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Casos e Causos: O Barrinho e a PRF

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Certa vez, nossa empresa estava prestando um serviço / fornecimento a uma multinacional em Seropédica - RJ. Estávamos com o cronograma bastante justo e, por uma infelicidade de um dos nossos fornecedores, uma remessa de um necessário material atrasou.

Quando este material finalmente ficou pronto, o fornecedor carregou o caminhão que faria o frete, e este partiu imediatamente para o Rio de Janeiro, na esperança de evitarmos mais atrasos em nosso cronograma de obras, afinal, era um cliente importante (como todos os clientes geralmente o são).

Após algumas noites de tensão, preocupado com o atraso do fornecedor, finalmente teria a aguardada oportunidade de dormir em paz, com a cabeça mais tranquila, pois agora tudo finalmente estava ocorrendo conforme o esperado. 

Mas que grande engano!

Passadas algumas horas da boa notícia, liga-me novamente o fornecedor. Pelas suas tentativas de fala atropelada e ininteligível - fosse um Fusca apostaria que estava fora de ponto - conclui que algo de (muito) ruim tinha acontecido.

Na pressa de enviar o produto, o fornecedor - que já estava com o prazo mais do que explodido - esqueceu uma peça fora do caminhão. E este, por sua vez, já estava para lá da divisa de São Paulo com o Rio de Janeiro. Pedir para o caminhão voltar seria inviável, pois já tínhamos avisado o cliente do início do translado  e prometemos que o material estaria lá antes do fim do dia. Pensei em enviar outro caminhão apenas para levar a peça esquecida, mas recordei-me da exigência feita pelo cliente que o material deveria entrar de uma só vez, utilizando a mesma nota fiscal, num único registro de entrada.

Sem enxergar outra opção praticável, que coubesse dentro da estreita relação tempo-custo-beneficio, e considerando que precisaria levar a peça de forma rápida, segura e ágil, conseguindo encontrar o caminhão na estrada, ou no máximo na entrada dá unidade do cliente, até o fim do dia, não exitei: tomei a mais improvável das decisões naquele momento (assim como você, leitor, também pensei em alugar um helicóptero. Mas, pesquise o preço da hora de voo de um destes, e entenderá o porquê de rapidamente uma alternativa ter surgido brilhantemente em minha mente, na ocasião).

Traçado mentalmente o plano, avisei o fornecedor que iria carregar a peça dentro de alguns minutos. E qual não foi a surpresa dele ao avistar o Barrinho em frente à sua empresa.

- Que horas chega o caminhão - ele me perguntou.

- Já chegou. O Fusca irá levar - eu respondi, sendo fuzilado por um olhar incrédulo e debochado daqueles que me rodeavam no momento.

O Barrinho tinha sobre si um par de racks de teto reforçados e soldados em sua carroceria, os quais, atuando em conjunto com os ganchos de amarração adaptados nos pára-choques, já levaram coisas improváveis para os locais mais inacreditáveis.

Amarrei o piso metálico em forma de grade nos racks, adentrei à Rodovia Dutra e parti em disparada para o objetivo. Tinha de chegar junto com o caminhão, até o fim do dia em Seropédica - RJ.



Barrinho com a "preciosa" carga em seu rack. Voando baixo na Dutra para cumprir sua missão!


Andando o tempo todo no limite da velocidade permitida na rodovia, aproveitava as descidas para embalar para as subidas, de forma a não deixar o valente carrinho desembalar e, assim, atrasar a viagem que estava cronometrada.

Para atrapalhar um pouco mais o já desengonçado dia, pegamos uma chuva bem forte perto de Resende - RJ. Mas tínhamos de seguir em frente, evitando ao máximo qualquer perda de tempo. Prosseguimos com cautela redobrada. Nessas horas, os pneus originais, desde que em muito bom estado, levam vantagens sobre os pneus excessivamente largos, pois, como o Fusca é bastante leve, pneus largos em demasia facilitam aquaplanagens.



Existem dias em que as coisas se unem para atrapalhar: para dificultar a já complicada missão, uma chuva forte na Dutra (no momento da foto, a chuva já estava bem fraca).


Passada a tempestade, veio a bonança. As coisas se acalmaram e tudo passou a prosseguir de maneira mais tranquila.

Mas, novamente, por pouco tempo.

Bem adiante,vi um posto de fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Ainda que estivesse dentro dos limites legais de velocidade, o policial deve ter pensado o que qualquer pessoa sensata pensaria naquela situação: o que faz um Fusca, nessa velocidade, com um troço não identificável em cima dele?

Para complicar mais um pouco meu apertado tempo, ele me mandou encostar para uma abordagem cotidiana, a princípio.

A fiscalização ocorreu como de praxe: documentos do veículo checados; habilitação checada. Tudo dentro dos conformes. Ainda incrédulo, o agente efetuou um três - meia - zero ao redor do Barrinho. Exceto pela aparência propositadamente não cuidada, o carro estava impecável, cumprindo rigorosamente todas as exigências legais.

- Há algo errado no carro? Alguma coisa pendente... o extintor por exemplo? - Perguntou o policial.

- Negativo - Respondi naturalmente (o negativo saiu de forma um pouco automática, até pela pressa e pelo costume, mas, provavelmente ele entendeu este negativo como uma forma de, digamos, brincadeira de mau gosto).

Na sequência, par resumir os fatos, ele quis saber de onde eu vinha, o que fazia, e para onde ia. Respondi às pressas, o que deve ter encucado ainda mais o já nitidamente encucado policial (e, sejamos honestos, fato este perfeitamente compreensível).

Expliquei tudo novamente, desta vez com mais calma. Mas, ao afirmar que precisava estar em Seropédica - RJ até a tarde, algo o incomodou. Será que ele considerou o feito impossível para um velho Fusca?

E, assim, "gentilmente " fui "convidado" a fazer o teste do bafômetro em plena Dutra. 

Considerando-se que eu basicamente só bebo Coca-Cola, o teste deu negativo (alguém do marketing da Coca poderia, gentilmente, retribuir a publicidade aqui espontaneamente prestada?).

Meio sem entender o que de fato acontecia, o policial me desejou boa viagem.

Com todo o respeito que honrosamente merecem os bons policiais do país, mas ver a imagem da "cara de sem entender nada" do correto policial rodoviário, oportunamente checada pelos retrovisores, foi algo impagável. Talvez ele tenha duvidado da minha versão da história. Ou talvez ele tenha pensado que eu não iria cumprir meu objetivo...



Barrinho após a fiscalização da PRF, que provavelmente considerou improvável que alguém sóbrio estivesse fazendo o que eu fazia, e contanto a história que eu contava.


Bem, o leitor deve estar imaginando que o final desta história não foi feliz, com tantos contratempos, não?

Mas o Barrinho sempre soube que missão dada é missão cumprida!

Na hora prevista, estávamos lá. Entrei com o Barrinho junto do caminhão.

O pessoal da portaria de carga nitidamente não entendeu o que um Fusca fazia no meio daqueles caminhões, carregando uma pequena carga para ser entregue.

Pernoitamos e voltamos no dia seguinte.

A viagem de volta foi bem mais tranquila. Especialmente pela certeza do dever cumprido.



A placa na Dutra nos dá as boas vindas: nada como voltar para a casa após tamanha correria!



Bem mais tranquila, a volta proporcionou até momentos de descontração: nessa imagem, flagramos uma S-10 bastante levantada, quase um Bigfoot.


Nos vemos na estrada!

4 comentários :

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    1. Obrigado Aroldo. Continue nos acompanhando pois virão muitas mais!

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  2. Muito bom... História bacana, principalmente pelo final feliz ��

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    1. Que bom que gostou. Em breve o Juninho será protagonista de várias histórias bacanas...

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