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Casos e Causos: O dia em que impedi o furto do Barrinho

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Fuscas são muito visados pelos "amigos" do alheio para furto. Infelizmente, não há muito o que contrapor a essa triste assertiva.

Além de normalmente muito fáceis de abrir e ligar, sobremaneira pelos treinados meliantes, os besouros atraem a cobiça dos ladrões por sua incrível facilidade e rapidez de desmontagem. Normalmente, as suas pecas originais valem um bom dinheiro no mercado. Por isso, vale a dica: evite ao máximo comprar peças em desmanches quando não houver boa certeza acerca da honesta proveniência da peça. Caso contrário, você poderá estar alimentando o grande número de furtos de Fuscas (e isso vale para todos os carros). E, um dia, você e seu precioso poderão ser as vítimas.



Lembre-se: não haveria o vendedor de peças furtadas se não houvesse o comprador!


Com o furto do Ray, descobri que nem mesmo três travas em conjunto impedem um Fusca de ser furtado quando algum safado cisma que ele deverá ser levado (o Ray ostentava trava de volante, de câmbio e de pedais). E, nesse caso específico, meu irmão assistiu a tudo de camarote, pois, ao sair da faculdade, deparou-se com um indivíduo dentro do carro, sendo coberto por outro em outro carro. Mesmo que ele tenha me ligado para saber o que fazer, e mesmo que a PM tenha sido acionada, perdemos o carro. Até porque ele foi por mim orientado a não intervir no furto, embora eu, num momento passado, por impulso, tenha agido e, assim, impedi a tentativa de furto do Barrinho, história que será relatada a seguir.

De qualquer modo, diante disso tudo, acreditem: investimentos em alarmes e segredos no Fusca nunca é demais (e vale para qualquer carro que não tenha seguro). E, mesmo assim, não arrisquem. Aprendam com os azares e erros dos outros (como os meus...), pois é mais triste e caro tentar aprender por conta própria!

É por isso também que eu evito adquirir peças de desmanches suspeitos: para não fortalecer o comércio ilegal. Mas, infelizmente, tal correto comportamento não impede o azar de bater a minha porta, vez ou outra.

Num dia qualquer de uma dada semana, a tarde, resolvi passar na Auto Mecânica Tsuzuki para ver a A-10 da nossa empresa que estava em revisão.

Como de costume, para uma parada rápida, estacionei o Barrinho na esquina, tranquei-o e fui encontrar o Eduardo Tsuzuki dentro da oficina para verificar se havia alguma novidade sobre a revisão da camionete.

Passados alguns poucos minutos, quando eu estava vendo o que estava sendo feito na A-10, ouvi uma buzina familiar. Por reflexo, instantaneamente sai apressado em direção ao Barrinho. Os mecânicos ainda me perguntaram, ao ver meu passo acelerado, o que estava acontecendo. Respondi-lhes, automaticamente: meu Fusca está me chamando (a buzina ecoava de um jeito diferente, num tom desesperado e assustado).

Mal sai da oficina e me deparei com uma situação estranha: havia alguém dentro do carro! (detalhe importante: o carro não tinha nenhum alarme que fazia a buzina disparar).

Agindo mais por instinto e raiva do que por qualquer senso de racionalidade, abri a porta do lado do motorista do Barrinho, puxando ao mesmo tempo o energúmeno que tentava furtar o meu veículo. Estivesse ele armado ou com algum comparsa, e eu teria eu virado estatística nas planilhas de homicídio e latrocínio (e nada iria acontecer com o bandido, afinal, pela cultura pitoresca fomentada pela esquerda burra neste país, eu - o ganancioso imperialista dono de um Fusca 1974 - não deveria tentar impedir a ação de um bondoso e coitadinho ladrão, vítima da sociedade capitalista opressora em seu ganha pão diário, já que a orientação das autoridades é jamais reagir, até mesmo para facilitar o trabalho dos auxiliares do governo). Mas, na hora da adrenalina, da raiva, da emoção e da necessidade de agir, quem pensa de modo calmo e plenamente sensato?

No exato instante em que meliante saiu do carro, iniciando a sua fuga, automaticamente levei minha mão a cintura... e, num saque rápido... puxei o celular do bolso, ligando para o 190 (confesso que queria ter podido puxar outro magnífico aparelho, tão ou mais importante que o celular, mas graças a Lei 10.826/03 isso era - e ainda é - impossível para os pobres mortais que não são amigos do rei).

O primeiro policial que atendeu no COPOM se limitou a pegar os dados da ocorrência. Mas, como eu estava correndo atrás do ligeiro malfeitor, liguei novamente para a PM. Nesta segunda ligação, fui atendido por um policial bem mais comprometido que aquele primeiro, e, então, o policial foi orientando as viaturas de área através do que eu ia falando pelo celular enquanto não perdia de vista o bandido em fuga. Tal prestatividade, todavia, não impediu o policial de me orientar a não ir atrás do ladrão, pois estaria arriscando minha vida. Ok, em condições normais, eu concordaria com o prestativo militar. Mas um desgraçado tentara roubar o meu querido Fusca!

Estando eu bem fora de forma, bastou alguns poucos quarteirões para que, num tombo, encerrasse minha infrutífera perseguição. E, ao informar o Papa - Mike de minha queda, pela quantidade de viaturas que apareceram quase que instantaneamente, acredito que o policial entendeu que eu tinha levado um tiro, e não um belo tropeço (tivesse sido a "pobre vítima" da sociedade que tivesse se arrebentado num tombo, certamente iriam aparecer, em instantes, carros dos direitos "dos manos", dos partidos de comunistas de extrema esquerda, e invariavelmente toda uma sorte de idiotas úteis, os quais iriam cobrar da justiça a minha punição por lesão corporal dolosa ou tentativa de homicídio do pobre ladrãozinho que caíra em sua fuga...).



Itens originais costumam atrair muito a atenção dos meliantes, pois eles sabem o valor desses itens no mercado negro. Apesar do visual desleixado, o Barrinho possuía na ocasião diversos itens originais.


De volta ao local dos fatos, o Fusca já estava sob guarda de pelo menos três viaturas da PM.

Ao verem que se tratava da tentativa de furto de um besouro, os colegas militares compartilharam de minha revolta. Talvez porque eles pensaram que aquele carrinho com aparência velha era meu único carro e meu ganha pão. Mas o fato é que eles também se revoltaram e, embora não conseguissem lograr êxito na captura do ladrão, ao menos tentaram.

O ocorrido deixou algumas lições para mim:

(1) Eu deixava o Barrinho propositadamente feio de pintura justamente para não atrair esse tipo de atenção - a dos ladrões. Não adiantou. Bandidos geralmente sabem reconhecer bons Fuscas.

(2) Agir por instinto pode dar errado. Mas também pode dar certo... Afinal, o Barrinho está comigo. Não compactuo, em absoluto, com a a política de não reagir. O certo é, sim, reagir. Falta-nos, contudo, apenas meios de promovermos o enfrentamento de forma correta. Quem sabe com o PL 3722 não tenhamos mais oportunidades de, ao menos, partir para um combate justo contra os marginais que tentam nos dominar.

(3) E, o principal aprendizado: dificulte ao máximo a vida dos salafrários. Eles são preguiçosos e vagabundos, então existe uma maior probabilidade de eles desistirem de levar o seu carro se precisarem se desvencilhar de alarmes, travas e segredos um atrás do outro (sistemas e segredos, pois travas são facilmente superadas, como o caso do Fusca Ray comprovou). Eu sugiro fortemente a colocação das Travas Veronezzi.



Nem mesmo a proposital aparência de desleixo fez com que os ladrões deixassem de se interessar pelo Barrinho. Mesmo você, que tem um Fusca que não chama atenção pela esplêndida beleza, não deve deixar de dedicar atenção especial a travas, segredos, alarmes e anti-furtos em geral.


Dois dias depois dos fatos narrados, meu irmão passou na oficina mecânica do Eduardo Tsuzuki para confirmar com ele a história que eu havia contado, pois parecia improvável toda a história contada, notadamente o detalhe mencionado de que meu Fusca tivesse me chamado em um pedido de ajuda.

Um pouco sem graça, sem jeito, sem saber ao certo como dizer, e também ainda sem entender direito o que se passou, ele (o Eduardo) disse ao meu irmão algo mais ou menos assim: "Só sei que o Rodrigo estava aqui dentro quando disse que o Fusca estava chamando e ele saiu correndo...".

O resto da história vocês já sabem.

Nos vemos na estrada!

4 comentários :

  1. Sinistro hein. Bom acaba de confirmar uma suspeita que estava ma minha cabeça. O Barrinho é reencarnação do Herbie (do filme se meu fusca falasse) kkk

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    1. Kkkkk deve ser Fe. A Penélope tem história parecida rs...

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