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Casos e Causos: Os Fuscas em minha vida

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Dizem por aí que certas coisas na vida são inexplicáveis; ao menos não com os nossos limitados conhecimentos terrenos. Dizem, também, que tais condições inexplicáveis foram previamente acertadas pelas linhas do destino... e certos fatos corroboram estas assertivas!

Racionalmente falando, contudo, é complicado chegar a uma conclusão irrefutável. Até porque meus relacionamentos com os Fuscas são assim: coisas inexplicáveis acontecem, e elas sempre marcam aspectos importantes para mim.

Sinceramente, eu não sei bem como isso começou. Contudo, recordo-me plenamente de que, quando criança, era maravilhado pelo Fusca do meu pai. Era um Fusca 1.300, ano 1980, na cor azul noturno (até hoje sou fascinado por esse azul), que ele ganhou do meu avô (pai do meu pai) quando do meu nascimento. Nossa família viajou para todos os lugares com esse amigo, sem ele nunca ter nos deixado na mão. Ele sempre nos levava e nos trazia de volta, cuidando de todos nós!

Quando criança, gostávamos muito de passar as férias em Borborema - SP, especialmente porque lá  existia - e ainda existe de forma parcial - a fazenda de minha avó. Naquela época, as estradas de terra da região não eram conservadas. Assim, os retornos da fazenda, especialmente após as chuvas, garantiam bastante diversão. Pelo menos para mim...



Desde pequeno, os Fucas já me fascinavam. Especialmente este!


Normalmente, a tempestade era forte, os carros dos nossos tios, tias e afins - que não eram Fuscas - se enroscavam neste retorno à cidade e eram puxados pelos tratores. O besouro, porém, sempre voltava tranquilamente, numa facilidade impressionante. Sem dúvida alguma, isso despertou minha atenção, e, provavelmente, deu início a minha inexplicável paixão por Fuscas e por off-road!

Um dia, ainda bem criança, meu pai me levou passear no Parque do Piqueri, no bairro do Tatuapé, em São Paulo - Capital. Estava andando de bicicleta quando, por alguma distração, perdi meu pai de vista. E o fato foi recíproco: perdemos-no um do outro! Rodei um pouco pelo parque e, sem saber o que fazer - devia ter entre 4 e 6 anos de idade - decidi que iria voltar para o estacionamento, aonde encontraria um amigo para me acalmar. E lá fui eu, com minha bicicleta, para encontrar o belo Fusca da foto acima. Sentei-me em seu pára-choque e lá permaneci a espera do meu pai, o qual, por estar bastante aflito, não pensou que eu poderia ter procedido desta forma. Ao contrário, ele pediu para que os portões do parque fossem fechados, e lá permaneceu a minha procura. Foi quando meu pai, ao ligar para a minha mãe para informar o fato, foi por ela convencido a ir me procurar no carro. Conhecendo-me do jeito que somente as mães conhecem os filhos, foi fácil para ela matar a xarada: eu deveria estar no Fusca. E não poderia ter sido diferente!

Alguns anos após, meu pai precisou vender esse Fusca, uma vez que ele não mais dispunha de uma garagem extra para o velho companheiro. Tentei de todas as formas impedir esta venda, pois eu queria aquele carro desde pequeno. Mas o meu amigo foi vendido. O carro no qual aprendi a dirigir havia ido embora...

A partir de então, ainda que muito triste, passei a traçar planos para ter o meu próprio Fusca.

Passei boa parte da infância assistindo os filmes do Herbie (Se meu Fusca falasse) e toda a sorte de aventuras da série. Inclusive, existem outras histórias interessantes a isso correlacionadas... (quando tentei explicar ao meu primo Lucas que o fusquinha dele de brinquedo era o "se meu Fusca falasse", ao que ele respondia, "Não é seu, é meu". E eu insistia: "Sim, mas é o "se meu Fusca falasse". "Mas não é seu, é meu...", ele reforçava. E assim gastamos alguns bons minutos nesta discussão infinda... tudo devidamente registrado em vídeo pelo meu padrinho).

Quando do meu aniversário de 17 anos, juntei um dinheirinho proveniente do soldo da EPCAR e comprei o meu próprio besouro, um 1500 ano 1972, azul pavão, com alguns apelos estéticos mais condizentes com a preferência da juventude.

Aproveitei muito esse carrinho, o qual ficou conhecido como Fusca Mau. Ações de motorista fantasma, carro fugitivo, e recordes de número de pessoas transportadas numa só vez... dia a dia, o brinquedo comprovava que, bem utilizado, é uma máquina de fazer alegria!



Fusca Mau no dia de sua venda. A vida infelizmente por vezes exige que a gente dê um passo para trás, para conseguir pegar impulso e saltar para a frente. Deixou muitas lembranças e bastante saudade.


Alguns anos mais se passaram. Precisei vender o Fusca Mau para investimento profissional. Ainda que não fáceis, certas decisões em nossas vidas precisam ser tomadas para alcançarmos vôos mais altos. E, no caso deste, foi literalmente: auxiliou-me a pagar algumas horas de voo para a obtenção das licenças de piloto.

Mas a vontade de ter outro "carro do século" nunca passou. Quando comecei a colher os frutos provenientes daquele plantio realizado com a venda do Fusca 1972, separei uma pequena quantia de dinheiro e parti em busca de um novo companheiro.

Após muita procura, encontrei um Fusca 1.300L, ano 1976, vermelho, em bom estado de conservação. Fui ver o carro, mas a proprietária me informou que ele havia sido vendido para um casal que iria depositar o dinheiro no dia seguinte. Como gostei do carrinho, deixei meu número de telefone para a senhora e pedi para me ligar caso algo impedisse o negócio de se concretizar. Passado alguns dias, a senhora me liga e informa que o casal não havia conseguido dispor da quantia combinada e, assim, a Penélope - nome dado pela antiga dona - acabou indo parar em minhas mãos.



Penélope há alguns anos atrás: melhorias foram promovidas, com o objetivo de deixá-la o mais original possível.


Utilizei-a muito para ir a faculdade, para passear, para viajar, enfim, para trazer alegria. Na oportunidade, tinha como objetivo deixá-la 100% original, pois não faltava muita coisa para isso se concretizar.

Na mesma época, por uma necessidade de serviço, parti em busca de um besouro com um motor um pouco mais forte, o qual seria preparado para puxar uma carretinha, para carregar peso em cima de um par de racks de teto, para trabalhar pesado e para, esporadicamente, fazer alguns passeios off-road comigo.

E, novamente após muita procura, apareceu-me o Fusca 1.500, marrom, cujo ano é 1974. O Barrinho, como ficou conhecido, logo se tornou um incrível companheiro de aventuras, rodando por diversos cantos, e por diversos objetivos, acumulado mais de 50.000 km rodados apenas entre 2010 e 2011.



Barrinho poucos dias após ser adquirido, passeando pelo Aeroclube de Itu - SP, num final de semana qualquer.


Com o Barrinho a rotina de trabalho era árdua: de segunda a sexta (por vezes aos finais de semana) ele rodava comigo a serviço; nos finais de semana me levava até o Aeroclube de Itu onde eu ministrava instruções de voo de acrobacia; e, nos finais de semana de folga, ia para a terra, relaxar em divertidos passeios off-road. Foi, inquestionavelmente, o Fusca que mais aproveitei até então, e cujas histórias, oportunamente, serão relatadas numa postagem especial para ele. Afinal, este grande amigo merece: o Barrinho atuou de cupido na conquista do grande amor (e, como bom combatente, ele sabe que missão dada é missão cumprida!).



Barrinho nos levando para passear pela Trilha da Placa, em Cajamar - SP. Nem ele (o Barrinho), nem eu (o autor), nem ela (a futura esposa) poderíamos imaginar que isso tudo culminaria no que ainda está por acontecer. Será que a Penélope irá transportar os noivos? 


Alguns anos mais tarde, num certo dia, o Eduardo Tsuzuki, amigo e mecânico da família, informou-me que um cliente seu estava vendendo um Fusca bastante inteiro e muito bom de andar. Fui ver o brinquedo e, de fato, o Fusca 1.300 ano 1983 cinza claro estava num estado de conservação muito bom. Não preciso dizer que fechei negócio, não é? O Ray, como foi batizado na sequência, ostentava os bons frutos da melhoria de handling proporcionados pelos pneus radiais de perfil mais baixos, montados em rodas aro 14 da Brasília. Um dos mais gostosos que tive a oportunidade de dirigir! Mas, como vivemos num país onde pairam nuvens sombrias, o Ray não conseguiu completar nem um mês de convivência conosco, e foi furtado numa noite fria e muito triste.



Ray, no dia em que fomos buscá-lo: mal pudemos desfrutar das grandes qualidades deste fusquinha. Fica o aprendizado: não devemos economizar em alarmes, travas, segredos e acessórios anti-furtos, pois nossos queridos brinquedos são observados com cobiça pelos olhos do alheio.


Nos dias atuais, por questões de ajustes em condutas e objetivos, o Barrinho foi vendido a um colega. Assim, restou-me a Penélope. E ela, certamente, fará jus a todo o carinho especial que recebe, especialmente por ser a única Fusca atualmente em nossa propriedade.

O importante, de qualquer forma, é sempre ter um Fusca. E aproveitá-lo como um, fazendo, sempre que possível, as coisas que somente um verdadeiro Fusca faz!

Através dos breves relatos acima, não é difícil entender o porque de minha predileção pelos besouros.

Mas... será que isso tudo é mero acaso, ou será que existe alguma explicação, além de nossa capacidade de entendimento, e acima disso tudo?

Enquanto não tenho uma resposta definitiva para isso, sigo balizado por uma grande verdade: de um jeito ou de outro, e sendo qual deles fosse, essas maquininhas sempre me trouxeram alegria. E, invariavelmente, assim o farão por muito tempo!


Nos vemos na estrada!

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