PENÉLOPE VIAJANTE

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Dicas Técnicas: Reformando a Penélope

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Penélope em junho de 2015, em fase de ajustes finais para o término da reforma.


Reformar um carro antigo é um dos maiores desejos das pessoas que gostam do antigomobilismo.

Para nós, aficionados pelo popular Fusca, esse sonho é bem mais plausível, haja vista que, quando comparado a outros modelos de carros, a restauração do besouro é bem menos difícil e onerosa. Peças existem em abundância, assim como lojas especializadas, oficinas mecânicas que conhecem a fundo o carrinho, além de outras variáveis que tornam a reforma completa do Sedan bastante materializável.

Mas isso não significa que tal aventura seja fácil e barata...

Desde 2009, quando adquiri a Penélope, já tinha em mente reformá-la por completo. No princípio, todavia, minha intenção era promover nela uma restauração completa, tornando-a 100% original e, assim, conseguir a tão sonhada Placa Preta.

Antes de ser minha, a Penélope teve como dona, por alguns bons anos, uma simpática senhora. Infelizmente, porém, esta senhora um dia resolveu reformá-la, na esperança de trazer de volta aquela beleza original da pintura de sua estimada Fusca, já bastante desgastada pelo tempo. Por infortúnio, caiu na mão de um funileiro safado que se aproveitou da ingenuidade e desconhecimento da antiga proprietária. Resultado: a Penélope perdeu diversos itens de sua originalidade, e, para piorar, o serviço foi realizado de maneira incrivelmente porca e incompetente.

Acredito que, graças a esse triste ocorrido, a Penélope foi colocada a venda - ainda que, na ocasião, esta não tenha sido a história que me foi vendida como oficial.

E foi desta maneira que ela chegou até mim: Com um estado de conservação geral razoável; com um estado de funilaria ruim; mas com a nítida impressão de que era um Fusca pouco utilizado; culminando, então, tudo isso, em boa integridade geral.



Penélope recém adquirida em 2009. Note que, no capo, já começavam a estourar os primeiros sinais de ferrugem; as calotas foram pintadas junto das rodas; o estribo tem uma gambiarra para fixar o friso. Retrovisor esquerdo e direito diferentes. Sem os frisos do vidro. Detalhes que, na época, passaram despercebidos, diante da ansiedade de voltar a ter um Fusca.



Ponteiras do escapamento não originais. Lentes das lanternas em ruim estado. Muitos barulhos de coisas soltas. Mas, em princípio, um carro relativamente bem alinhado estruturalmente.



No interior se evidencia os pés de colunas parcialmente danificados. Os bancos se apresentavam ruins. Apesar dos diversos acessórios originais, era evidente que o carro precisava de um bom dono, muito carinho e dedicação.



O motor da Penélope, ainda que já um pouco cansado desde aquela época, presenteou-me com uma grata surpresa: este Fusca jamais me deixou na mão!


Passados os primeiros sustos e decepções (você só passa a conhecer de fato um carro e todos os seus problemas e qualidades após passar algum tempo com ele), comecei a corrigir as pendências descobertas.

A primeira revisão mecânica foi extremamente abrangente. O Eduardo da Auto Mecânica Tsuzuki semi-desmontou a Penélope e trocou tudo o que precisava ser trocado. Com a ajuda do Leonardo, os barulhos foram aos poucos sumindo. O carro saiu de lá outro: melhor de andar, mais silencioso e muito mais gostoso de dirigir.

Desde quando chegou às minhas mãos, a Penélope recebeu os caprichos e cuidados de um dedicado dono. Contudo, como na época eu tinha o Barrinho - o mais polivalente Fusca que tive até hoje - a vida dela era bem tranquila: ficava parada na garagem, saindo apenas para sossegados passeios, pequenas viagens e para receber os merecidos cuidados.

Na sequência, aos poucos, fui adequando-a aos critérios de originalidade de seu ano e modelo (1.300L - 1976), preferindo sempre cuidar da parte mecânica em primeiro lugar. Mas, em cada oportunidade ou necessidade de reparo, ou nas eventuais colocações de acessórios, a execução sempre estava focada em torná-la a mais original possível.

Paulatinamente, o Fusquinha ganhava um aspecto geral mais bem cuidado, mais bonito e mais original.



Em 2010, a Penélope recebeu novos para-choques, novos pneus e maiores cuidados de conservação. Em pouco tempo, e com pouco investimento, tornou-se um Fusca bastante bonito.



Tapetes novos e papelões de isolamento sob o banco traseiro: o cuidado em melhorar pequenos detalhes, ainda que com gastos limitados, sem dúvida alguma tornam o besouro bem mais agradável de olhar e de andar.



Capas novas dos pedais, cuidados nos acabamentos plásticos e nas manivelas: por menos que seja, cada pequena melhoria auxilia bastante na elevação da qualidade do carrinho.


Tudo acontecia bem devagar: os incrementos se davam de forma paulatina. O mais importante era estar sempre norteado pela confiabilidade mecânica e, quando possível, até então, pela originalidade.



Em 2011, a Penélope recebeu o retrovisor em formato de raquetinha no lado esquerdo, quando retirei o retrovisor do lado direito, conforme o original do modelo de seu ano.


Algum tempo depois, ocorreu-me um fato um tanto quanto chato, mas que trouxe valiosas lições e ensinamentos, convencendo-me a mudar algumas premissas: Meu pai e eu fomos a Iacanga - SP visitar uma tia minha (irmã do meu pai), a qual possui um Fusca incrivelmente pouco rodado. Como o carrinho estava parado na garagem - já que ela quase não mais sai com ele - ofereci para levá-lo trocar óleo e calibrar os pneus, aproveitando a oportunidade para rodar um pouco com aquele raro besouro. Afinal, carro parado na garagem estraga e eu queria muito dirigir aquele raro exemplar, extremamente inteiro! Foi quando meu pai e eu decidimos pegar um trechinho de estrada para o motor trabalhar em rotações mais elevadas. Que delícia é um Fusca destes. É incrível como o boxer é silencioso quando pouco rodado e ainda original! Todavia, por azar e acaso do destino, um caminhão que trafegava em sentido contrário na pista simples jogou uma pequena pedra no para-brisa do Fusquinha e estilhaçou seu vidro temperado. O resultado foi alguns cortes em nossos rostos, que por sorte não foi mais grave (poderia ter nos cegado). Lição aprendida: mesmo não sendo original, é importante colocar vidros laminados no para-brisa do Fusca. E, se for degradê, melhor ainda (muito mais bonito e, de brinde, protege do sol).

Voltei a São Paulo decidido a mudar o vidro dos meus Fuscas. Então, já que iria presentear a Penélope com este item de segurança, aproveitei a oportunidade para colocar os frisos nos vidros.



Em fevereiro de 2012, aproveitando a troca do para-brisa, coloquei borrachas novas com frisos na Penélope. É incrível como este detalhe agrega beleza no Fusquinha!



Ainda que não seja original, o vidro laminado degradê é um item de segurança e, invariavelmente, embeleza bastante os nossos carrinhos.


De 2012 até 2014 a Penélope recebeu poucas melhoras significativas. Comecei a utilizá-la diariamente para ir a alguns locais específicos, eventualmente até a trabalho, sendo que o seu uso para lazer praticamente se extinguiu.

Para piorar, no fim de 2013 eu tive de deixá-la um tempo significativo parada ao relento, o que culminou em tristes consequências: pintura estragada, ferrugens espalhadas e cromo do para-choque danificado.

Por conseguinte, um certo desânimo aconteceu, e, aos poucos, fui abandonando o empenho em torná-la cada vez mais bonita...

Em 2014 tentei retomar o processo de melhorias que havia sido interrompido instalando um banco mais confortável e bonito, revestido em courvim, buscando, desta forma, algo mais adequado a realidade do uso do carro naquele instante. Mas, infelizmente, o resultado ficou bastante aquém do esperado, pois o problema que existia não era só o do banco em si: abrangia um desalinhamento nos trilhos, o que não foi verificado pelo tapeceiro, gerando um resultado final ruim, uma vez que o objetivo de maximizar o conforto não foi atendido. Após um bom tempo sem promover investimentos no Fusquinha, gastar dinheiro e ter um resultado ruim é bastante desmotivador, e o projeto foi novamente abandonado...

Continuei usando a Penélope assim mesmo, sem novas melhorias. Mas, aos poucos, problemas maiores apareciam: muita água começou a entrar no carro pelo assoalho nos dias de chuva forte; barulhos diversos nas portas, suspensão e afins; motor barulhento; portas ruins... e outros pequenos problemas que, num dado instante, pelo seu somatório, estavam me deixando incomodado.

No começo deste ano de 2015, então, por uma decisão estratégica, a Penélope se tornou meu único carro, e, desta forma, seria utilizada para fazer um pouco de tudo: uso normal, para viagens, expedições e passeios off-road, reboque de carretinhas, etc. Assim, a ideia inicial de tê-la em plena originalidade foi abandonada, sendo substituída pela intenção de transformá-la num carro utilizável em sua totalidade, ou seja, algo próximo do que era o polivalente Barrinho.

Por conseguinte, optei por realizar uma reforma na funilaria no carro, objetivando corrigir os problemas de entrada de água, pequenos podres, etc, e, de quebra, promovendo-lhe um ganho estético considerável.



A reforma foi norteada pela intenção de corrigir problemas mais graves, além de melhorar o aspecto estético geral do carro. A ideia de promover uma restauração plena foi abandonada, sendo substituída por uma estratégia voltada a maximizar o custo - benefício de um carro que seria usado para todos os tipos de usos e condições, algumas bem adversas.



De maneira bem artesanal, alguns dos principais problemas foram solucionados. De quebra, a Penélope voltou a ficar bonita!



Os cuidados no assoalho tiveram como foco a retenção das ferrugens e o impedimento da entrada e água nos dias de chuva.


Nesta primeira etapa da reforma, após muitas reflexões e orçamentos absurdos, conclui que aproveitaríamos todas as peças da lataria da Penélope, não substituindo parte alguma, mesmo as mais danificadas. Portanto, foram recuperados os assoalhos, o capo do motor, a porta do passageiro, dentre outras partes de menor importância. Para tal feito, corrigimos os problemas com solda e, eventualmente, alguns reparos em fibra.

Na sequência, a Penélope recebeu um tratamento interno em KPO no assoalho e nova pintura geral.

Aqui faço uma pausa para transmitir minha ruim experiência aos colegas: Baseado no Barrinho, tentei fazer a Penélope ter um visual mais descolado, mais agressivo e menos original. Contudo, como não foquei 100% nesta intenção, o resultado final foi bastante ruim, pois o carro tinha itens que o deixavam com cara de off-road, e outros que o remetiam a um aspecto original e alegre, típico dos Fuscas. Então, não é difícil imaginar que, finda a montagem do carro, a "salada" visual se destacou, e a Penélope ficou extremamente feia, a princípio.



Voltando para a casa após concluída a primeira etapa da reforma. Ainda que a cor das rodas seja incrivelmente bonita de forma isolada, ela ficou péssima com o vermelho da Penélope. Os para-choques em preto também. Este foi o resultado ruim de economizar em alguns itens e tentar deixar o carro com uma mistura de partes originais e partes agressivas de um Fusca off-road.


Passado esse primeiro momento de tristeza com o duro choque da realidade (descobri que eu não sei combinar cores...), decidi - até para não errar mais - basear o visual externo no aspecto original dos Fuscas, sendo que apenas o interior receberia alguns incrementos mais agressivos, modernos e confortáveis.

De qualquer modo, ainda que grande parte da culpa do resultado não desejável seja minha, outros aspectos do serviço de funilaria se destacaram negativamente, e até mesmo o lacre da placa foi rompido... Resultado: gastei mais uma considerável quantia em dinheiro corrigindo alguns problemas que poderiam ter sido plenamente solucionados na reforma. Entretanto, se analisarmos o fato apenas sob a óptica do custo-benefício, e considerando que serviços de funilaria estão muito caros aqui em São Paulo, o resultado final culmina num grau satisfatório.

Todavia, para corrigir algumas pendências do serviço de funilaria, precisei levar a Penélope na Califórnia Auto-Vidros. Lá promovemos uma regulagem geral nas maçanetas, capo, portas, janelas, vidros, etc, tentando recuperar um pouco do pleno funcionamento de todas as partes do carro.



Ainda que a qualidade do serviço da Califórnia Vidros seja louvável, o valor final desta etapa ficou elevado e, infelizmente, houve a ocorrência de danos em algumas poucas partes da funilaria (perto das caneletas do vidro do lado do passageiro). Não fosse por isso (danos e preço um pouco elevado), o resultado final deste serviço seria plenamente excelente (ainda assim, o resultado foi bem positivo).


Após os desânimos que surgiram, e tendo de arrumar toda a parte interna do carro, decidi levar a Penélope num tapeceiro renomado, objetivando evitar ao máximo novas dores de cabeça e decepções.

Com algumas partes adquiridas na Bunnitu (melhor custo benefício encontrado entre as lojas do ramo), fizemos um interior caprichado, forrando o teto e o chão com o padrão original de fábrica, as laterais com um padrão original dos Fusca 1.500 até 1974, além da instalação dos anti-ruidos, plásticos de proteção, etc, que estavam ausentes até então.

Os bancos originais dianteiros deram lugar a um par de bancos dianteiros de Alfa Romeu (com regulagem de altura), promovendo um ganho significativo de conforto e segurança (por conta da remoção dos trilhos do Fusca, os quais são relativamente inseguros), sendo recapados com um courvim similar aos originais, mantendo o aspecto de interior de Fusca, mas com mais requinte e muito mais conforto.



Seguindo o padrão do tecido original, o tapeceiro Beto fez um serviço de boa qualidade geral.



A forração interna que fica no entorno do vigia traseiro foi feita da forma original, com a moldura contornando o vidro. Até então, a Penélope estava sem esse bonito acabamento - e, para ser sincero, eu nem sabia que era assim - mas o erro foi prontamente corrigido pelo paciente e caprichoso tapeceiro.



As mantas asfálticas acústicas instaladas no assoalho do carro melhoram bastante o isolamento termo-acústico geral, contribuindo para deixar o carro menos barulhento.



Anti-ruídos instalados, passadeiras em carrapatinho preto ajustadas. Aos poucos, o interior foi ganhando o formato esperado.



Apesar do problema causado pelo safado funileiro na primeira reforma da Penélope, quando ela ainda pertencia a antiga dona, muitos dos itens internos do carro ainda eram originais e mantinham boa integridade.


O volante original, por sua vez, saiu de cena, sendo substituído por um volante de menor diâmetro (para maximizar o espaço interno do motorista) e melhor empunhadura (permitindo maior conforto em longas viagens).

E, por fim, o painel, que recebeu um acabamento em courvim sobre a capa plástica que revestia o painel os Fuscas 1.300L.

O resultado final do interior da Penélope ficou dentro das expectativas, ainda que, pelo preço cobrado, eu sinceramente esperasse um pouco mais nos aspectos relacionados a ajustes finos de acabamento e alinhamento geral dos bancos e respectivos trilhos. De qualquer forma, o interior do Fusca se tornou um destaque a parte.



Bancos e volante confortáveis; melhoria da ergonomia; maximização do espaço interno. O interior do carro obteve ganhos significativos.


Após sair da tapeçaria, novamente o carrinho retornou ao Eduardo e ao Leonardo da Auto Mecânica Tsuzuki, quando foram corrigidos os pequenos problemas de posicionamento e desalinhamento dos bancos da frente, dos para-choques (substituindo os antigos que foram pintados de preto pelos cromados da Belflex), além de uma rápida regulagem de ponto do carro (seguindo a sugestão do Tonella, deixamos o carro com 15 graus de avanço inicial) e ajustes e apertos em latas no cofre do motor para sumir os barulhos de ferro solto, liberando o besouro para a revisão elétrica, de modo a finalizar a primeira parte da reforma.



Eduardo Tsuzuki da Auto Mecânica Tsuzuki promovendo os ajustes finais no banco do motorista da Penélope. Se a maioria dos profissionais tivesse a mesma capacidade técnica, sensatez, caráter e vontade de resolver o problema e, assim, satisfazer o cliente, certamente ter um carro antigo seria algo muitíssimo mais fácil! Parabéns, Eduardo Tsuzuki, pela qualidade profissional e pessoal.



É incrível como os para-choques cromados conseguem mudar por completo a aparência dos Fuscas, melhorando sobremaneira a beleza do carrinho.


O responsável pela parte elétrica seria, como sempre, o Claudio da Auto Elétrica Claudio's Car. Ele ficaria encarregado de revisar a parte elétrica, instalando a nova antena, o suporte plástico da bateria no assoalho, além de já deixar pronta a fiação e os botões dos faróis de milha, de luz de ré e neblina traseiro, além de ligar um sistema de lavagem de para-brisa elétrico e iniciar a instalação de um lavador de faróis.

Assim, finalmente, após um bom dinheiro investido, muito tempo de espera, angústias e dores de cabeça, a Penélope voltou a rodar com a qualidade de sempre.



Penélope praticamente finalizada. Muito trabalho e dedicação. Mas o resultado é belo, sem dúvida!


Mas... será que acabou?

Acredito que não.

Reformas de Fuscas praticamente nunca tem fim, pois o carrinho permite melhorias constantes, sejam em sua parte mecânica, seja na sua colocação de acessórios.

O que posso afirmar, sem medo de errar, é que o grosso das melhorias previstas para esse ano já se concluíram.

Agora, é esperar as próximas etapas, para continuar promovendo melhorias constantes em todas as possibilidades.

Costumo atuar da seguinte forma: cada vez que a Penélope precisa de alguma manutenção, faço a coisa da melhor maneira possível, tentando melhorar algo no carro e evitando-se que o feito precise ser refeito em pouco tempo.



Em breve virão novas melhorias. Novos equipamentos. Novas dores de cabeça, novas alegrias, novas frustrações, novas conquistas. A reforma de um carro é cheia de altos e baixos. Exige tempo, dinheiro, dedicação, pesquisas... mas que é gratificante ver o besouro ficar cada vez mais bonito e equipado, isso é indubitável.


Sempre foi assim e será assim quando a suspensão dianteira precisar de revisão completa (não deve demorar, afinal, nunca foi trocada na minha mão e é impossível de saber quando o foi na mão da antiga dona). Será assim com o motor quando precisar ser aberto. E será assim sucessivamente.

Afinal de contas, quando bem cuidados, os Fuscas duram até acabar, como já dizia a publicidade antiga da VW.

Nos vemos na estrada.

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Blog Penélope Viajante no Jornal Notícias de Lençóis

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Caros leitores;

É com muita honra que lhes apresentamos a imagem abaixo:




No dia 12 de junho de 2015, sexta-feira última, o Blog Penélope Viajante foi presenteado com a distinta honra de ter um de nossos textos publicados neste importante meio de comunicação da cidade de Lençóis Paulista (interior de São Paulo) e região.

Obrigado a todos os leitores, amigos, colaboradores que, de uma forma ou outra, permitem-nos caminhar nesta direção de sucesso.

Um agradecimento especial, como não podia deixar de ser, será destinado a minha noiva Marília Bolzan Cremonese pelo apoio incondicional de sempre, culminando neste fato que muito nos orgulha e trás felicidade.

E, obviamente, um agradecimento ao Jornal Notícias de Lençóis (http://www.noticiasdelencois.com.br), a todo o seu editorial e, especialmente, ao amigo Elder Ibanhez, pelo inesquecível presente.

Como disse Confúcio: "Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha".

E assim caminhamos em busca de nossos objetivos!

Nos vemos na estrada!

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Mitos e Verdades: Fuscas realmente passam alagamentos?

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Em algumas cidades do Brasil, não precisa ser gênio, estatístico ou exotérico para acertar algumas previsões pontuais. Eu mesmo, num exercício de elucubração futura, posso prever um fato certo: no verão, com as chuvas, ocorrerão enchentes em muitas das cidades deste país tupiniquim.

E, nestas épocas chuvosas, é muito comum presenciarmos - ao vivo "in loco" ou através dos telejornais sensacionalistas - pessoas se aventurando com seus carros em trechos alagados. Muitas vezes, infelizmente, a incursão fracassa e o inapto aventureiro vê seu precioso bem literalmente naufragar.



Por ter o motor atrás, bem mais protegido, os Fuscas costumam passar com relativa tranquilidade onde outros carros param. Na curiosa foto, Fuscas trafegam tranquilamente enquanto um (extremamente) valente Jeep Willys CJ-5 parou. Por lógica, devemos pressupor que o motorista do jipe passou rápido demais nas poças e que seu distribuidor não estava preparado para a incursão veloz. Mas não deixa de ser muito interessante o registro.


Se houvesse uma dica inteligente para o período, ela com certeza seria: não entre em alagamentos.

Dificilmente um carro sai completamente incólume de uma aventura destas.

Mas existem pessoas - como o autor deste - que gostam de enfiar seus carros em lugares estranhos apenas para descobrir os limites da máquina...



Barrinho atravessando um trecho alagado da estrada municipal de terra que liga Ibitinga a Borborema (SP). O Fusca é um excelente carro para tais ruins condições, por isso é muito utilizado por pessoas que residem ao longo desta estrada.


De qualquer modo, se algum dia eu for pego de surpresa por um alagamento e precisar transpô-lo para me levar a uma condição mais segura, e não sendo possível estar num 4x4 equipado ou num tanque de guerra anfíbio, certamente que eu preferiria estar num Fusca ao invés de em outro carro moderno super-equipado.

- Para ter um prejuízo menor - afirma o leitor inteligente.

Também por isso. Até mesmo porque um Fusca vitimado por uma enchente geralmente não precisa de nada muito além de uma excelente lavagem e alguns cuidados em sua mecânica (falo isso por experiência própria...), diferentemente dos modernos carros de plástico, os quais, provavelmente, terão severas e muito caras avarias.

Mas o objetivo não é ter o carro submergido. Preferiria estar num Fusca numa ruim situação de enchente por um simples fato: dentre os carros de passeio, é de longe o que possui a maior capacidade de transpor trechos alagados.

A água em seu estado líquido segue, a grosso modo, teoria física similar a do ar: a teoria dos fluidos.

Quando adentramos a um trecho alagado com um carro, ocorre um acúmulo de água na frente do veículo, aumentando o seu nível. Nos carros com motor na frente, tal elevação de profundidade pode gerar uma provável admissão de água pelo sistema de indução de ar do motor, ocasionando o chamado calço hidráulico, e acarretando enormes prejuízos (financeiros pela quebra), além da interrupção da travessia (prejuízos emocionais e morais, afinal, quem não fica com cara de tacho quando isso ocorre?).

Ao mesmo tempo que a água se acumula e se eleva na frente, na traseira ocorre exatamente o inverso: por uma "turbulência" na parte de trás, gera-se uma diminuição da quantidade de água e seu respectivo nível e pressão, protegendo a região.

Nos Fuscas e seus familiares, esse fenômeno físico é extremamente positivo, pois é justamente na traseira que está localizado o motor do carro. Assim, enquanto houver um pouco de deslocamento para a frente, e desde que o nível de profundidade do alagamento não seja exageradamente fundo, o movimento do carro irá proteger o motor da invasão da água, permitindo a transposição do trecho alagado.




Esta foto permite-nos ilustrar exatamente o fenômeno físico que facilita a vida dos Fuscas em travessias de trechos alagados: enquanto a água que se acumula na frente eleva bastante a profundidade, atrás o motor está protegido por uma pressão e nível bastante reduzidos.



 O vídeo acima demonstra e explica, de forma bem simples e resumida, a capacidade dos Fuscas para transpor trechos alagados, onde quaisquer outros carros de passeio parariam e teriam onerosos danos.


Sabendo de antemão que provavelmente muita água vai entrar dentro do seu precioso brinquedo, e que em toda a travessia de enchente há sempre os riscos conhecidos (supracitados) e desconhecidos (buracos no chão, lixos submersos, etc), caberá ao motorista decidir se vale a pena ou não se arriscar.



Pela imagem, podemos perceber que as enchentes em nosso país não são exclusivas dos tempos modernos. E que, também, desde há muito os Fuscas enfrentam com sucesso os trechos alagados.


Em situações off-road, geralmente checamos o nível de profundidade antes de decidir ou não pela travessia. Nos alagamentos das cidades, todavia, isso geralmente não é possível.

Portanto, se for plausível evitar adentrar ao alagamento, não arrisque!

Até mesmo porque existem condições e enchentes que os Fuscas jamais conseguiriam superar.

Mas, se a transposição se fizer necessária, normalmente para atingir um local de maior segurança e mais protegido, engate uma primeira marcha, avance lentamente, sem o pé pisar na embreagem e com o giro do motor (RPM) em baixa para média rotação. Certamente o Fusca irá passar por locais que outros carros de passeio parariam ou sequer se atreveriam tentar!



Fusca atravessando área alagada no Pantanal. Reparem que a traseira fica protegida, garantindo o sucesso da empreitada.


Nos vemos na estrada (ou na enchente...)!

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