PENÉLOPE VIAJANTE

Um Blog para todos que adoram Fuscas, Aventuras, Passeios, Viagens, Off-Road e carros em geral!

Literatura: Procura-se

2 comentários


Procura-se; não importa se homem ou mulher, se rico ou pobre.

Desejo apenas que goste de mim como sou. Que goste de sentir o cheiro da gasolina que exala de minha pele. Que não se importe de sujar suas mãos de graxa e óleo ao me tocar. Que não se intimide com minhas limitações e dificuldades.

Que desfrute, junte de mim, de um saudosismo mágico. Que me leve para passear por estradas assustadoras. Que, ao meu comando, faça-me transpor obstáculos impossíveis para outros. Que respire o ar puro da natureza. Que não se melindre com meu jeito lento e desengonçado. Que, porém, orgulhe-se de minha robustez e valentia. Que não se incomode de fazer força para me controlar. E que não reclame do desconforto ao me guiar.

Procuro alguém que seja apaixonado por mim. Que me trate com todo o esmero e carinho, aos quais retribuirei realizando feitos e conquistas sublimes.

Quero ser comandado por quem não me tenha como um reles meio de transporte. Ao invés disso, que me tenha como um companheiro de aventuras!

Desejo alguém que não se incomode com minha rusticidade e que saiba que ela é fruto de minha força. Almejo servir a alguém que não se sinta diminuído em me montar quando eu estiver coberto de lama; pelo contrário, que se inche de orgulho e admiração desta sujeira que é para mim um troféu.

Procuro por um companheiro que conheça minha história, e saiba das minhas aventuras, serventias e vitórias em tempos de guerra. E que saiba que, durante toda minha longa vida, atuei em infindas atividades: ajudei a alimentar o país quando servi ao homem do campo; ajudei a fazer mais feliz meus donos antigos. E que seja mais do que meu dono: que seja meu melhor amigo!

Procuro, então, por um amigo que saiba decifrar meus enigmas. Que entenda a minha língua e que possa conversar comigo. Que saiba quando preciso de um descanso ou de novo fôlego com ajustes em meu velho e desgastado corpo.

Procuro por quem me ame do jeito que sou. Que alce conquistas fantásticas valendo-se da força de meus quatro braços. Que me leve de volta ao meu lar após um dia de felicidade verdadeira. Que inicie o caminho do regresso apreciando o por do sol por entre os vales e montanhas. Que me estacione ao cair da lua e silencie meu coração sob as luzes da estrela, certo de que, juntos, fazemos sempre o dia feliz e a vida valer a pena!

Procuro-se alguém assim. Um misto de dono, proprietário, companheiro, e amigo!


Assinado: algum Fusca por aí precisando de um verdadeiro Dono.




Penélope e Barrinho trouxeram muitas alegrias. Que o Barrinho faça feliz seu novo proprietário e que receba dele a mesma dedicação. Assim, não precisará recorrer a um anúncio parecido com o deste de cima.


Nos vemos na estrada!

2 comentários :

Postar um comentário

Dicas Técnicas: Calibragem dos pneus

7 comentários

Por alguma razão ainda desconhecida, grande parte dos motoristas, frentistas de postos e borracheiros, simplesmente resolveu padronizar 26 psi como a calibragem padrão para todos os tipos de carros, pneus e usos. Mas será que isso está certo?


Via de regra, cada carro necessita de uma calibragem específica para rodar adequadamente, sendo que este valor pode mudar devido à diversas variáveis. Especialmente no caso dos nossos Fuscas, que possuem distribuição de peso e conceitos de suspensão muito diferente dos carros atuais, os valores corretos podem ser bastante diferentes daqueles comumente praticados.

Mas, a partir de agora, você não mais poderá acusar desconhecimento sobre o assunto!

Para facilitar a instrução, iremos considerar os tradicionais pneus diagonais 5.60-15, originais da ampla maioria dos Fuscas, ou, eventualmente, os 165R15 empregados no Fusca Itamar (de 1993 a 1996). Todavia, as dicas aqui constantes servem para todos os carros e tipos de pneus, cabendo apenas a sua devida adaptação.

Segundo os manuais da Volkswagen, temos os seguintes valores para calibragem dos pneus convencionais 5.60-15:

- Até meia carga: 16 lb (psi) nos dianteiros e 20 lb (psi) nos traseiros;
- Carga máxima: 17 lb (psi) nos dianteiros e 24 lb (psi) nos traseiros.

E, para os 165R15 do Itamar, temos que (empregar tais calibragens se o seu Fusca utilizar estes pneus, ainda que ele não seja um Itamar propriamente dito):

- Até meia carga: 17 lb (psi) nos dianteiros e 22 lb (psi) nos traseiros;
- Carga máxima: 20 lb (psi) nos dianteiros e 28 lb (psi) nos traseiros.

Mas seriam tais supracitados números intocáveis, a ponto de não podermos fazer nenhum tipo de alteração em seus valores?

Não! Faz-se mister frisar que tais valores são parâmetros médios, obtidos através de uma curva normal de utilização, durabilidade, eficiência, segurança, enfim, de custo-benefício. São, portanto, valores básicos, os quais podemos adequar, dentro de certos limites, para situações diversas.

Costumo calibrar os pneus do meu Fusca semanalmente, no máximo a cada 15 dias. Isso garante que os pneus estejam sempre adequadamente calibrados.

Vá até um posto de confiança, cujo aparelho esteja minimamente calibrado (não adianta nada proceder a calibragem se o aparelho estiver marcando errado), e, com os pneus frios, calibre-os tendo como base de referencia os valores supracitados. Leve em consideração que rodar muito até o local da calibragem elevará a pressão do pneu, fazendo-o acreditar, erroneamente, que ela está correta ou alta demais. O ideal é rodar o menos possível, e sempre devagar, fazendo os pneus chegarem bem frios no local onde será feita a calibragem.

O estepe deverá ser sempre calibrado com o máximo valor admissível para carga máxima. Proceda assim pois, em caso de necessidade, é possível esvaziar facilmente um pneu, enquanto que, normalmente, enchê-lo é mais difícil (a menos que você possua um compressor de ar portátil).

O "ajuste fino" da calibragem dependerá de certos fatores, e, neste caso, poderá abranger o seu critério particular específico. Por isso também, a calibragem deve ser costumeira, pois dependerá sempre do uso do carro naquele momento.

Considerando-se que o Fusca irá rodar em rodovias asfaltadas de boa qualidade, podemos considerar um aumento de 2 a 3 psi sobre os valores citados nos itens acima. Isso tornará o carro mais firme, econômico e, geralmente, mais "na mão", condições estas úteis em auto-estradas. Resumidamente, uma significativa parcela da estabilidade de um carro na estrada está ligada a baixa deformação da carcaça dos pneus nas curvas (isso explica, em partes, porque os pneus de perfil baixo são mais estáveis, já que suas laterais deformam menos). Assim, um pneu um pouco mais cheio deforma menos numa curva, garantindo uma maior estabilidade.

Porém, se formos trafegar por estradas de terra, sobremaneira por longos trechos, muita areia fofa ou mesmo estradas bastante enlameadas, podemos considerar baixar de 3 a 5 psi aqueles valores de referência do manual. Tal feito tornará a viatura mais macia, exigindo menos da suspensão e dos amortecedores nas estradas de terra, facilitando também a rodagem (de um modo geral) na areia, na lama e nas erosões num emprego mais off road. Frisa-se que trafegar em uma estrada de asfalto em velocidades elevadas com a pressão muito baixa irá gerar aquecimento exagerado da carcaça do pneu, podendo causar acidentes graves. Por isso, o ideal é abaixar a calibragem dos pneus apenas no instante em que for necessário o uso off-road, devendo os mesmos serem enchidos tão logo quanto possível. Em caráter simplório, um pneu um pouco mais murcho que o ideal, numa situação de off-road, adere mais devido à maximização da adesividade, e, de forma geral, contorna mais facilmente os obstáculos, moldando-se sobre eles (ao passo que um pneu cheio tem de transpor esses mesmos obstáculos, os quais podem formar pequenas quinas, dificultando a tração de um pneu que, por estar muito cheio, não se deforma).

Costumo seguir exatamente aquela tabela dos manuais da Volkswagen apenas quando vou utilizar o carro na cidade. Para viagens, utilizo sempre aquelas 2 ou 3 libras a mais, exceto caso saiba de antemão que pegarei estradas ruins, pois, ai, mantenho exatamente a tabela da VW. Entretanto, nada nos impede de fazer um emprego misto das calibragens: se a distância a ser percorrida em auto-estradas for considerável, e, ao fim, existir estradas de terra que terão de ser acessadas, podemos trafegar até lá com a pressão um pouco aumentada e, perto do destino, adequamos a pressão para o novo piso (lembrando que o pneu estará quente, então será necessário diminuir em torno de 5 a 8 libras por pneu para chegarmos a um valor adequado ao uso fora de estrada). Assim, aproveitar-se-á as melhores configurações em termos de calibragens em cada trecho do passeio, adequando-a ao momento. Deste modo, poupar-se-á o carro em todos os aspectos e em todas as condições (e, não raro, isso evita que o carro atole por alguma pequena bobeira na areia ou na lama...).

Mas... e se não houver nenhum tipo de manual para referenciar a base inicial do ajuste da calibragem?

Uma maneira teórica (mas muito simples e prática) de resolver a questão é, primeiramente, descobrir qual a calibragem máxima admissível pelo pneu, comparando-a com a sua capacidade máxima de carga (do pneu). Tais informações são encontradas nas laterais dos pneumáticos.

Numa situação hipotética, apenas para auxílio a instrução, consideraremos os valores:

- Pressão máxima admissível: 50 psi;
- Carga máxima admissível: 1000 kg

Então, tem-se que para 1.000 kg de carga por pneu, este deverá trabalhar com 50 psi.

Por uma regra de três simples, para uma carga de 500 kg por pneu, este deverá trabalhar com 25 psi.

Para obtermos o valor de carga aplicada em cada pneu, precisamos saber o peso em ordem de marcha do carro. Se quisermos ir mais além, devemos descobrir (ou estimar) a distribuição de peso por eixo, e, assim, chegaremos ao valor da carga aplicada em cada pneu.

E, por fim, como saber se o que temos feito está correto, preservando o nosso tão estimado carro (e o nosso valioso bolso)?

Simples: com o passar do tempo (e de alguns bons quilômetros rodados), poder-se-á obter uma verdaeira prova real da calibragem.

Quando o pneu roda, na média, com calibragem acima do ideal, ocorre um desgaste mais acentuado no centro da banda de rodagem. Na contrapartida, quando, na média, o pneu roda com calibragem abaixo do ideal, ocorre um desgaste mais acentuado nas laterais da banda de rodagem. Essa é a maneira mais fácil e empírica de checar se estamos fazendo a coisa certa em termos de emprego de calibragens.



Acompanhando o desgaste da banda de rodagem, teremos um bom indicativo sobre os valores praticados nas calibragens dos pneus.


Se você realiza o serviço completo de alinhamento, balanceamento e rodízio dos pneus (no máximo a cada 10.000 km, ou muito menos se o uso do carro for em locais ruins), podemos considerar que a geometria da suspensão dianteira e traseira está dentro dos padrões recomendados pela VW, fabricante dos nossos queridos Fuscas. Assim, descartando-se a possibilidade de alguma não conformidade na geometria da viatura, podemos atribuir os desgastes errados à uma calibragem equivocada, norteando-nos para realizarmos pequenos ajustes (de 1 em 1, ou 2 em 2 psi) nas calibragens corriqueiras, buscando atingir o ponto ideal das mesmas.

Por fim, temos que, resumidamente:


Pneus calibrados com pressões abaixo do ideal causam:

- Maior desgaste nas laterais da banda de rodagem;
- Maior gasto de combustível;
- Maior desgaste da borracha do pneu, por aquecimento;
- Perda de estabilidade em curvas;
- Direção mais pesada nas manobras;
- Possibilidade de rachaduras nas laterais da carcaça;
- Possibilidade de deslocamento de lonas;
- Aumento de riscos de cortes nas laterais dos pneus em impactos;
- Aumento de chances de aquaplanar.


Na contrapartida, pneus calibrados com pressões em excesso causam:

- Maior desgaste no centro da banda de rodagem;
- Desconforto, pois o carro fica muito duro;
- Desgaste prematuro da suspensão e amortecedores;
- Perda de estabilidade nas curvas;
- Rachadura entre os sulcos da banda de rodagem;
- Propensão a danos em impactos;
- Maior facilidade de aquaplanagem em lâminas de água;
- Possibilidade de estouros.


Cuidando de todos os detalhes da calibragem dos pneus com capricho, com paciência, estudo e dedicação, sem dúvida alguma, o Fusca irá retribuir a atenção, rodando com mais conforto, performance e economizando combustível e manutenção, dando um verdadeiro show no asfalto e, principalmente, na terra.


Nos vemos na estrada!

7 comentários :

Postar um comentário

Casos e Causos: Atolado na Páscoa

Nenhum comentário
Embora sejam os pescadores que ostentem fama por suas histórias mirabolantes, sinto-me tentado a dizer que os fusqueiros são tão ou mais dignos de tal qualificação.

O que narrarei nas linhas abaixo é prova irrefutável disso, ainda que seja a mais absoluta verdade. Talvez com algum detalhe ou outro um pouco exagerado... mas, que é verdade, é!



Barrinho no Rodoanel. Saindo de Ribeirão Pires - SP rumo ao feriado de Páscoa.


Eu havia ido com o Barrinho para passar a Páscoa em Borborema - SP. E, neste exato instante, enquanto aqui escrevo, assusto-me ao recordar que isso ocorreu em 2010. O tempo realmente voa...

Como era de praxe quando das minhas idas com esse tipo de viatura para lá, permaneci o feriado todo na torcida e na expectativa de que chuvas fortes ocorressem. Assim, teria diversão garantida pelas muitas estradas de terra da região. Todavia, um dia passou, e nada de chuva forte.

Não mais nutria esperanças de que iria brincar na lama com o Barrinho. Contudo, ao amanhecer do domingo de Páscoa, acordo com aquele barulho gostoso da chuva caindo. Agradável e relaxante som, trazendo consigo o aroma do mato, relaxando corpo e alma de uma maneira mágica. Se a felicidade pudesse ser resumida a alguma simples condição, talvez isso, necessariamente, relacionar-se-ia à vida no interior...

Saltei da cama com um sorriso no rosto. Enfim iria brincar! Sim, caríssimo leitor. Brincar! Homens grandes brincam tal qual crianças; muda-se apenas, e tão somente, o tamanho dos brinquedos.

Após uma rápida higiene matinal e um breve café da manhã com o distinto sabor da roça, corri para a garagem. O Barrinho estava alegre, como se estivesse a esperar pelo passeio. Aliás... já repararam como, ao olhar um Fusca de frente, dificilmente não se percebe um misterioso sorriso naquelas máquinas? 

Deslocamo-nos pela cidade rumo às estradas vicinais de terra que levam à fazenda da minha vó. Com o motor já aquecido, comecei a acelerar mais forte pelo enlameado percurso. O Barrinho parecia gostar da brincadeira e, tendo superado todo o trajeto com mais facilidade do que o esperado, decidi que teria de escolher um caminho mais radical para ter alguma dose de emoção naquele dia. E, sem muito pensar, optei por seguir o rumo que me levaria à conhecida subida da "serrinha", onde as condições da estrada, bem mais precárias e com um tipo de terra bem mais lisa, certamente proporcionariam mais de diversão. Chegando no objetivo, engatei a primeira marcha e subi vagarosamente, contando com a boa tração dos Fuscas para vencer a subida bem lisa. Nessa época, o Barrinho estava com pneus radiais mais largos e de perfil mais baixo que os originais (5.60-15, convencionais), ótimos no uso normal e no asfalto, mas que promovem enorme prejuízo em termos de performance no off-road. Assim, num dado ponto da subida o carrinho guerreiro não mais conseguiu tracionar, parando de subir. Engatei a ré e descemos para uma nova tentativa.

Como o horário já estava um pouco adiantado, perto da hora do aguardado almoço de Páscoa, não quis perder tempo murchando um pouco os pneus de trás para maximizar a tração. Então, optei pela técnica de iniciar a subida um pouco mais embalado e com pequenas "bombeadas" no acelerador (garantindo a limpeza dos pneus e, por conseguinte, o aumento do seu agarre). Acreditei que isso bastaria para o valente Barrinho transpor o longo obstáculo ascendente. Não deu outra: com essa metodologia, vencemos a primeira parte da subida. Mas, ao chegar no final desta primeira etapa, havia uma curva fechada à esquerda, quando as condições da estrada pioraram ainda mais, resultando em nova perda de tração. Paramos no meio da curva.

Não fosse eu - novamente - teimoso (ou preguiçoso?), e esta história não existiria. Bastaria ter descido e murchado um pouco os pneus, e, então, tudo teria sido resolvido com mais facilidade (e menos trabalho).

Entretanto, tive a nada inteligente ideia de não querer sujar os pés (de novo). Optei por tentar voltar tudo de ré. O Barrinho, com sua extrema esperteza, bem que tentou impedir minha ação bastante burra, dificultando o engate da marcha. Mas eu não lhe dei ouvidos: após algumas tentativas, a ré engatou e iniciei a complicada descida nessa condição escorregadia. Decorridos alguns instantes, a junção da teimosa com a inabilidade culminou num deslizamento da estrada diretamente para o barranco existente no lado direito. 

Considerando-se que existia um bom desnível da estrada até o citado barranco, e considerando-se que o barro estava realmente muito liso, não foi necessário nenhum tipo de inteligência acima da média para concluir que, a partir daquele momento, eu estava de fato bem enrolado.

Ao descer do Barrinho para analisar a situação sob outra óptica (literalmente), quase escorreguei estrada abaixo. Só aí que fui perceber o quão liso realmente estava o chão e o quão valente o Barrinho tinha sido até então. Sem precisar mencionar o quão tonto eu fui ao não descer e murchar os pneus.

Sem muitas alternativas, optei por descer a serrinha para pedir ajuda a alguém que, por ventura, estivesse passando pela região naquele momento. Foi quando, num relance de parca inteligência, pairou sobre mim uma voz conselheira (provavelmente a mesma que estava me orientando até então): qual a possibilidade de alguém estar passando por aqui num domingo de Páscoa chuvoso, e ainda mais com tais condições de estrada? Conclui que a probabilidade disso ocorrer beirava, no limite, a zero.

Iniciei meu retorno até o Barrinho, que estava alguns metros acima de mim agora, na esperança de ter alguma ideia mais plausível. Foi quando, ao chegar ao lado do meu atolado amigo, avistei um Fusca passando lá embaixo,  perto de onde começava a subida da serrinha, onde estava há poucos segundos atrás, meditando sobre a probabilidade de alguém passar por ali para me auxiliar. Não foi difícil, por conseguinte, concluir que eu definitivamente não estava num dia de sucesso e perspicácia em minhas decisões.

Tentei ainda colocar algumas pedras, gravetos e folhas sob os pneus traseiros do Barrinho, mas as tentativas de arrancá-lo de lá estavam sendo realmente infrutíferas.

No momento mais inteligente daquele dia, decidi passar o comando da complicada operação para outro que não eu. E, sentado no banco do motorista, com fome, e já pensando em voltar a pé para a cidade para procurar auxílio, surgiu-me aquela luz no fim do túnel: ligaria para alguém na cidade!

Nesse instante, estimado leitor, evidencia-se o quão ruim é ser vítima daquilo que convencionou-se chamar de humor negro: o celular estava sem sinal (como era de costume nas proximidades da fazenda até há pouco tempo). Em nítida tristeza e plena desesperança, restou-me apenas apoiar no volante do Barrinho e confessar-lhe: "Amigo fiel e valente... se você não nos tirar desse enrosco, aqui ficaremos, pois eu não sei mais o que posso fazer".

Para que o Barrinho fizesse a parte dele, precisaria tentar sair de lá mais uma vez.

Acreditem ou não, na tentativa seguinte, aconteceu o impossível: ele (o Fusca!) escalou aquela grande caída da estrada que nos levara anteriormente aos barrancos, arrastando-se aos poucos, com o motor urrando com as bombeadas de acelerador que eu lhe desferia. Em alguns poucos instantes, chegamos ao mesmo local da curva onde toda a aflição começou, tempos antes.

Sinceramente, não me recordo de qual foi a minha reação naquele instante. Mas, indubitavelmente, proferi muitos agradecimentos ao meu valente amigo, o qual praticamente acabara de realizar um verdadeiro milagre!

Desta vez com plena dedicação e atenção, iniciamos novamente a descida de ré e o resultado foi o esperado. Logramos êxito na empreitada, retornamos para a cidade, e ainda chegamos a tempo de desfrutar o almoço de Páscoa com toda família.

Naquele momento, durante as festividades, indagaram-me o porque da demora exagerada. Respondi-lhes apenas que havia encalhado na subida da serrinha.

- "E como você fez para desatolar o carro de lá sozinho?" - questionaram-me os parentes, aflitos.

Respondi-lhes apenas que sai de lá graças a ajuda de um grande e valente amigo! Não sei como eles entenderam exatamente essa afirmação, mas cessaram os questionamentos.

Horas mais tarde, num outro passeio pelos arredores da fazenda, foi a vez do Fiat Punto do meu primo se enrolar por lá. Montamos uma verdadeira operação de guerra para esse resgate, o qual acabou sendo mais fácil do que o esperado, já que estávamos em grande grupo e com o Barrinho no apoio.



Punto atolado num local próximo (um pouco abaixo) de onde o Barrinho se enroscou horas antes. Embora não seja possível perceber pela foto, o chão estava muito liso, sendo que a subida - e a respectiva queda lateral - são bem mais ingrimes do que a foto faz parecer.


Todavia, com plena certeza, um fato é inquestionável: estivesse eu sozinho lá, com aquele Punto, o resultado teria sido completamente diferente do daquele ocorrido anteriormente com o Barrinho.

Não teria adiantado apenas conversar.... afinal, Puntos definitivamente não tem alma e vida própria como os Fuscas.


Nos vemos na estrada!

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Casos e Causos: Os Fuscas em minha vida

Nenhum comentário
Dizem por aí que certas coisas na vida são inexplicáveis; ao menos não com os nossos limitados conhecimentos terrenos. Dizem, também, que tais condições inexplicáveis foram previamente acertadas pelas linhas do destino... e certos fatos corroboram estas assertivas!

Racionalmente falando, contudo, é complicado chegar a uma conclusão irrefutável. Até porque meus relacionamentos com os Fuscas são assim: coisas inexplicáveis acontecem, e elas sempre marcam aspectos importantes para mim.

Sinceramente, eu não sei bem como isso começou. Contudo, recordo-me plenamente de que, quando criança, era maravilhado pelo Fusca do meu pai. Era um Fusca 1.300, ano 1980, na cor azul noturno (até hoje sou fascinado por esse azul), que ele ganhou do meu avô (pai do meu pai) quando do meu nascimento. Nossa família viajou para todos os lugares com esse amigo, sem ele nunca ter nos deixado na mão. Ele sempre nos levava e nos trazia de volta, cuidando de todos nós!

Quando criança, gostávamos muito de passar as férias em Borborema - SP, especialmente porque lá  existia - e ainda existe de forma parcial - a fazenda de minha avó. Naquela época, as estradas de terra da região não eram conservadas. Assim, os retornos da fazenda, especialmente após as chuvas, garantiam bastante diversão. Pelo menos para mim...



Desde pequeno, os Fucas já me fascinavam. Especialmente este!


Normalmente, a tempestade era forte, os carros dos nossos tios, tias e afins - que não eram Fuscas - se enroscavam neste retorno à cidade e eram puxados pelos tratores. O besouro, porém, sempre voltava tranquilamente, numa facilidade impressionante. Sem dúvida alguma, isso despertou minha atenção, e, provavelmente, deu início a minha inexplicável paixão por Fuscas e por off-road!

Um dia, ainda bem criança, meu pai me levou passear no Parque do Piqueri, no bairro do Tatuapé, em São Paulo - Capital. Estava andando de bicicleta quando, por alguma distração, perdi meu pai de vista. E o fato foi recíproco: perdemos-no um do outro! Rodei um pouco pelo parque e, sem saber o que fazer - devia ter entre 4 e 6 anos de idade - decidi que iria voltar para o estacionamento, aonde encontraria um amigo para me acalmar. E lá fui eu, com minha bicicleta, para encontrar o belo Fusca da foto acima. Sentei-me em seu pára-choque e lá permaneci a espera do meu pai, o qual, por estar bastante aflito, não pensou que eu poderia ter procedido desta forma. Ao contrário, ele pediu para que os portões do parque fossem fechados, e lá permaneceu a minha procura. Foi quando meu pai, ao ligar para a minha mãe para informar o fato, foi por ela convencido a ir me procurar no carro. Conhecendo-me do jeito que somente as mães conhecem os filhos, foi fácil para ela matar a xarada: eu deveria estar no Fusca. E não poderia ter sido diferente!

Alguns anos após, meu pai precisou vender esse Fusca, uma vez que ele não mais dispunha de uma garagem extra para o velho companheiro. Tentei de todas as formas impedir esta venda, pois eu queria aquele carro desde pequeno. Mas o meu amigo foi vendido. O carro no qual aprendi a dirigir havia ido embora...

A partir de então, ainda que muito triste, passei a traçar planos para ter o meu próprio Fusca.

Passei boa parte da infância assistindo os filmes do Herbie (Se meu Fusca falasse) e toda a sorte de aventuras da série. Inclusive, existem outras histórias interessantes a isso correlacionadas... (quando tentei explicar ao meu primo Lucas que o fusquinha dele de brinquedo era o "se meu Fusca falasse", ao que ele respondia, "Não é seu, é meu". E eu insistia: "Sim, mas é o "se meu Fusca falasse". "Mas não é seu, é meu...", ele reforçava. E assim gastamos alguns bons minutos nesta discussão infinda... tudo devidamente registrado em vídeo pelo meu padrinho).

Quando do meu aniversário de 17 anos, juntei um dinheirinho proveniente do soldo da EPCAR e comprei o meu próprio besouro, um 1500 ano 1972, azul pavão, com alguns apelos estéticos mais condizentes com a preferência da juventude.

Aproveitei muito esse carrinho, o qual ficou conhecido como Fusca Mau. Ações de motorista fantasma, carro fugitivo, e recordes de número de pessoas transportadas numa só vez... dia a dia, o brinquedo comprovava que, bem utilizado, é uma máquina de fazer alegria!



Fusca Mau no dia de sua venda. A vida infelizmente por vezes exige que a gente dê um passo para trás, para conseguir pegar impulso e saltar para a frente. Deixou muitas lembranças e bastante saudade.


Alguns anos mais se passaram. Precisei vender o Fusca Mau para investimento profissional. Ainda que não fáceis, certas decisões em nossas vidas precisam ser tomadas para alcançarmos vôos mais altos. E, no caso deste, foi literalmente: auxiliou-me a pagar algumas horas de voo para a obtenção das licenças de piloto.

Mas a vontade de ter outro "carro do século" nunca passou. Quando comecei a colher os frutos provenientes daquele plantio realizado com a venda do Fusca 1972, separei uma pequena quantia de dinheiro e parti em busca de um novo companheiro.

Após muita procura, encontrei um Fusca 1.300L, ano 1976, vermelho, em bom estado de conservação. Fui ver o carro, mas a proprietária me informou que ele havia sido vendido para um casal que iria depositar o dinheiro no dia seguinte. Como gostei do carrinho, deixei meu número de telefone para a senhora e pedi para me ligar caso algo impedisse o negócio de se concretizar. Passado alguns dias, a senhora me liga e informa que o casal não havia conseguido dispor da quantia combinada e, assim, a Penélope - nome dado pela antiga dona - acabou indo parar em minhas mãos.



Penélope há alguns anos atrás: melhorias foram promovidas, com o objetivo de deixá-la o mais original possível.


Utilizei-a muito para ir a faculdade, para passear, para viajar, enfim, para trazer alegria. Na oportunidade, tinha como objetivo deixá-la 100% original, pois não faltava muita coisa para isso se concretizar.

Na mesma época, por uma necessidade de serviço, parti em busca de um besouro com um motor um pouco mais forte, o qual seria preparado para puxar uma carretinha, para carregar peso em cima de um par de racks de teto, para trabalhar pesado e para, esporadicamente, fazer alguns passeios off-road comigo.

E, novamente após muita procura, apareceu-me o Fusca 1.500, marrom, cujo ano é 1974. O Barrinho, como ficou conhecido, logo se tornou um incrível companheiro de aventuras, rodando por diversos cantos, e por diversos objetivos, acumulado mais de 50.000 km rodados apenas entre 2010 e 2011.



Barrinho poucos dias após ser adquirido, passeando pelo Aeroclube de Itu - SP, num final de semana qualquer.


Com o Barrinho a rotina de trabalho era árdua: de segunda a sexta (por vezes aos finais de semana) ele rodava comigo a serviço; nos finais de semana me levava até o Aeroclube de Itu onde eu ministrava instruções de voo de acrobacia; e, nos finais de semana de folga, ia para a terra, relaxar em divertidos passeios off-road. Foi, inquestionavelmente, o Fusca que mais aproveitei até então, e cujas histórias, oportunamente, serão relatadas numa postagem especial para ele. Afinal, este grande amigo merece: o Barrinho atuou de cupido na conquista do grande amor (e, como bom combatente, ele sabe que missão dada é missão cumprida!).



Barrinho nos levando para passear pela Trilha da Placa, em Cajamar - SP. Nem ele (o Barrinho), nem eu (o autor), nem ela (a futura esposa) poderíamos imaginar que isso tudo culminaria no que ainda está por acontecer. Será que a Penélope irá transportar os noivos? 


Alguns anos mais tarde, num certo dia, o Eduardo Tsuzuki, amigo e mecânico da família, informou-me que um cliente seu estava vendendo um Fusca bastante inteiro e muito bom de andar. Fui ver o brinquedo e, de fato, o Fusca 1.300 ano 1983 cinza claro estava num estado de conservação muito bom. Não preciso dizer que fechei negócio, não é? O Ray, como foi batizado na sequência, ostentava os bons frutos da melhoria de handling proporcionados pelos pneus radiais de perfil mais baixos, montados em rodas aro 14 da Brasília. Um dos mais gostosos que tive a oportunidade de dirigir! Mas, como vivemos num país onde pairam nuvens sombrias, o Ray não conseguiu completar nem um mês de convivência conosco, e foi furtado numa noite fria e muito triste.



Ray, no dia em que fomos buscá-lo: mal pudemos desfrutar das grandes qualidades deste fusquinha. Fica o aprendizado: não devemos economizar em alarmes, travas, segredos e acessórios anti-furtos, pois nossos queridos brinquedos são observados com cobiça pelos olhos do alheio.


Nos dias atuais, por questões de ajustes em condutas e objetivos, o Barrinho foi vendido a um colega. Assim, restou-me a Penélope. E ela, certamente, fará jus a todo o carinho especial que recebe, especialmente por ser a única Fusca atualmente em nossa propriedade.

O importante, de qualquer forma, é sempre ter um Fusca. E aproveitá-lo como um, fazendo, sempre que possível, as coisas que somente um verdadeiro Fusca faz!

Através dos breves relatos acima, não é difícil entender o porque de minha predileção pelos besouros.

Mas... será que isso tudo é mero acaso, ou será que existe alguma explicação, além de nossa capacidade de entendimento, e acima disso tudo?

Enquanto não tenho uma resposta definitiva para isso, sigo balizado por uma grande verdade: de um jeito ou de outro, e sendo qual deles fosse, essas maquininhas sempre me trouxeram alegria. E, invariavelmente, assim o farão por muito tempo!


Nos vemos na estrada!

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Mitos e Verdades: É possível viajar de Fusca?

4 comentários
Embora sejam incrivelmente carismáticos, os Fuscas são vistos, muitas vezes, com certo olhar de desconfiança quanto a sua robustez e confiabilidade por algumas pessoas, as quais invariavelmente não conhecem nada da história deste verdadeiro mito da indústria automotiva.

A maioria destas pessoas se esquece de que os VW Sedan, em décadas passadas, eram os principais carros desbravadores do Brasil, rodando de norte a sul e de leste a oeste por todos os tipos de estradas, sendo que algumas das quais proporcionavam verdadeiras aventuras off-road.



Penélope retornando para São Paulo após um final de semana passeando por Borborema - SP, distante a quase 400 km da capital. Uma vantagem inquestionável dos Fuscas é a sua capacidade de sair de estradas de terra (ou de lama) ruins e entrar em rodovias asfaltadas modernas, prosseguindo viagem com total confiabilidade.


Quando bem conservado e com sua manutenção preventiva em dia, o carrinho ostenta uma confiabilidade mecânica invejável. Mas, para isso, é necessário um minucioso trabalho de manutenção periódica. E é justamente aí que reside o grande problema: quase todo mundo acredita que o Fusca não necessita de manutenção preventiva, quando a grande verdade é justamente o oposto, já que eles necessitam de uma manutenção bem mais abrangente e em prazos de tempo bem mais curtos do que a maioria dos carros modernos, ainda que tais serviços sejam relativamente baratos.

Pode parecer um paradoxo, mas é a mais profunda verdade: quantos carros de hoje em dia você conhece que precisa engraxar a suspensão, por exemplo? Ou regular um platinado? Ou trocar óleo a cada 2.500 km? Sim... o Fusca precisa disso para manter a sua confiabilidade em níveis elevados!

Isso ocorre porque os besouros nasceram em uma época cujos paradigmas da indústria automotiva eram completamente diferentes daqueles que predominam na atualidade. No passado, os veículos eram extremamente robustos e duráveis, mas exigiam constantes paradas para manutenções preventivas (engraxamentos, trocas de óleos, filtros, etc a cada 3 mil km aproximadamente). Hoje, na contrapartida, os automóveis necessitam parar muito menos para estas revisões periódicas, já que grande parte dos veículos fazem revisões a cada 10.000 km ou mais (conforme recomendações dos seus respectivos manuais). Todavia, duvido muito que qualquer um destes carros modernos durará 30 ou 40 anos, ostentando tanta confiabilidade quanto os nossos amados Fuscas.

Nossos besouros, recebendo a devida manutenção e cuidados adequados, são extremamente confiáveis. E digo isso com a experiencia de bem mais de 100 mil quilômetros rodados em meus Fuscas, sem jamais ter necessitado voltar para a casa de guincho!

Milagre? Acredito que não, embora alguns proprietários jurem que seus brinquedos, em dados momentos de suas vidas, já realizaram verdadeiros milagres...

Pesquise na internet e verá muitos Fuscas em fotos e relatos de viagens fantásticas, confirmando tudo aquilo que escrevi nas linhas acima.

Apenas como ilustração e prova de tudo o que foi dito até então, apresentar-lhes-ei o primeiro de uma série fantástica de vídeos no Youtube, onde um grupo de "fusqueiros" viajou do sul até o norte do país, percorrendo uma boa parte da temida Rodovia Transamazônica.



Grupo de viajantes com seus Fuscas rasgaram o país, enfrentando muitas condições adversas!


Na verdade, a grande sacada é manter um rigoroso controle de manutenções periódicas, preventivas e corretivas. Aliado a isso, é fundamental conhecer e saber operar bem o motor refrigerado a ar, pois grande parte do seu controle de temperatura é controlado pelo pé do motorista e pela escolha das marchas certas para o momento / necessidade.



Passeando com a Penélope na região de Ribeirão Pires - SP. Após ficar mais de 03 meses parada, pois eu estava impossibilitado de dirigi-la, bastou apenas ligar a chave geral, dar a partida, e rodar quase 100 km, sem nenhum problema. Como prova inconteste desta assertiva, a foto acima ilustra a casinha de alguma espécime, a qual fora criada no limpador da Penélope, de tanto tempo parada na garagem, reforçando a questão da confiabilidade do carrinho.


Nos momentos oportunos, o Blog da Penélope trará dicas de como proceder a condução destes carros fantásticos, objetivando melhorar o desempenho, reduzir o consumo e controlar a temperatura dos motores boxer refrigerados a ar, forçando-os menos.

Até lá, deixe o receio de lado, realize uma boa revisão elétrica e mecânica em seu Fusca, escolha um destino diferente e pé na tábua. A vida é muito curta para, no futuro, ver que poderia ter aproveitado ainda mais seu companheiro de aventuras.


Nos vemos na estrada!

4 comentários :

Postar um comentário

Sobre o Blog "Penélope Viajante"

2 comentários
Prezado(a) visitante, seja bem vindo(a) ao fantástico universo da Penélope Viajante!

Este blog tem como principal objetivo tentar transmitir-lhes um pouco do que é a fantástica experiência de ser um feliz proprietário do carro mais importante do século, aproveitando as oportunidades para dissertar acerca de viagens, passeios, sugestões de lugares, pontos turísticos, caminhos, hospedagens, gastronomia e afins, sempre acompanhados da personagem principal destas páginas, a Penélope.

Quem é, ou o que raios é a Penélope, você está se perguntando, não?

Terá alguma relação com a famosa personagem Penélope Charmosa do desenho Corrida Maluca? Ou será alguma garota que percorre o mundo com uma mochila nas costas?

Tenha calma, estimado leitor! Tudo será oportunamente esclarecido!

A Penélope é uma Fusca 1.300L, vermelha, fabricada em 1976, a qual foi por mim adquirida em meados de 2009, comprada de uma simpática senhora que, na ocasião, trabalhava numa loja da rede Telhanorte, localizada na Marginal Tietê, em São Paulo - SP.



Penélope nos dias de hoje



Penélope em 2009, recém chegada


Na oportunidade, a antiga proprietária me informou que a Penélope - como já era assim batizada - integrava a sua família desde há muito tempo. Ficaria, portanto, feliz em entregar a sua estimada Fusca para alguém que gostava muito do atemporal modelo. E, assim, a Penélope se tornou uma grande companheira de viagens.

O que de tão especial tem um fusca velho? - indaga o leitor mais pentelho.

Desde muito pequeno, Fuscas sempre foram uma grande paixão. Como diversos outros proprietários destes bólidos, vivi - e por sorte ainda vivo - muitas histórias envolvendo meus Fuscas.

Pergunte a qualquer proprietário de algum Fusca sobre uma história ou fato interessante vivido com o carrinho e ele (o dono), invariavelmente, irá contar aventuras, casos e causos inimagináveis. Grande parte deles, ainda, irá jurar que conversa com seus Fuscas quando alguma situação inusitada ocorre. E um considerável percentual irá afirmar, sem rubor algum, que o carrinho responde... de alguma forma e a seu modo, mas que ele responde, ele responde!

Ainda que meus gostos por Fuscas tenham se alterado um pouco ao longo dos anos (dos mexidos e potentes, para os preferencialmente originais, e, mais recentemente, para utilitários e off-roads), algo jamais mudou: a predileção por este carro que, sem dúvida alguma, é um dos mais importantes da história da indústria automobilística.



Penélope em 2012


Assim, nas páginas deste blog, o amigo leitor irá encontrar histórias, casos, causos, comentários, dicas técnicas, mitos, verdades, enfim, tudo relacionado a Penélope e seus irmãos Fuscas. Abrangeremos, também, sugestões de viagens, caminhos, lugares, hospedagens, gastronomias, enfim, tudo o que um feliz proprietário de Fusca pode e deve fazer. E, sempre que possível, com boa dose de aventura e off-road.

Afinal, se o Fusca só fica parado na garagem, o dono não tem história para contar!


Nos vemos na estrada!

2 comentários :

Postar um comentário