PENÉLOPE VIAJANTE

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Casos e Causos: A infinita sabedoria dos Fuscas

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Em que pese o Barrinho normalmente servir como uma máquina de fazer alegria, por vezes ele aprontava alguma arte que me deixava furioso. Mas, passado algum tempo, eu entendia que o episódio que eu considerava ruim era, na verdade, algo muito positivo...


O ano de 2012 não estava sendo muito bom para mim.

A crise social vivida pelo Brasil me torturava dia e noite: eu não conseguia conviver direito com a ideia de que nosso país estava se auto-destruindo por absoluta culpa de seu povo. Por consequência, estava me distanciando de pessoas outrora queridas porque elas decidiram se enveredar pelo caminho da ignorância, tornando-se idiotas úteis, verdadeiros mentecaptos que ajudavam a mergulhar a nação num mar de lama cada vez mais fundo. Sei que cada povo tem o governo que merece (e vice versa) e que isso é um processo de retroalimentação infindável para o completo caos, mas aceitar que este seria o futuro da nação que carrega a bandeira que eu havia jurado proteger, com o sacrifício da própria vida se fosse, não era algo tão fácil.

A minha tão amada aviação estava ficando cada vez mais distante. Tudo parecia de cabeça para baixo em minha vida (e isso porque ver o mundo literalmente de pernas para o ar era algo relativamente íntimo da minha pessoa). Para ajudar, tive um péssimo aniversário...

Enfim, tudo estava indo de mal a pior naquele longínquo ano de 2012.

Nem mesmo o Barrinho estava conseguindo me ajudar. Ele bem que havia tentado, levando a Má e eu (na época apenas amigos) para um passeio com a turma na Trilha da Placa no feriado de carnaval, talvez iniciando algo imperceptível na ocasião. Mesmo assim, parecia que nada salvaria aquele ano (mal sabia ele, e tampouco nós, que este passeio seria como uma semente plantada para ser colhida alguns tempo depois, trazendo como frutos então futuros este nosso fantástico atual momento presente!).



Trabalhando pesado durante a semana e passeando (trilhando!) nos finais de semana, o valente Barrinho certamente participou de alguns momentos bons e importantes de minha vida!


Os dias paulatinamente iam se sucedendo, trazendo consigo novas surpresas desagradáveis. Foi, sem dúvida alguma, uma época difícil, repleta de desilusões, reflexões, pensamentos... e, claro, muito aprendizado.

Foi quando o feriado de 7 de setembro (que caiu numa sexta-feira) criou a oportunidade de um pequeno final de semana prolongado. A nossa família decidiu ir para Borborema (para variar) para desfrutar de alguns momentos de lazer e descanso.

E eu realmente precisava de algo para me distrair.

No passado, eu tinha os aviões para renovar minhas energias. Naquele ano, contudo, praticamente não tive contato com os pássaros alados, o que, certamente, contribuiu sobremaneira para a minha condição de mero "zumbi", vagando meio que sem rumo pela Terra.

Diante de tudo isso, decidi que eu iria com o Barrinho para Borborema. Queria ter um pouco de contato com a natureza, passeando pelas estradas da região com o meu valente amigo cujo coração é refrigerado a ar.

Malas prontas e partimos todos para o aguardado feriado, que para mim teria um sabor especial de aguardada calmaria, sendo um porto seguro diante das tempestades que me circundavam.

Meu pai decidira abandonar o conforto do maravilhoso Astra CD do meu irmão, que levaria a nossa família, para ir comigo de Barrinho, enquanto que a namorada do Diego (o irmão do Astra), e sua respectiva querida família, iria integrar o comboio com outro veículo.

Estávamos viajando na Rodovia dos Bandeirantes, a aproximadamente 120 km/h quando bruscas e repentinas falhas de motor aconteceram. O carro começou a emitir estouros pelo escapamento. Instintivamente, tirei o pé do acelerador, deixando a velocidade diminuir um pouco. Na sequência, voltei a acelerar novamente, de forma mais suave e gradual. Pareceu-me que o problema havia se estabilizado.

O Barrinho, como os nossos estimados leitores sabem, era o mais resistente e polivalente Fusca que eu já tive. Ele rodava para todos os lugares a trabalho na nossa empresa e não costumava nos deixar na mão, mesmo quando explicitamente forçado além do limite. Com este grande nível de confiança na máquina, decidi prosseguir viagem, certo da valentia deste meu amigo.

Chegando em Borborema, mesmo sabendo que as condições mecânicas do besouro não eram as ideais, decidi ir passear um pouco nas estradas de terra da região. Eu realmente precisava daqueles tão aguardados momentos no meio do nada!



A região de Borborema reserva surpresas naturais agradáveis, por vezes desconhecidas, como a relatada no último passeio da Penélope por lá.


Foi quando começaram novamente as falhas, desta vez mais severas. Optei por regressar para a cidade (tudo em Borborema é perto para quem é da capital), de modo que, no dia seguinte pela manhã (sábado), procuraria algum mecânico para me ajudar a entender o que estava acontecendo.

Por infortúnio, no regresso para a cidade o Barrinho ficou sem freio. Pane no cilindro mestre!

Não preciso dizer que fiquei inconsolável: um dos Fuscas mais confiáveis e valentes que já vi na vida resolveu ficar parado na garagem, impondo-me duas panes ao mesmo tempo!

É oportuno mencionar que estes nossos carrinhos possuem uma personalidade realmente forte: se eles querem andar, nada os detém, nem mesmo alguns obstáculos que parecem ser intransponíveis. Na contrapartida, quando eles decidem ficar quietos em seu lugar, não há o que os faça mudar de ideia...

No sábado pela manhã, como havia planejado, parti em busca de alguém para mexer na viatura. De fato, eu não aceitava a ideia de que tinha ido até Borborema com o Barrinho para andar na terra e isso não seria possível devido a um mero capricho dele próprio!

Após chegarmos na oficina mecânica, o problema das graves falhas, que eu julgava ser o mais grave e complicado, fora resolvido com relativa rapidez: as engrenagens do eixo do distribuidor não estavam acoplando de modo correto, fazendo com que o distribuidor saltasse de sua posição (por isso os estouros repentino). Problema solucionado alocando-se uma arruela de calço no distribuidor. Alegrei-me de imediato!

Contudo, naquele final de semana os astros do Universo se uniram e se alinharam de tal forma que, por mais incrível que possa parecer, numa cidade na qual os Fuscas são vistos aos montes, trabalhando pesado no dia a dia da roça, não havia nenhuma loja aberta que dispusesse do tão comum cilindro mestre do VW Sedan!

Era realmente difícil de acreditar: além de não conseguir utilizar o carro como uma remédio anti-estresse, precisaria deixá-lo na cidade para buscá-lo em outro final de semana, quando a peça estivesse disponível! O que era para desestressar acabou se tornando um estresse incalculável!

Meio que em estado de choque, completamente incrédulo no que estava ocorrendo, voltei para a casa que havíamos alugado para o final de semana. Parei o Barrinho na garagem e deitei na cama do quarto no qual estava alocado. Encontrava-me tão desanimado com a inacreditável ocorrência que resolvi passar o resto do final de semana dormindo, embora tudo o que eu realmente queria era acordar daquele verdadeiro pesadelo.

Em tentativa de consolo, restou-me procurar na internet alguma causa plausível para todos aqueles problemas repentinos. Não era possível: um carro que rodava milhares de quilômetros no mês, e que apesar do uso extremo recebia cuidados preventivos e corretivos a cada 3.000 km, não podia simplesmente sofrer duas panes graves ao mesmo tempo! Eu precisava debruçar sobre literaturas, textos, experiências, vídeos, enfim, qualquer coisa que justificasse minimamente a probabilidade de ocorrência destes reveses.

Impossível não se sentir mal com tanta coisa desagradável acontecendo em um curto espaço de tempo: onde será que eu estava errando tanto na minha vida?

Desesperado por respostas que me acalmasse, descobri, sem querer, que a Esquadrilha da Fumaça faria uma apresentação no domingo, 09/09/2012, na cidade vizinha de Itápolis.

Ora, considerando-se que o final de semana para mim estava perdido, não custava nada rodar menos de 30 km na esperança de tentar desfrutar de alguns momentos de verdadeiro relaxamento mental.

Assim, no domingo, saímos todos mais cedo de Borborema para o regresso a São Paulo, aproveitando para passar em Itápolis e ver o show da nossa Esquadrilha.

Não tenho a menor dúvida de que aquele foi o melhor show da Fumaça que assisti nos tempos recentes. A Esquadrilha voou mais baixo e mais perto do público do que era o praxe na ocasião, realizando aquela que, para mim, certamente foi a mais bela das apresentações na era dos T-27 Tucano pós-retorno (com a pintura nas cores da bandeira).





Os vídeos acima mostram um pouco do que foi aquele show! Infelizmente eles (os vídeos) não conseguem demonstrar de verdade o que aconteceu e muito menos o que sentiram todos aqueles que lá estavam...


Até hoje eu não sei ao certo o porque, mas o fato é que sai daquela apresentação revigorado. Acho que, de alguma forma, aquele voo me deu um choque de realidade e me mostrou que eu precisava acordar para poder seguir pelos novos rumos da minha vida, demonstrando-me que, não obstante tudo de ruim o que tinha ocorrido naquele ano, a vida ainda me reservaria bons momentos de surpresas e plena felicidade. Exatamente como aquele que estava lá vivendo. Indiscutivelmente, ainda existiam esperanças...

Voltei para São Paulo decidido a recuperar efetivamente o controle de tudo de ruim que estava acontecendo. Não mais me permitiria continuar caindo em queda livre naquele abismo sem fim...

E os resultados foram os melhores possíveis!

No final de 2012, conseguimos realizar aquele que foi até então o melhor ano na história da nossa empresa. Espantei para sempre alguns fantasmas que me assombravam, traçando um novo caminho para a minha vida, repleto de novos objetivos. E eu estava finalmente prestes a iniciar o namoro com a Ma.

E, em todos os estes casos, o Barrinho teve participação ativa e fundamental!

Recordei-me disso tudo ao encontrar, por acaso, um vídeo daquela apresentação da Esquadrilha no Youtube. Um sentimento incrivelmente forte tomou conta de mim, fazendo-me relembrar cada segundo vivido naquele feriado, o qual, erroneamente, eu cheguei um dia a considerar amaldiçoado.

Hoje, porém, ao olhar para trás, avaliando aqueles momentos, eu realmente sei o que aconteceu: o Barrinho, conhecendo-me profundamente como somente nos conhecem os nossos melhores e mais íntimos amigos, sabia que eu precisava assistir àquele magnífico show da Fumaça para, no despertar de emoções, acordar para a realidade, parando de sonhar sonhos impossíveis e de viver pesadelos irreais, ambos tão somente imaginários. Ele sabia que seria uma apresentação especial da Esquadrilha e fez de tudo para que o "destino" me levasse para aquele evento.

E tudo isso só aconteceu porque Fuscas, inexplicavelmente, possuem algum tipo de alma. E uma infinita sabedoria cujas justificativas e entendimentos transcendem quaisquer explicações racionais e razoáveis.


Nos vemos na estrada!

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Viagens e Passeios: A recepção de um novo "Fusqueiro" de Borborema - SP

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Pode-se dizer que Fuscas são verdadeiras paixões no universo do automobilismo. Muito além de tudo aquilo que o VW Sedan representa em termos de história, a magia deste carrinho também reside em sua capacidade inconstes de unir diversas pessoas, de diferentes "tribos", culturas, idades e localizações geográficas. Afinal de contas, paixão é paixão e ponto final... não são necessárias maiores explicações! E tudo isso somado à impagáveis viagens, passeios e aventuras!


Há algum tempo atrás, o meu amigo Fernando Zuliani, advogado de sucesso na pequena cidade de Borborema, interior de São Paulo, decidiu enveredar-se pelos caminhos e obstáculos do off-road ao adquirir um veículo do tipo "Gaiola", montado sobre o chassi e mecânica da Kombi a ar. Esse tipo de viatura, embora muito capaz no fora de estrada, possui grandes limitações para o uso on-road, sendo que a maior delas é não ser um carro emplacado e licenciado para rodar.

Numa de nossas muitas conversas sobre automóveis, apresentei-lhe a ideia de que, sobremaneira para aquela região, um Fusca seria uma opção mais versátil, pois lhe permitiria ter mais um carro para ser usado normalmente, além de proporcionar capacidade suficiente para transitar pelos caminhos da sua casa até os sítios da região, tudo isso com relativo conforto e muito estilo. Aliás, cabe mencionar que em Borborema (assim como em muitas outras cidades do interior), os besouros são muito utilizados para a labuta diária nos sítios e fazendas, uma vez que são os únicos carros de passeio que conseguem transitar por muitos anos nas estradas de terra, indo e voltando sem maiores problemas e dificuldades mesmo sob chuva torrencial. Tal assertiva já havia sido por ele comprovada quando, há um bom tempo atrás, demos uma volta pelas estradas vicinais de Borborema com o Fusca de seu pai, introduzindo-o ao divertido universo das brincadeiras na terra com este veículo que nasceu prestando serviços militares. Por conseguinte, não estava difícil convencê-lo a integrar o time dos "fusqueiros"...

Passado algum tempo deste aquela conversa inicial, o Fernando animou-se para valer com a ideia de ter um Fusca, iniciando a procura por um bom exemplar para ser comprado. Objetivando motivá-lo, prometi-lhe que, concretizada a compra, iria com a esposa e com a Penélope até Borborema para dar-lhe, pessoalmente, as boas vindas ao mundo (sem volta) dos "Air Cooled".

Há aproximadamente um mês, este meu estimado amigo encontrou a sua joia: um legítimo Última Série, 1986, 1.600 à álcool, em bom estado de conservação. Na sequência, iniciou uma grande revisão mecânica, a qual culminou na retífica completa do motor do carrinho.



Meio que sem querer, o nosso colega Fernando Zuliani adquiriu uma verdadeira raridade do universo refrigerado a ar! Nesta imagem, ele aparece rebocando a Gaiola no towbar para participar, em dose dupla e com grande estilo, do 1º Encontro de Fuscas e afins de Borborema - SP!



Esta bela imagem do Juninho repousando no sítio, sob o por-do-sol, materializa e ilustra o que eu sempre digo: no interior, Fuscas estão em seu habitat natural, sendo um dos melhores veículos já fabricados para rodar em estradas de chão, especialmente as precárias. Eles realmente combinam com isso!


Para cumprir nossa promessa, na última sexta-feira, 09/09/2016, após o cansativo expediente de trabalho, partimos para Borborema, distante aproximados 390 km da capital. Como saímos tarde de São Paulo, a viagem transcorreu por boa parte da noite, contando com uma parada no Graal de São Carlos para esticarmos as pernas e abastecermos preventivamente a Penélope. Foi quando descobrimos que o Fernandinho e a namorada Adrieli estariam nos esperando para "jantarmos" juntos (se é que é possível chamar de jantar o ato de se alimentar durante a madrugada...).

Chegamos em Borborema já tarde da noite. Por infortúnio, o Juninho (como foi batizado o Última Série) não ficou pronto por conta de um problema nos carburadores, obrigando o Fernando a nos escoltar de "plast-car" até o excelente Cantinho da Helo, onde pudemos desfrutar de um saboroso e merecido lanche. Vale ressaltar que o pessoal desta lanchonete gosta bastante de Fusca, sendo que, portando, em poucos minutos já estávamos perfeitamente integrados e nos sentido em casa.

Um fato que nos deixou muito felizes foi que a Penélope se tornou quase que uma atração do local. Ainda que eu entenda isso como perfeitamente normal (haja vista as minhas muitas viagens de Barrinho e com o Ray), para eles, um Fusca viajar de São Paulo para Borborema é um feito notável (mal sabiam o que a nossa protagonista aprontaria na manhã seguinte...). Soma-se a isso a diferente proposta off-road do nosso brinquedo com o que eles consideraram um bom estado de conversação (notadamente do interior) e temos como resultado alguns novos fãs da Penélope! E, com muitíssima honra, descobrimos que muitas pessoas por lá são assíduos leitores do nosso Blog! Muita coisa legal acontecendo em tão pouco tempo, e tudo por causa destes nossos queridos Fuscas...

Como já era um horário avançado da madrugada, e considerando-se que o amanhecer prometia um dia cansativo, decidimos ir para a casa da minha avó Gleide para pernoitarmos. Após uma semana cansativa, e uma viagem relativamente longa, dormir bem era algo bastante necessário!

No sábado pela manhã, acordei e me encontrei com o Fernandinho. Fomos até o mecânico na esperança de ver o Juninho pronto, mas, infelizmente, os carburadores não estavam no estado desejado e o carro acabou por não ter a aguardada "liberação médica".

Para não perdemos a manhã, fomos até a maravilhosa padaria Pão com Manteiga objetivando comprar alguma coisa para o desjejum. Para quem é de São Paulo, o custo-benefício daquelas "gostosuras" à venda é extremamente chamativo, pois estamos acostumados com outras realidades de preços.



A padaria Pão com Manteiga, em Borborema - SP, é parada obrigatória para quem passa na região: muitas opções deliciosas a preços realmente convidativos!


Barrigas devidamente abastecidas. Pressão dos pneus da Penélope oportunamente adequada (dos 20/28 psi para a viagem por rodovias para 12/15 psi para andar em estradas de terra). Iniciamos os passeios pelas estradas de terra da região com o Fernandinho na Gaiola e a Má, a Dri e eu na Penélope (a "patroa" do nosso colega optou pelo "conforto" do Fusca à emoção da gaiola).



Eu com a Penélope e o Fernando com a Gaiola: duas viaturas empurradas pelo robusto motor Boxer refrigerado a ar, ideal para o uso no fora de estrada devido à sua simplicidade, confiabilidade e bom torque em baixas rotações.


Num certo ponto do passeio, chegamos à um "playground" dos trilheiros de "Borbocity". De imediado, o nosso colega tratou de fazer a Gaiola subir num dos barrancos com erosão. Confesso que tentei resistir à tentação de não fazê-lo, mas, infelizmente, em certos momentos sou vencido pela minha necessidade de adrenalina. Assim, a Penélope apontou o barranco e, mesmo com POB 3 (Persons On Board, como se diz na aviação), nossa valente Fusquinha praticamente ignorou o obstáculo (que até então havia sido apenas superado por motos, jipes e gaiolas), alcançando o seu topo para o delírio de algumas pessoas que estavam trabalhando nas plantações próximas do local. Em poucos instantes, fomos cercados por alguns curiosos, dentre os quais alguns amantes de Fuscas (inclusive integrantes do grupo "fuscomaníaco" da cidade), os quais pareciam não acreditar no que viam: um VW Sedan original superando obstáculos de verdadeiro off-road!



A Penélope praticamente ignorou a inclinação do barranco!



Embora não pareçam nas filmagens, as erosões do barranco eram consideráveis. Reparem que, na descida, a Penélope chega a tirar a roda traseira esquerda do chão, mesmo com o excelente curso de suspensão do Fusca!



Os vídeos mostram um pouco do que rolou durante a brincadeira de superar um obstáculo natural como o barranco. As pessoas que estavam trabalhando nas plantações ao redor pareciam não entender o que viam. Se por um lado a presença de Gaiolas e Jipes no local era algo constante, por outro, um Fusca original se divertir por lá era algo completamente inusitado!


Após alguns minutos de conversas, decidimos prosseguir com o passeio. Num dado momento, saímos da estrada e descemos uma pirambeira por uma trilha aberta por dentre as árvores, com considerável declive e erosões relativamente fundas, terminando num pequeno barranco. Após analisar o caminho, e com a gaiola liderando a formação, descemos por este local, no qual foi necessário empregar um pouco de técnica e perícia de fora de estrada para que o carro fosse poupado (se é que isso é possível numa situação destas). Considerando-se a facilidade que tudo transcorreu, cabe-me apenas elogiar a Penélope e afirmar que, indubitavelmente, tem horas que até eu me surpreendo com a facilidade que ela supera as adversidades, aparentemente impossíveis para um Fusca original! De qualquer forma, não foi a primeira e acredito que não será a última vez que esta valente fusquinha surpreende com seus feitos...



Penélope fazendo pose para a foto no ambiente que tanto ela quanto os seus donos adoram!


No retorno do passeio, decidimos acelerar forte e andar a quase 100 km/h pela estrada de chão. Em alguns instantes, a Penélope praticamente levantou voo nas curvas de nível... o que me leva a crer que eu preciso montar um Fusca exclusivo para off-road mais pesado (haja vista que não é a intenção judiar demais da nossa protagonista em brincadeiras mais fortes).



O parceiro na Gaiola filmando o deslocamento para o retorno e o aguardado almoço!


O almoço fora realizado na churrascaria Biazotão, à beira da estrada que liga Borborema à Ibitinga. Em que pese a satisfatória qualidade e variedade das carnes, pelo preço cobrado do rodízio completo, acredito que o local poderia oferecer mais opções de acompanhamentos, especialmente batatas-fritas!

O período vespertino ficou reservado para um passeio diferente. Iríamos andar alguns quilômetros de estrada de asfalto, depois alguma distância por terra (e, por isso, fomos todos de Fusca) para chegar à uma pequena área habitada por macacos (que acredito ser de alguma espécie de macaco-prego). Quando chegamos na área prevista, provavelmente devido à grande quantidade de pessoas (inclusive algumas crianças, que ficavam correndo atrás dos bichinhos), os primatas estavam mais reservados e distantes. Contudo, após o esvaziamento do local, os macaquinhos passaram a, gradativamente, aproximaram-se de nós. Como levamos bananas para darmos de presente a eles, em alguns instantes já éramos amigos dos macacos e eles vinham retirar o alimento de nossas mãos. Sem dúvida alguma, uma distinta e rara oportunidade de travar contato com a natureza de forma tão diferenciada e efetivamente próxima!



Penélope estacionada na área dos macacos-prego!



Nosso amigo Fernandinho se entendeu muitíssimo bem com os bichinhos!



Aos poucos, a confiança entre as partes aumento e, assim, pudemos desfrutar de um momento diferente ao lado dos nossos novos amiguinhos.


No trajeto de volta deste passeio, o nosso casal de amigos comentou, para a satisfação dos enormes egos, que a Penélope era o carro mais confortável, macio e silencioso que já haviam andando numa estrada de terra esburacada. Ficaram espantados com isso. Expliquei-lhes, oportunamente, que qualquer Fusca devidamente bem cuidado e mantido, estando com pneus originais e com pressões baixas, deveria se portar daquela forma, já que é uma característica intrínseca dos besouros andar bem na terra. De fato, são os melhores carros para isso - tanto é que em qualquer cidade do interior são os preferidos por aqueles que necessitam transitar muito em estradas de chão precárias!

Como haviam algumas horas disponíveis antes da janta, e objetivando colocar um pouco mais de emoção em nosso sábado, combinamos que iríamos passear por caminhos ao redor de um pequeno lago da região, cujas estradas ao seu redor continham atoleiros de lama pegajosa e alagados para brincarmos.

No trajeto de ida a Penélope foi levando nós quatro além da gaiola no towbar. Sobremaneira na cidade, a capacidade de reboque dos Fuscas é bastante elevada, haja vista que o conjunto câmbio curto e motor com bom torque em baixa permitem o deslocamento de um peso considerável.

Chegando ao lago, o Fernandinho adentrou com a gaiola nos atoleiros. Estavam um pouco fundos, mas nada de muito diferente daquilo que esperávamos. E, já que a gaiola estava passando, decidimos brincar com a Penélope também. E lá fomos nós mergulhar a nossa valente viatura nos atoleiros e alagados, os quais superamos com uma facilidade que espantou a todos.

Infelizmente, não registramos com fotos nem o reboque da gaiola nem a transposição dos atoleiros (as vezes a gente se empolga com a conversa e com a brincadeira e esquece que a câmera está conosco para fazer as fotos que os nossos leitores tanto gostam... desculpem-nos pela falha!).

O término do sábado aconteceria num pequeno encontro de amigos organizado no Cantinho da Helo. Como mencionamos anteriormente, o local abriga alguns fusqueiros e trilheiros da turma de Borborema. A decoração do ambiente remete a esta predileção pelos besouros, sendo que, inclusive, o carro-propaganda do local é um Fusca personalizado no estilo "Ratão".



A Penélope suja devido às brincadeiras ocorridas durante o dia e as demais viaturas dos amigos do grupo.



As Gaiolas fazem sucesso na região de Borborema. Esta da foto está equipada com motor AP e tem seu uso majoritariamente no asfalto!



O Fusca personalizado ao estilo "Ratão" (Hoodride) é o cartão de visitas do Cantinho da Helo, deixando claro para todos que a predileção do pessoal são os VW Sedan!



E a decoração do ambiente corrobora a supracitada assertiva!


Vale frisar que, dentre as diversas opções do cardápio (que ostenta pratos para todos os gostos), destaca-se as grandes panquecas recheadas, todas elas ostentando grande custo-benefício. Comemos uma recheada de filé com alho, catupiry, calabresa e outras coisas mais a qual, pelo preço de aproximadamente R$ 35,00 alimentou pelo menos três pessoas!



Muitos pratos diferentes e igualmente deliciosos são oferecidos no cardápio do Cantinho da Helo! Mas, certamente, a panqueca de filé é algo que merece ser provado!


Embora a conversa estivesse muito boa, tínhamos de ir embora! Queria passar ainda no excelente Palácio do Sorvete no centro da cidade (que também oferece um produto muito bom por um preço bastante atraente) e, claro, dormir cedo, pois o domingo seria bastante cansativo: passaríamos em Bauru para visitar familiares e, no fim do dia, seguiríamos para São Paulo!

A estrada que liga Borborema a Bauru passa próximo de Ibitinga (capital do bordado), permitindo que se aproveite a oportunidade para comprar bordados bons a preços mais em conta. Também passamos pela barragem do Rio Tietê que fica próxima de Iacanga (cidade que, segundo meu pai, é a melhor cidade do país... afinal, ele viveu boa parte da infância por lá...). E, finalmente, chegamos em Bauru, uma cidade excelente do interior paulista, a qual já contribuiu muito com o desenvolvimento da nação (para quem não sabe, Bauru é terra natal do Tenente Coronel Marcos Pontes, o primeiro astronauta brasileiro, além do Coronel Ozires Silva, fundador da Embraer - além, é claro, do meu pai também...).



Viajar pelo interior de São Paulo é certeza de descobrir pelas paisagens e cidades tranquilas com excelente padrão de vida! A vantagem de estar de Fusca é poder entrar em qualquer lugar e ter a certeza de que irá voltar!



A bela barragem do Rio Tietê na estrada que liga Borborema a Iacanga - SP.



A região visitada é rica em belezas naturais e em atrativos. Um final de semana apenas é muito pouco para que tudo seja aproveitado do jeito que se deve!


O domingo encerrou-se forma muito agradável na companhia da família. E, por infortúnio, chegara a hora de partir. Afinal, seriam aproximados 340 km até São Paulo, e, como sabemos, a Rodovia Castelo Branco costuma ter engarrafamentos nos domingos a noite... o que de fato aconteceu!

Mas este detalhe de trânsito não iria estragar o final de semana fantástico que tivemos, cujo saldo se traduz em 1.000 km rodados em rodovias, estradas de terra e fora de estrada, além de muita canseira, diversão e, claro, lembranças da melhor qualidade!

Como esperado, fomos e voltamos sem nenhum tipo de contratempo, mesmo com as brincadeiras mais pesadas que aconteceram nos barrancos, erosões, atoleiros e alagados.

Com seus 40 anos de idade, a Penélope é prova inconteste de que, bem manutenidos, Fuscas são máquinas indestrutíveis e inacabáveis de fazer alegrias!

Mais fotos do passeio podem ser vistas no Facebook da Penélope!


Nos vemos na estrada.

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Encontros e Eventos: VolksClub Moóca - 460 anos do bairro

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Para comemorar os 460 anos do bairro paulistano da Moóca, o VolksClub Moóca organizou um fantástico encontro de Volkswagen refrigerados à ar! E a Penélope, claro, não poderia ficar de fora!


O dia 20 de agosto de 2016 amanheceu chuvoso. São Pedro dava a entender que tiraria o atraso das chuvas na capital paulista após algum tempo de estiagem. Nuvens carregadas pairavam sobre o céu da cidade, anunciando que a madrugada tempestuosa iria continuar sábado afora.

Contudo, até mesmo o "chefe do tempo" não teve coragem de tentar estragar o espetáculo programado para este dia, e, agindo como tivesse se rendido ao encanto dos multicoloridos exemplares da família VW Air Cooled, "Pedrão" trabalhou para que as águas prometidas não caíssem sobre o evento.

Conhecendo-nos através da publicação que contou um pouco acerca do Encontro de Fuscas do Largo São José do Belém, o VolksClub Mooca, muito gentilmente, através do seu Presidente Sr. Daniel Vittalo e do Diretor Sr. Fernando Luis, convidou-nos para participar deste evento. Obviamente, aceitamos com muita honra e alegria.

Assim, por volta das 12:00 horas do dia 20, a Penélope nos levou até à conhecida Rua dos Trilhos, n. 869. Lá já se encontravam alguns membros da diretoria do VolksClub Moóca, bem como alguns comerciantes que iniciavam a montagem de seus estandes: barraquinhas com peças de carros, adesivos, alimentação, drinks, enfim, uma satisfatória diversidade de serviços.



Um exemplar customizado dentre as várias Brasílias lá existentes. Ao fundo, aparecem alguns dos estandes, os quais forneciam alguns serviços aos visitantes.



O clima chuvoso não desencorajou os apaixonados pela família "Air Cooled": vários exemplares estiveram presentes no evento, promovendo aos expectadores um verdadeiro show.


Estacionamos a nossa viatura e começamos a passear pelo local. Como ainda havia poucos veículos, aproveitamos a deixa para comer um pastel (quem não foi perdeu uma ótima oportunidade de passar um dia divertido, saboreando um bom pastel rodeado de Fuscas e amigos).

Com o passar do tempo, mais e mais exemplares começavam a chegar. Em poucos minutos, todas as "tribos" e estilos estavam representadas: dos carros perfeitamente originais (os verdadeiros placa-preta) aos inteiramente customizados, passando pelos tradicionais German Look, Old School, Hoodride, além daqueles impossíveis de serem enquadrados em alguma tendência específica. E, como boa novidade, desta vez a turma do fora de estrada estava minimamente representada pela Penélope (diga-se de passagem, a única viatura com algum tipo de projeção para o off-road... vamos trabalhar para maximizar o número de representantes desta espécie nas próximas oportunidades!).



Veículos placa-preta ao lado dos customizados: o evento demonstrou que o ideal é sempre deixar as "rixas" de estilo de lado e valorizar todos os modelos! Afinal de contas, cada um tem o seu valor específico (e não, não estamos nos rendendo ao politicamente correto).



Um besouro rebocando uma carretinha com jet-sky e até mesmo uma espetacular Rural ao fundo: um encontro para todos os gostos e idéias possíveis!



Passeando pelo local da exposição, era comum contemplar, lado a lado, modelos representando estilos diversos, os quais contrapunham suas diferenças principais. Um verdadeiro espetáculo para qualquer "fuscomaníaco"!



Os Fuscas se integraram perfeitamente à paisagem de alguns prédios antigos da Moóca, promovendo uma verdadeira viagem ao tempo para os visitantes. Saudosismo à toda prova!



A Penélope, calçada com os pneus militares, além das cordas acopladas (para rebocar e ser rebocada em casos de atolamento) representando os Fuscas com preparação para o fora de estrada leve.



Alguns dos exemplares da Diretoria do VolksClub Moóca apresentaram-se simplesmente fantásticos, com um nível de cuidado invejável.



No transcorrer da tarde de sábado, e a cada instante, muitos visitantes e participantes chegavam. O local só não ficou completamente lotado porque muitas pessoas desistiram de comparecer devido ao mau tempo predominante na cidade.



No fim da tarde, a grande área reservada para o encontro quase ficou pequena!



Um belíssimo exemplar representou a divertida categoria de Buggy.



A chegada de novos participantes, sobremaneira aqueles mais chamativos, atraia a atenção de todos os presentes.



Karmann Ghia: para muitos, o mais belo VW já feito até hoje... representados por dois belíssimos exemplares.



Inesperadamente, e portanto com agradável surpresa, encontramos o nosso velho amigo Leco e sua inconfundível Kombi Norminha, que adentrou ao local do encontro atraindo muita atenção por estar incrivelmente rebaixada.


É interessante mencionar que, ao contrário do que muita gente pensa, não é necessário ter um Fusca simplesmente impecável, único e perfeito para participar de um evento deste tipo. Tampouco é imperioso ostentar um veículo repleto de investimentos caros e imponentes. Algo que merece se elogiado é o fato de que o VolksClub Moóca permitiu a participação de todo tipo de veículo da família VW a ar, abrindo a oportunidade para quaisquer proprietários de um destes automóveis participar ativamente da festa, tornando-a bastante agradável e atingível para a maioria das pessoas.

O fim da tarde de sábado recebeu o ápice das visitas, quando a quantidade de carros participantes praticamente lotou o local, confirmando o sucesso inquestionável do evento.

Faz-se mister ressaltar que, além da oportunidade de passar um dia diferente com estes nossos queridos bólidos, aprendendo, ensinando, trocando idéias e jogando conversa fora, boas surpresas nos são sempre reservadas neste tipo de evento, pois sempre encontramos amigos de longa data com novas e mirabolantes invenções.

Como não poderia deixar de ser, o encontro teve o seu lado social, haja vista que os alimentos recolhidos nas entradas dos veículos (2 kg por carro participante) foram encaminhados à doação para entidades beneficentes do bairro.

Nada mais justo: um bairro de tamanha qualidade como a Moóca sem dúvida alguma faz jus à belíssima homenagem prestada pelo Clube, cujo evento honrou a magnitude desta região de São Paulo!

Parabéns a todos os envolvidos, tanto os organizadores quanto os participantes!

Confira aqui as fotos completas tiradas por nossa equipe.

O Blog da Penélope Viajante agradece especialmente ao Eduardo Cremonese da Equipe da Aviação e Notícia pelo auxílio com as fotos e, como não poderia deixar de ser, ao pessoal do VolksClub Moóca pelo convite e pela iniciativa de ajudar o bairro através da coleta de alimentos! O país precisa de mais iniciativas assim!

E eu faço um agradecimento especial à esposa pela companhia de sempre. Que venham os próximos eventos!


Nos vemos na estrada!

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Viagens e Passeios: Cachoeira dos Pretos, Serra do Lopo e Pico do Lobo Guará

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Penélope no topo do Pico do Lobo Guará em Extrema - MG. Apesar do local não oferecer grandes dificuldades de acesso em dias de sol, a grande beleza da paisagem é a recompensa pela chegada ao cume!


Ainda que não consigamos fazer isso com a frequência que desejamos, sempre que plausível colocamos uma das viaturas na estrada. E, neste caso, foi a vez da Penélope! O destino seria a região do sul de Minas Gerais, que faz divisa com o São Paulo.

Para quem não conhece, esta região do sul de Minas é uma das mais fantásticas e abençoadas terras deste Brasil. Lá existem belezas naturais infindas, muita natureza, pequenas cidades e, para quem curte off-road como nós, muitas estradas de terra! Na verdade, deslocar-se por estes locais é muito mais fácil e rápido através das estradas de chão, pois elas cortam distâncias e são relativamente bem conservadas. Pode-se ir para diversas cidades de SP e de MG apenas por caminhos vicinais. Uma delícia! Estando o viajante de Fusca, então, melhor ainda: desconheço automóvel que trafega com a mesma qualidade nestes caminhos interioranos do que os nossos valentes besouros.

Logo pela manhã iniciamos a viagem para o passeio por aquelas terras abençoadas. Seguimos num diminuto comboio: a Ma e eu com a Penélope e um casal de amigos (Tati e Du) com uma valente Fiat Strada Adventure. Ainda que praticamente qualquer automóvel consiga fazer o roteiro que fizemos, é sempre melhor estar numa viatura ao menos mais alta (maior vão livre do chão).

Saindo de São Paulo (Capital), seguimos pela Rodovia Fernão Dias até Atibaia (SP), quando pegamos a Rodovia Dom Pedro até Bom Jesus dos Perdões (SP). De lá seguimos por uma bonita estrada asfaltada até Piracaia (SP), caminho pelo qual pudemos desfrutar um pouco da beleza da Represa que leva o nome da cidade. Pouco depois, chegamos na primeira parada do passeio, em Joanópolis (SP) para um rápido lanche matinal. Até então, rodamos aproximadamente 120 km em 02 horas, num ritmo adequado ao passeio.

Relativamente perto de São Paulo, Joanópolis é conhecida como a terra do lobisomem. Diz a lenda que a presença de Lobos - Guará é constante na região, o que, no passado, causou confusão nos habitantes da pequena cidade, fazendo-os afirmar que lobisomens eram visitas constantes e ilustres naquele local. Prefiro acreditar que os simpáticos joanopolenses confundiam o lobo com a suposta besta. Até porque quero rodar tranquilamente por aqueles caminhos à noite, sem me preocupar com possíveis ataques de personagens folclóricos, inclusive de zumbis...
De qualquer modo, é divertido ver a cidade caracterizada como a Cidade do Lobisomem. É possível, inclusive, tomar alguns sustos com os enfeites em tamanho real (?) que ficam espalhados por todos os cantos da cidadezinha.

Nossa primeira atração em Joanópolis foi a famosa Cachoeira dos Pretos. Distante aproximadamente 18 km do centro da cidade, chega-se até ela por uma estrada de asfalto de pista simples. No local, pagamos R$ 10,00 por carro para podermos usufruir do estacionamento. Vale mencionar que a infra-estrutura do local é boa, estando disponíveis: restaurantes, banheiros, passeios de pedalinho, passeios de jipe até o topo da cachoeira, e até mesmo passeios à cavalo. Por R$ 20,00 por pessoa, desfruta-se de quase uma hora de montaria. Optamos por esta atividade, então, quando tive a oportunidade de realizar minha cavalgada num legítimo burro (e, antes que algum infeliz membro de qualquer ParTido político venha me aborrecer com seus discursos pífios de conflitos de classes, ressalto que promovi minha montaria num animal quadrúpede de fato, e não em algum idiota-útil que ajuda a manter o status quo da podre política nacional). 



Cachoeira dos Pretos em Joanópolis: embora a imagem não deixe transparecer de forma adequada, a queda d'água é grande. Bela cachoeira!



É possível atingir facilmente as águas da cachoeira. Vale a pena colocar ao menos a mão na água para sentir uma renovação interior (e um frio absurdo nos dedos).



A Cachoeira dos Pretos oferece uma boa infra-estrutura para o visitante, inclusive com restaurante e atividades recreativas diversas, como o passeio a cavalo, que foi a nossa opção.


Após nos sentirmos como verdadeiros cavaleiros e amazonas, paramos para almoçar no restaurante O Caipirão, o qual fica na estrada que liga Joanópolis à Cachoeira dos Pretos, a aproximados 6 km do centro da cidade. A comidinha mineira estava gostosa, sendo que a mesa de pratos quentes ostentava vários opções típicas. O sistema da casa é de self-service à vontade, incluso sobremesas. O ambiente era agradável e destaco como algo extremamente positivo o fato de eles venderem Coca Cola de 1 litro de vidro! Findo o oportuno almoço, a conta para cada casal ficou em aproximados 85 reais, o que julgo ser satisfatório. Não é um excelente custo-benefício, mas, também, não é caro. Digamos que é um preço justo pelo que é oferecido.



Ambiente agradável, comida típica e Coca Cola de vidro! É sempre muito bom um almoço destes!


Na sequência, subimos para a Rampa de Voo Livre, cruzando, para isso, os caminhos da Serra do Lopo. A subida por Joanópolis é relativamente tranquila, já que possui calçamento nos pontos mais críticos. Mas sugiro ter cautela em dias de chuva: uma trilha leve pode se tornar complicada quando seu solo está molhado, ainda que o trajeto de aproximados 10 km não seja nada tão distante.

Da rampa de voo, o visual para a Represa de Piracaia é fantástico! Pode-se enxergar Joanópolis, a cidade de Piracaia, a Pedra Grande de Atibaia... passamos alguns momentos gostosos por lá. Mas, como o fim da tarde se aproximava, decidimos prosseguir com o nosso roteiro, já que ainda faltava a subida para o Pico do Lobo Guará. Considerando-se que a rampa de voo fica praticamente na divisa dos Estados (SP e MG), entre Joanópolis e Extrema, os tempos despendidos em deslocamento são relativamente curtos.



A Rampa de Voo Livre fica na divisa de São Paulo e Minas Gerais, no meio do caminho entre Joanópolis (SP) e Extrema (MG), no alto da Serra do Lopo. A vista é maravilhosa, podendo-se contemplar, em dias de sol, toda a beleza da região!


Da rampa, então, prosseguimos para Extrema (MG). A decida por este caminho é muito mais fácil do que por Joanópolis, sendo que a maior parte do caminho está calçada ou asfaltada, não apresentando maiores dificuldades mesmo num dia de chuva.

Em Extrema, seguimos pela estrada que passa pela Cachoeira do Salto, que seria outro local a ser visitado.Mas, pelo adiantado da hora, decidimos ir direto para o Pico do Lobo Guará, o qual está a aproximadamente 15 km do centro de Extrema.

O acesso a este pico se dá por estrada de terra bem conservada, com trechos asfaltados nas partes mais críticas, haja vista que existem inclinações consideráveis e curvas extremamente fechadas, condições estas que seriam complicadas para um carro 4x2 de tração dianteira se não houvesse o asfalto. Soma-se a isso o fato de existirem verdadeiros desfiladeiros para os lados, criando-se uma condição que exige atenção por parte do motorista, além de, obviamente, um carro confiável e com os freios bem conservados. Subir em primeira marcha com o giro mais elevado (na faixa de torque máximo) é importante para não forçar o motor. A porteira sinaliza que a propriedade é privada e, também, demarca a proximidade do cume. As paisagens, tanto no caminho quanto no topo do pico, são fantásticas! Pena que as habilidades fotográficas dos participantes do passeio limitem a demonstração da maravilhosa vista que pudemos contemplar!



Do topo do Pico do Lobo Guará é possível ver a Rodovia Fernão Dias, além da cidade de Extrema - MG e outras próximas. Um "prato cheio" para quem gosta de contemplar vistas assim!



Chegamos um pouco tarde no Pico do Lobo Guará, de forma que o tempo foi escasso para contemplar tamanha beleza.



A Penélope ao lado da valente Strada Adventure, que também cumpriu o roteiro do passeio com plena operacionalidade!


Como a hora já estava adiantada, o frio começava a chegar com força. O vento forte criava uma sensação térmica mais baixa do que a temperatura real, incentivando-nos a iniciar a decida para o regresso.

A primeira marcha bem reduzida do Fusca ajuda nesta hora, atuando como um potente freio motor. É imprescindível se valer deste recurso, haja vista que perder o freio por ferver o sistema, naquelas condições, não é algo nem um pouco saudável...

Após alguns instantes, já noite, chegamos na Fernão Dias, quando iniciamos efetivamente o retorno para a casa. Em menos de duas horas, já estava estacionando a Penélope na garagem.

O saldo do passeio foi extremamente positivo. Rodamos aproximadamente 350 km neste dia, entre estradas de terra e de asfalto, contemplando paisagens belas, vistas diferentes, um pouco de aventura... sempre com excelente companhia e, claro, brincando com as viaturas! Ainda que tenha sido necessário rodar grande parte do tempo com marchas reduzidas e com grandes cargas no motor e elevadas RPM, a Penélope gastou um pouco menos do que um tanque inteiro, o que considero excelente.

Mas, eu confesso. Eu já não vejo a hora de voltar para lá de novo. Agora, porém, num dia de muita chuva! Afinal de contas, a Fuca voltou limpinha demais... e ela adora se sujar no barro!



Não, caro leitor! A Fusca não está rebaixada em sua suspensão dianteira: a inclinação do local, nada desprezível, foi suficiente para baixá-la! Mas, como um pouco a mais de altura nunca é demais... quem sabe!


Nos vemos na estrada!

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Casos e Causos: Afinal, por que um carro antigo é tão especial?

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Para muitas pessoas, um carro antigo é apenas um veículo velho: não tem valor financeiro, não trás status social... apenas dá trabalho com manutenções, não é confiável, só aborrece... enfim, por aí vai a lista de depreciações de julgamentos a que são submetidos nossos queridos velhinhos. Mas lhes asseguro: pessoas assim estão redondamente enganadas!


Já não é de hoje que partes da humanidade por vezes me fazem sentir pena dos rumos da sociedade. Infelizmente, o mundo atual tornou grande parte das pessoas seres pouco pensantes, que absorvem "valores" que lhes são apresentados, sequer parando, um instante que seja, para questioná-los.

Não foram poucas as vezes que meus estimados Fuscas foram menosprezados. Ah! Como eu adoro quando isso acontece... eles sempre respondem à altura e, não raro, promovem enorme raiva naqueles preconceituosos. Afinal, quem tem um VW Sedan sabe do que eles são capazes!



A Ma pilotando a Penélope na Trilha da Placa, em Cajamar - SP. Sim, um 4x2 sobe até lá! E com a "patroa" no comando. Entregar a "xodó" para a então namorada pilotá-la na trilha só poderia resultar mesmo em casamento. Histórias e mais histórias...


A grande verdade é que enquanto algumas pessoas preferem a imagem que um caro automóvel zero-quilômetro transmite, outros preferem viver a experiência que somente um bólido que tem muitos anos de vivência com você podem proporcionar. E esta oportunidade pode ser deliciosamente marcante.

Quer uma prova? Venha comigo...

Nos começo de 2013 eu já estava bastante afastado da atividade aérea. Os finais de semana acrobáticos estavam se tornando raros e, portanto, estava indo muito pouco para Itu, sede dos meus muitíssimos queridos amigos do Bazaia Aerobatic Team, gente da mais alta estirpe da acrobacia aérea nacional, responsáveis por me inserir no maravilhoso universo do "voar de cabeça para baixo".

Contudo, naquele final de semana algo diferente aconteceria: a Ma, então namorada (hoje minha esposa), havia me convidado para passar o sábado e domingo na casa dos pais dela em Araçoiaba da Serra, cidade próxima de Itu. Por questões de compromissos particulares, ela apenas estaria em casa à noite. Resolvi, então, aproveitar a oportunidade da viagem para passar um tempo com o pessoal da aviação, afinal de contas, ficar afastado dos pássaros metálicos e sua respectiva turma de aviadores costuma me fazer mal.

Após um dia de conversas aviatórias, encerramos aquele momento especial com um voo para ficar marcado em nossas memórias. Beto, meu grande amigo e instrutor de acrobacias, convidou-me para fazermos um treino com os Super Decathlon. Liberados pelo "chefe" (meu grande mestre Tike Bazaia, proprietário das aeronaves), iniciamos os preparativos para a decolagem. Estávamos nos aproximando do fim do dia, o que nos proporcionou um espetáculo visual maravilhoso: ao por do sol, dois Decathlons bailando pelos céus, com seus pilotos empenhados em fazer aquilo que mais amam no mundo - transformar seus sentimentos em belas e ousadas manobras pelo céu, explorando as três dimensões do universo! Não tenho a menor dúvida: por tudo o que significou, foi um dos vôos mais fantásticos de minha vida!



Passagem baixa na faca com o Deca! Técnicas ensinadas pelos mestres, e cuja manobra é marca registrada da grife Bazaia!



Beto liderando e eu na ala. Voar, ainda mais neste cenário, com estes amigos e estes aviões é algo simplesmente indescritível!


Após o pouso, confraternizamo-nos por alguns instantes, quando percebi que, pelo adiantado da hora, precisava iniciar o deslocamento para Araçoiaba da Serra.

Enquanto prosseguíamos pela estrada - a Penélope e eu - fui traçando em minha cabeça a "rota" que me fora explicada: precisaria encontrar o condomínio com as instruções que me foram passadas... e já era noite! Alia-se a isso a preocupação e vergonha de passar um final de semana com seus sogros pela primeira vez e, não sem motivos, teremos todos os ingredientes para um justificado nervosismo. Mas minha Fuca, grande companheira e amiga, tentava me distrair durante o deslocamento, como se estivesse a me acalmar. E naquele badalar gostoso que só o motor Boxer refrigerado a ar possui fui desfrutando do prazer diferenciado que é guiar um antigo pela rodovia.

Chegando em Araçoiaba, prossegui pela estrada que julgava ser a correta, parando para obter informações em todos os condomínios residenciais existentes no caminho. Até que, por fim, cheguei na entrada do Clube da Pró-Vida. Estacionei o carro e pensei comigo: "bom, a estrada é esta... mas como farei para achar o residencial correto?". Foi quando meu sogro estacionou do meu lado, informando que havia acabado de deixar a Ma para sua aula. Ufa! Não estava mais tão perdido. Claro, foi fácil me achar: um Fusca vermelho chama bastante atenção mesmo!

Passados alguns instantes de maior timidez, já sentia-me da família (previsão esta confirmada recentemente com o casório) e então relaxei um pouco. Mais tarde, a Ma chegou e, na sequência, dormimos para aproveitar melhor a aguardada manhã que estava por vir.

No dia seguinte, um outro momento bacana aconteceu: levamos, a Ma e eu, a nossa sobrinha "figurinha" - que na época tinha por volta de três anos de idade - para andar de Penélope. Colocando-a em meu colo, deixei que ela segurasse a direção, permitindo-a conduzir um pouco o carrinho. Também passamos um pouco mais rápido em algumas lombadas, para o deleite da garotinha que se divertia como se estivesse numa montanha russa.

Acredito que isso tenha a marcado de alguma forma, pois, dois anos depois, quando estava vendendo alguns carros para os ajustes pré-casamento, ela chegou a mim e disse, tristonha: "Rodrigo, você não vai vender o Fuca, né?!". - "Claro que não, meu anjo!", respondi emocionado. E ela, vez ou outra, recorda-se de que já dirigiu um carro... e este carro foi a Penélope. Já pararam para pensar quantas pessoas não dirigiram pela primeira vez através dos volantes deste meu besouro?



Penélope acompanhando a turma de 4x4 num passeio por Cajamar - SP. O ex-Troller Sansão da Krika e do Cris, e a valente Explorer do Fernando e da Clarice. Foi a primeira vez que a Ma pilotou um Fusca numa trilha off road! Momentos memoráveis!


Até então, havia sido a última vez que fui com a Penélope para Araçoiaba... mas muitos momentos memoráveis estavam gravados para sempre nas minhas recordações.

Alguns anos se passaram. Mais precisamente, em torno de três anos...

Marcamos de passar um final de semana em Araçoiaba. Fazia um bom tempo que não íamos para lá e realmente estávamos precisando relaxar.

Conversei com a Ma e decidimos ir de Penélope para testar o desempenho na estrada dos pneus militares.

A viagem, como sempre, transcorreu de forma tranquila. Chegamos em Araçoiaba no fim do dia. Enquanto fazia o retorno para acessar aquela estradinha do início do texto, uma verdadeira retrospectiva passou por minha cabeça.

Lembrei-me do início do namoro com a Má. Agora estávamos casados, iniciando nossas vidas juntos há pouco tempo. A Penélope, que algumas vezes nos levou passear a noite, no princípio do namoro, levara-me até Araçoiaba naquele que seria o primeiro de muitos finais de semana por lá. A Fusquinha também ajudou a abrilhantar o nosso casamento, levando-nos para o nosso lar pela primeira vez após a cerimônia. De certo modo, em muitos e importantes momentos de nossas vidas este carro estava conosco.

Agora, transportava-nos em segurança para aquele reduto de paz que tanto gostamos... incrível como de fato este besouro está sempre presente em trechos importantes e marcantes das nossas vidas!

Como não podia de deixar de ser, recordei-me daquele último voo especial, e de tudo o que passei para chegar até aquele nível de pilotagem, o qual possuía na ocasião. Dos amigos aeronautas. Dos campeonatos de acrobacia. Da correria da vida aviatória mesclada com a faculdade, com o trabalho na empresa... lembrei do momento em que precisei deixar os aviões um pouco de lado... do quanto eles fazem falta em minha vida... um verdadeiro filme passou em minha cabeça naquele curto instante.

Veio a minha mente, também, tudo o que havíamos passado desde então, os caminhos percorridos, as coisas boas, as coisas ruins... surpresas agradáveis e desagradáveis as quais, naquela primeira viagem, jamais poderiam ser previstas. Tudo isso iniciado por um simples retorno, o qual havia sido realizado daquele mesmo jeito há aproximados três anos...



Na primeira vez que a Penélope esteve em Araçoiaba da Serra, a nossa sobrinha viveu a - nova - experiência de andar de Fusca. Nesta segunda vez, a prerrogativa foi do cunhado, que inclusive dirigiu a Penélope! E logo será a vez do novo sobrinho, que certamente estará, em breve, fazendo trilhas conosco!


Tantas e tantas memórias vieram-me à tona naquele retorno que, naquele instante, decidi que precisava escrever sobre isso, compartilhando estas emoções com os amigos.

Sei que as vezes cuidar de um carro antigo não é fácil. Eles exigem mais cuidados, sobremaneira quando são utilizados em seu limite.

Não raro eles nos deixam um pouco sem paciência, já que a correria absurda do dia a dia nos impede de dedicar-lhes a atenção necessária.

Mas uma coisa eu tenho certeza: é impossível um carro recém comprado lhe trazer tamanha emoção em uma coisa tão simples quanto um retorno de estrada.

E é por isso que um carro antigo é tão especial: ele se torna parte da sua vida, muitas vezes sendo um dos personagens principais da história que escrevemos juntos.

Um carro novo pode custar alguns milhares de reais. Manter o carro antigo pode ser até mais caro do que isso...

Mas, indubitavelmente, sentimentos como aquele que senti, o qual tentei materializá-los, ao menos um pouco, neste texto, não tem preço! Por infortúnio, falta-me capacidade para escrever tudo aquilo o que gostaria de transmitir-lhes. Nem sei se é possível fazê-lo através de palavras.

Portanto, para você que não entende o que significa ter um carro antigo, o qual esteja há muitos anos com você, solicitar-lhe-ei minhas sinceras escusas. Não poderei demonstrar-lhe, em narrativas, o que isso significa! Convido-o, entretanto, a experimentar estas sensações que somente as memórias vividas com um mesmo carro lhe podem proporcionar.

Juntos, tenho a certeza que escreverão histórias inesquecíveis... mesmo que elas não façam sentido para ninguém, como acredito que esta não os fará.

Mas isso pouco importa. Afinal, a verdadeira beleza da poesia não está nos olhos de quem as lê, mas, sim, no coração de quem as escreve!


Nos vemos na estrada!

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