PENÉLOPE VIAJANTE

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Dicas Técnicas: Empregando o Fusca como um utilitário faz-tudo

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Barrinho carregado com vigas de aço, após subir uma rampa considerável. Tarefa impossível para outros carros de passeio, mas que para ele era rotina normal.


Sabe aquela história do "lobo em pele de cordeiro"?

O conceito pode ser inteiramente aplicado ao Fusca.

Mas como fazer com que seu Fusca atue como um bravo utilitário? Nas linhas a seguir, após breve introdução puramente emocional, dissertaremos acerca do aparato técnico e operacional para que o objetivo seja cumprido.




Barrinho recém adquirido, estacionado no Aeroclube de Itu (destino de todos os finais de semana) já com os racks de teto da Week-End, cuja qualidade e capacidade de carga surpreendeu-nos ao longo dos anos.


Possuidor de um motor de satisfatório torque em baixa rotação, embreagem e câmbio resistentes, suspensão incrivelmente robusta, chassi tubular, lata de chapa grossa, pneu convencional (diagonal), absurda simplicidade mecânica e outras infindas características técnicas primorosas, o besouro resiste de forma incontestável ao ser empregado em condições de trabalho pesado, situações estas as quais praticamente nenhum outro carro de passeio suportaria.



Diuturnamente, o Barrinho demonstrava toda a sua capacidade. Não demorou muito para que meu pai, diante da infinidade de empregos que eu fazia com o Barrinho, exclamasse: este carro já se pagou algumas milhares de vezes!


Em 2010, objetivando ter uma verdadeira viatura "faz tudo", sugeri que adquiríssemos um Fusca. Sob protestos incrédulos, minha insistência venceu: compramos e preparamos aquele que talvez tenha sido o mais feliz dentre todos os VW Sedan - o valente Barrinho, um polivalente Fusca utilitário, capaz de cumprir as mais absurdas missões. Enfim, um verdadeiro companheiro de aventuras que mostrou empiricamente que o limite operacional deste carrinho está muito além do que o senso comum jamais poderia acreditar.

Na época, tínhamos alguns problemas de acesso em nossa empresa, uma vez que as ruas de acesso estavam sendo pavimentadas e adequadas. Muitas vezes danificamos os Vectras que davam apoio ao escritório ao trafegarmos com eles naquelas condições. Unindo-se o que para mim era útil e agradável, e na tentativa de minimizar os elevados gastos com fretes de máquinas e equipamentos, tracei um modus operandi que englobava o Barrinho em praticamente todas as atividades do dia a dia: da rodagem simples ao trabalho pesado; das viagens pessoais às trilhas de lazer.



Embora a capacidade declarada do rack fosse de até 100 kg, não raras as vezes transportamos até 300 kg. A lataria de chapa grossa, aliada a alguns reforços nas calhas do teto, permitiam que a estrutura suportasse tais abusos, jamais previstos no projeto do besouro.


A primeira e imediata providência que tomei após adquiri-lo foi instalar um par de racks de teto da Week-End (os quais provavelmente são os melhores dentre os disponíveis no mercado).

Na sequência, instalamos argolas de amarração nos suportes da lâmina do para choque, permitindo que peças compridas pudessem ser transportadas com relativa facilidade e segurança, já que, com estes novos pontos de amarração, o efeito pendular das cargas longas podia ser bastante minimizado.



No clima da Copa do Mundo de 2010: alocamos algumas bandeiras do Brasil, as quais foram espalhadas pelo carro. Enquanto muitas pessoas torciam o nariz para o que fazíamos com este Fusca, outras tantas - a maioria - se admiravam com a capacidade do carrinho, sendo que normalmente ele virava a atenção nas empresas visitadas.



Não bastasse carregar considerável peso, esta viatura os transportava morro acima quando os caminhões tinham dificuldades em subir as vigas de aço devido ás chuvas e condições precárias da rampa.


Na sequência, instalamos um fantástico engate da Engforth (cujo modelo adquirido infelizmente não é mais fabricado, o que é lamentável, já que era, de longe, o melhor do mercado) e luzes auxiliares dianteiras e traseiras, as quais permitiam o emprego do carro a qualquer hora do dia ou da noite pois eram manualmente direcionáveis (auxiliando as operações de carga e descarga noturna).

Também colocamos calhas de chuva para facilitar a dirigibilidade (dificultando que o vidro embasasse quando a água estava caindo do céu), third brak light, retrovisores de Kombi de ambos os lados (para maximizar o campo de visão, auxiliando sobremaneira as manobras em ré com a carretinha engatada), lavadores elétricos dos vidros, e, por fim, lixas anti-derrapantes que permitiam que o carro fosse escalado com segurança (para facilitar a alocação das cargas).



Luz adicional de freio, luz adicional de ré e farolete direcional, engate incrivelmente robusto. Acessórios que facilitavam bastante o trabalho e as incursões off-road.



Os grandes retrovisores da Kombi majoravam consideravelmente o campo de visão, facilitando a condução e, especialmente, as manobras com a carretinha engatada. Os faróis auxiliares com grade off road, além de melhorarem bastante a visibilidade no período noturno, deixavam o carro com aparência mais valente.


E, para completar a operacionalidade do conjunto, adquirimos, também, uma extremamente útil carretinha do tipo fazendinha (marca Reclal), com capacidade de carga de até 500 kg (a qual de fato não pode ser extrapolada, haja vista que alguns excessos no decorrer dos anos produziram danos no eixo dela).

Com esta configuração utilitária, entre 2010 e 2011 rodei aproximados 60 mil km com o Barrinho, indo para todos os cantos possíveis, não raro levando conosco uma quantidade nada desprezível de carga.

Para ser viável tal feito, contudo, é imprescindível conhecer a fundo algumas características técnicas do Fusca, de forma a poupar seu conjunto mecânico e, principalmente, a respeitar suas limitações.

Primeiramente, é preciso cumprir algo prioritário: para empregar o carro no limite de sua capacidade (não raro extrapolando-a), a mecânica tem de estar no mais perfeito estado, com absolutamente todas as manutenções preventivas e corretivas realizadas, notadamente no sistema de freio, suspensão, direção, pneus, conjunto moto-propulsor, enfim... tudo tem de estar em perfeito estado, evitando-se quebras constantes e, mais do que isso, acidentes que tenham como fator contribuinte falhas mecânicas e/ou estruturais.

Naquela época, era comum eu realizar revisões no Barrinho a cada 2.500 km, no máximo a cada 3.000 km, quando, além da troca de óleo, o mecânico e amigo Eduardo Tsuzuki promovia uma revisão completa em todas as partes do carro. Normalmente, nada de errado era encontrado. Todavia, tal regra - de promover uma revisão a cada troca de óleo - permitia que tudo no carro estivesse sempre sendo fiscalizado, propiciando-se condições de que os problemas fossem corrigidos em seu início, evitando-se que uma cadeia de consequências e eventos catastróficos fosse iniciada.



Voltando de Botucatu - SP, local em que ficava instalada a fábrica de reboques Reclal. Para testar a capacidade de carga da carretinha, ainda no posto da Rodovia Castelo Branco, meu irmão resolveu atuar como carga viva (obviamente com o carro apenas estacionado, já que é terminantemente proibido o transporte de animais em carrocerias abertas). Com 2,00 x 1,20 de área livre dentro da carretinha, o Barrinho rebocou considerável quantidade de materiais, atuando como um verdadeiro caminhãozinho.


Outro fator determinante para o sucesso deste tipo de utilização é conhecer a fundo as características operacionais do trem de força do Fusca, partes estas que são um ponto crítico durante o reboque de elevadas cargas.

Como sabemos, o motor do Fusca é refrigerado a ar. Assim, o controle da temperatura do motor depende do arrefecimento proporcionado pela ventoinha de refrigeração do óleo, a qual tem sua rotação ditada mecanicamente pela rotação do motor. Portanto, ao se carregar ou rebocar muito peso, é imperioso que o motor trabalhe sempre em rotações mais elevadas, normalmente aquelas situadas entre o ponto de torque máximo e o ponto de máxima potência.

O Manual do Fusca trás consigo algumas páginas dedicadas a este assunto, quando apresenta os limites máximos e mínimos de velocidade para cada marcha, ocasião em que recomenda explicitamente que, quando as marchas mais longas não suprem a necessidade de força, devem ser empregadas as marchas mais baixas tão logo a velocidade adentre à faixa de operação da marcha imediatamente anterior. Por isso, é importante que, ao se rebocar muito peso, as marchas sejam mantidas o mais próximo possível de suas rotações máximas de trabalho (exceto a quarta marcha na estrada, por razões óbvias).



Conhecer plenamente o seu carro passa pela leitura cuidadosa do Manual do Usuário. No caso do Fusca, há uma clara recomendação de como deve ser conduzida a operação das marchas, de acordo com a velocidade, para a promoção máxima da refrigeração do motor a ar.


Deste modo, o motor estará sempre gerando força para tracionar o peso, e, também, estará recebendo uma boa refrigeração proporcionada pela turbina em alta rotação. Com este modo de condução, ainda, não permitiremos que o câmbio sofra um esforço extra ao tentar tracionar muito peso com marchas altas e baixas rotações do motor, pois a metodologia supracitada impõe que o conjunto esteja operando com marchas mais reduzidas do que aquelas utilizadas em condições normais.

Por fim, ao se operar com rotações mais elevadas e marchas mais reduzidas, teremos o freio motor atuando sempre a se aliviar o pé do acelerador, o que auxilia muito a preservar aquele que é um ponto fraco no carrinho (para este tipo de operação): o conjunto de freio, o qual aquece com relativa facilidade ao se andar com o carro bastante pesado.
Nas longas subidas, normalmente vale a pena reduzir um pouco a velocidade para que o Fusca a suba com uma marcha mais reduzida, sempre mantendo-a, quando possível, próxima do limite máximo superior de velocidade para a marcha alocada. Por exemplo, numa subida em estrada, ao invés de forçar o carro subindo a 85 km/h em 4 marcha é vantajoso subir a 75 ou 80 km/h em 3 marcha (assertiva esta embasada pelo Manual da VW).



As lixas anti-derrapantes permitiam que o Fusca fosse "escalado", facilitando a alocação e amarração das cargas que eram transportadas no rack.


Quando se deparar com grandes subidas, normalmente nas cidades ou nas estradas congestionadas, é recomendável subir com uma marcha que completará o caminho sem necessidade de redução no meio dele (reduzir a marcha de um carro extremamente carregado numa subida íngreme gera, normalmente, esforços e trancos consideráveis, além de grande diminuição da vida útil da embreagem), sempre atentando-se a regra mandatória de manter o motor "cheio", ou seja, com rotações mais elevadas para maximizar o torque e o arrefecimento. Deve-se evitar, sempre que possível, subir "queimando embreagem", ou seja, o carro deve enfrentar a subida com uma marcha reduzida, motor cheio, e as partes perfeitamente acopladas (pé longe do pedal da embreagem).

Nas descidas, por sua vez, manter o carro também sempre com marchas reduzidas, de forma que seja praticamente desnecessário pisar no freio. A marcha ideal numa descida nestas condições operacionais de peso é aquela que permita que você reduza a velocidade do carro sem pisar no freio (ou seja, mesmo na descida, caso queira aumentar a velocidade do carro será necessário acelerar). Pode parecer um certo exagero esse cuidado extremo, mas eu garanto que ter o freio aquecido numa grande descida com o carro bastante pesado não é nada agradável... e ele aquece incrivelmente rápido quando o brinquedo está extremamente pesado.

Vale mencionar e frisar que os aumentos e reduções de velocidade devem ser sempre promovidos de modo o mais gradativo possível, a fim de se poupar ao máximo as partes mecânicas envolvidas no processo, haja vista que elas já estarão bastante sobrecarregadas.



Servindo como carro tanque para os galões (pela facilidade de se retirar combustível de um Fusca), o Barrinho, nesta foto, estava sendo preparado para subir uma quantidade respeitável de acesso pela rampa de acesso, haja vista que, devido a chuva (conforme é possível ver na imagem), o caminhão do fornecedor de aço não obteve sucesso ao tentar vencer o liso e precário acesso.


Seguindo estes cuidados, o Barrinho foi capaz de realizar feitos impressionantes no período em que foi utilizado como o nosso utilitário polivalente.

Entregas de produtos extremamente pesados, com 05 pessoas dentro, mais carga no rack, no porta malas dianteiro, no bagageiro traseiro e na carretinha lotada (com 500 kg ou mais) não foram condições rara. Eu diria até que eram cotidianas...

Raras foram as vezes que o Barrinho precisou ajudar a rebocar o trator quebrado (maquininha que pesa míseros 5.000 kg) ou mesmo a camionete atolada (A-10 chassi longo com carroceria de madeira, que não pesa menos que 2.000 kg), além de outras situações menos audaciosas...

Sem dúvida alguma, a valentia deste carro superou a todos, até mesmo a mim, que jamais duvidei da capacidade de um Fusca.


Nos vemos na estrada.

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Casos e Causos: O dia em que impedi o furto do Barrinho

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Fuscas são muito visados pelos "amigos" do alheio para furto. Infelizmente, não há muito o que contrapor a essa triste assertiva.

Além de normalmente muito fáceis de abrir e ligar, sobremaneira pelos treinados meliantes, os besouros atraem a cobiça dos ladrões por sua incrível facilidade e rapidez de desmontagem. Normalmente, as suas pecas originais valem um bom dinheiro no mercado. Por isso, vale a dica: evite ao máximo comprar peças em desmanches quando não houver boa certeza acerca da honesta proveniência da peça. Caso contrário, você poderá estar alimentando o grande número de furtos de Fuscas (e isso vale para todos os carros). E, um dia, você e seu precioso poderão ser as vítimas.



Lembre-se: não haveria o vendedor de peças furtadas se não houvesse o comprador!


Com o furto do Ray, descobri que nem mesmo três travas em conjunto impedem um Fusca de ser furtado quando algum safado cisma que ele deverá ser levado (o Ray ostentava trava de volante, de câmbio e de pedais). E, nesse caso específico, meu irmão assistiu a tudo de camarote, pois, ao sair da faculdade, deparou-se com um indivíduo dentro do carro, sendo coberto por outro em outro carro. Mesmo que ele tenha me ligado para saber o que fazer, e mesmo que a PM tenha sido acionada, perdemos o carro. Até porque ele foi por mim orientado a não intervir no furto, embora eu, num momento passado, por impulso, tenha agido e, assim, impedi a tentativa de furto do Barrinho, história que será relatada a seguir.

De qualquer modo, diante disso tudo, acreditem: investimentos em alarmes e segredos no Fusca nunca é demais (e vale para qualquer carro que não tenha seguro). E, mesmo assim, não arrisquem. Aprendam com os azares e erros dos outros (como os meus...), pois é mais triste e caro tentar aprender por conta própria!

É por isso também que eu evito adquirir peças de desmanches suspeitos: para não fortalecer o comércio ilegal. Mas, infelizmente, tal correto comportamento não impede o azar de bater a minha porta, vez ou outra.

Num dia qualquer de uma dada semana, a tarde, resolvi passar na Auto Mecânica Tsuzuki para ver a A-10 da nossa empresa que estava em revisão.

Como de costume, para uma parada rápida, estacionei o Barrinho na esquina, tranquei-o e fui encontrar o Eduardo Tsuzuki dentro da oficina para verificar se havia alguma novidade sobre a revisão da camionete.

Passados alguns poucos minutos, quando eu estava vendo o que estava sendo feito na A-10, ouvi uma buzina familiar. Por reflexo, instantaneamente sai apressado em direção ao Barrinho. Os mecânicos ainda me perguntaram, ao ver meu passo acelerado, o que estava acontecendo. Respondi-lhes, automaticamente: meu Fusca está me chamando (a buzina ecoava de um jeito diferente, num tom desesperado e assustado).

Mal sai da oficina e me deparei com uma situação estranha: havia alguém dentro do carro! (detalhe importante: o carro não tinha nenhum alarme que fazia a buzina disparar).

Agindo mais por instinto e raiva do que por qualquer senso de racionalidade, abri a porta do lado do motorista do Barrinho, puxando ao mesmo tempo o energúmeno que tentava furtar o meu veículo. Estivesse ele armado ou com algum comparsa, e eu teria eu virado estatística nas planilhas de homicídio e latrocínio (e nada iria acontecer com o bandido, afinal, pela cultura pitoresca fomentada pela esquerda burra neste país, eu - o ganancioso imperialista dono de um Fusca 1974 - não deveria tentar impedir a ação de um bondoso e coitadinho ladrão, vítima da sociedade capitalista opressora em seu ganha pão diário, já que a orientação das autoridades é jamais reagir, até mesmo para facilitar o trabalho dos auxiliares do governo). Mas, na hora da adrenalina, da raiva, da emoção e da necessidade de agir, quem pensa de modo calmo e plenamente sensato?

No exato instante em que meliante saiu do carro, iniciando a sua fuga, automaticamente levei minha mão a cintura... e, num saque rápido... puxei o celular do bolso, ligando para o 190 (confesso que queria ter podido puxar outro magnífico aparelho, tão ou mais importante que o celular, mas graças a Lei 10.826/03 isso era - e ainda é - impossível para os pobres mortais que não são amigos do rei).

O primeiro policial que atendeu no COPOM se limitou a pegar os dados da ocorrência. Mas, como eu estava correndo atrás do ligeiro malfeitor, liguei novamente para a PM. Nesta segunda ligação, fui atendido por um policial bem mais comprometido que aquele primeiro, e, então, o policial foi orientando as viaturas de área através do que eu ia falando pelo celular enquanto não perdia de vista o bandido em fuga. Tal prestatividade, todavia, não impediu o policial de me orientar a não ir atrás do ladrão, pois estaria arriscando minha vida. Ok, em condições normais, eu concordaria com o prestativo militar. Mas um desgraçado tentara roubar o meu querido Fusca!

Estando eu bem fora de forma, bastou alguns poucos quarteirões para que, num tombo, encerrasse minha infrutífera perseguição. E, ao informar o Papa - Mike de minha queda, pela quantidade de viaturas que apareceram quase que instantaneamente, acredito que o policial entendeu que eu tinha levado um tiro, e não um belo tropeço (tivesse sido a "pobre vítima" da sociedade que tivesse se arrebentado num tombo, certamente iriam aparecer, em instantes, carros dos direitos "dos manos", dos partidos de comunistas de extrema esquerda, e invariavelmente toda uma sorte de idiotas úteis, os quais iriam cobrar da justiça a minha punição por lesão corporal dolosa ou tentativa de homicídio do pobre ladrãozinho que caíra em sua fuga...).



Itens originais costumam atrair muito a atenção dos meliantes, pois eles sabem o valor desses itens no mercado negro. Apesar do visual desleixado, o Barrinho possuía na ocasião diversos itens originais.


De volta ao local dos fatos, o Fusca já estava sob guarda de pelo menos três viaturas da PM.

Ao verem que se tratava da tentativa de furto de um besouro, os colegas militares compartilharam de minha revolta. Talvez porque eles pensaram que aquele carrinho com aparência velha era meu único carro e meu ganha pão. Mas o fato é que eles também se revoltaram e, embora não conseguissem lograr êxito na captura do ladrão, ao menos tentaram.

O ocorrido deixou algumas lições para mim:

(1) Eu deixava o Barrinho propositadamente feio de pintura justamente para não atrair esse tipo de atenção - a dos ladrões. Não adiantou. Bandidos geralmente sabem reconhecer bons Fuscas.

(2) Agir por instinto pode dar errado. Mas também pode dar certo... Afinal, o Barrinho está comigo. Não compactuo, em absoluto, com a a política de não reagir. O certo é, sim, reagir. Falta-nos, contudo, apenas meios de promovermos o enfrentamento de forma correta. Quem sabe com o PL 3722 não tenhamos mais oportunidades de, ao menos, partir para um combate justo contra os marginais que tentam nos dominar.

(3) E, o principal aprendizado: dificulte ao máximo a vida dos salafrários. Eles são preguiçosos e vagabundos, então existe uma maior probabilidade de eles desistirem de levar o seu carro se precisarem se desvencilhar de alarmes, travas e segredos um atrás do outro (sistemas e segredos, pois travas são facilmente superadas, como o caso do Fusca Ray comprovou). Eu sugiro fortemente a colocação das Travas Veronezzi.



Nem mesmo a proposital aparência de desleixo fez com que os ladrões deixassem de se interessar pelo Barrinho. Mesmo você, que tem um Fusca que não chama atenção pela esplêndida beleza, não deve deixar de dedicar atenção especial a travas, segredos, alarmes e anti-furtos em geral.


Dois dias depois dos fatos narrados, meu irmão passou na oficina mecânica do Eduardo Tsuzuki para confirmar com ele a história que eu havia contado, pois parecia improvável toda a história contada, notadamente o detalhe mencionado de que meu Fusca tivesse me chamado em um pedido de ajuda.

Um pouco sem graça, sem jeito, sem saber ao certo como dizer, e também ainda sem entender direito o que se passou, ele (o Eduardo) disse ao meu irmão algo mais ou menos assim: "Só sei que o Rodrigo estava aqui dentro quando disse que o Fusca estava chamando e ele saiu correndo...".

O resto da história vocês já sabem.

Nos vemos na estrada!

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