é sempre o Fusca: pouco sente os obstáculos!


Acompanhando a Penélope, estávamos minha noiva e eu, juntos, para encontrar alguém que, invariavelmente, contribuiria para abrilhantar ainda mais esta re-estreia: o nosso grande amigo Fernando Miguel, cujas viaturas vez ou outras aparecem por estas páginas. Afinal, fazia tempo que nosso grupo de Off Road não fazia a sua atividade básica! Como comentaram no grupo do Whatsapp, até que enfim alguém da turma foi sujar a viatura!



Explorer do Fernando e Fusca do Rodrigo: dupla que garante boa dose de diversão entre grandes amigos!


Diga-se de passagem, as dificuldades políticas e econômicas que predominam no instável atual cenário no país tem contribuído sobremaneira para a inviabilização das nossas alegres reuniões de amigos "trilheiros". E, até mesmo em consonância ao nosso agonizante brasil (assim mesmo, com "b" minúsculo), optamos por fazer algo que os nossos políticos, em sua maioria, já nos tem feito: enterrarmo-nos na lama!

O Puma em Atibaia, como sempre ressaltamos, é um lugar abençoado: lá existem opções para brincar com carros de passeio, com Fuscas, com 4x4 originais, com 4x4 preparados, enfim, há desafios para todos os gostos!



A noiva, o Fusca, a lama e os amigos: receita para um bom final de semana!


Um Fusca original consegue se divertir (e divertir o seu dono motorista, de tabela) de diversos modos por lá. Eu particularmente gosto de subir e descer as muitas rampas e barrancos, além de explorar as erosões que estão estrategicamente espalhadas pelo terreno.




Este vídeo mostra uma pequena parte do Puma, apenas! O local é um verdadeiro parque de diversões para viaturas!


Para quem entende que rally, trilha e off-road são sinônimos de lama, as imagens corroboram minha assertiva: diversão por lá não vai faltar (desde, é claro, que tenha ocorrido alguma chuva no dia ou nos anteriores). Deve-se apenas atentar ao fato de que existem alguns atoleiros muito fundos, os quais, certamente, cobririam um Fusca quase que por completo. Deixe-os para os amigos dos 4x4 bem preparados!



Apesar de ser uma viatura fantástica, a Explorer teve um pequeno problema. O feito comprova que, racionalmente falando, o Fusca é o brinquedo que melhor agrega benefícios com baixo custo para quem não faz trilhas mais pesadas e quer um brinquedo para diversão!


Por ser leve e ágil, além de ostentar suspensão independente nas quatro rodas e assoalho plano, o Fusca passeia com tranquilidade na maior parte dos locais do Puma. E se diverte contornando curvas com velocidade, entrando rápido nos atoleiros mais rasos, escalando os barrancos em subidas vertiginosas e contorcendo-se nas erosões.




A Explorer brincou nos atoleiros e em muitas das rampas no Puma. Infelizmente um pequeno contratempo impossibilitou que mais vídeos fossem feitos. Uma bela desculpa para lá voltarmos, não?


Saindo de São Paulo, gasta-se menos de 01 hora para chegar no Puma. A brincadeira vale a pena, pois pode ser complementada com uma subida à Pedra Grande, além de um bom almoço interiorano em uma das diversas opções de restaurantes espalhados pela cidade.

De certa forma, a crise que aflige o brasil tem feito um considerável número de jipeiros olhar com carinho para os Fuscas: são, sem dúvida alguma, uma alternativa bem mais barata para quem quer economizar sem abrir mão de se divertir na terra. E tal certeza se torna cada vez mais irrefutável para mim, que já experimentou de tudo um pouco em termos de viaturas fora de estrada.

Possuidor de uma mecânica simples, extremamente confiável e robusta, além de manutenções preventivas e corretivas infinitamente mais baratas do que aquelas encontradas nos 4x4, o Fusca torna-se uma opção inteligente e de baixo custo para passar o tempo de crise econômica desfrutando dos prazeres e desafios da natureza.



Prova de amor: a noiva no comando!


E, indubitavelmente, a diversão e emoção são garantidas no off-road 4x2. Em formas diferentes daquelas promovidas pelos 4x4 em trilhas mais travadas... mas igualmente gratificantes e com um custo benefício imbatível!

Se você tem um Fusca e quer entender na prática o que estamos falando, contate-nos! Ficaremos honrados em mostrar aos nossos leitores como desfrutar de todas as capacidades do nosso querido carro, utilizando-o de um jeito que fará outros Fuscas morrerem de inveja!

Nos vemos na estrada

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