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Dicas Técnicas: Transporte de cargas no rack e/ou bagageiro de teto

4 comentários

Transportar grandes objetos em carros pequenos é uma tarefa normalmente complicada. Sobremaneira quando a viatura em questão é o nosso amado e apertado VW Sedan. Mas calma! Afinal, para (quase) tudo existe uma solução!


Embora não pareça, e ainda que extremamente pequeno por dento, o Fusca é relativamente grande por fora (pouco mais do que 4 metros de comprimento, maior do que muitos carros populares de hoje). É o exemplo perfeito de um péssimo aproveitamento de espaço (na contrapartida, sua prima Kombi é exatamente o oposto: o pleno aproveitamento volumétrico de um carro).

Assim, não raro, nós, os estimados proprietários dos besouros, deparamo-nos com a nem sempre grata missão de termos de inovar em nossas metodologias cotidianas para a alocação de cargas diversas. Por vezes, literalmente criamos novos espaço em nossos bólidos... Afinal, viajar com bagagem limitada é algo ruim, ao meu entender. Bom mesmo é levar tudo o que queremos e mais um pouco (por garantia)...

Destarte, para esta árdua missão (de levar a "mudança"), eu particularmente adoro as carretinhas: elas são utensílios fantásticos, pois transforam qualquer carro num pequeno caminhãozinho. Todavia, para quem não gosta andar com reboques, uma alternativa extremante viável são os racks e/ou bagageiros de teto.



O Barrinho ostentava um par de reforçados racks de teto da Week End, excelentes para carregar peças compridas e pesadas que dispensam um plano de apoio de grande área (caiaques, pequenos barcos de alumínio, escadas, etc).


A diferença básica entre um rack e um bagageiro está em objetivo principal (e, por conseguinte, em sua forma): enquanto os racks normalmente são constituídos de duas ou mais barras dispostas transversalmente no teto do carro (na maioria dos casos destinado ao transporte de objetos maiores e/ou compridos e eventualmente pesados), os bagageiros são dispositivos um pouco mais elaborados, destinados a receber cargas normalmente menores, como bagagens (não diga!), malas, enfim, apetrechos que precisam ser acomodados em algum tipo de suporte e necessitam de um plano de apoio.

Escolher entre um rack e um bagageiro não é tarefa das mais simples, pois cada um tem suas vantagens e desvantagens. Existe, também (para dificultar ainda mais a escolha), um grande diferencial estético, já que os racks geralmente deixam o carro com uma aparência mais parruda e rústica, enquanto que os bagageiros normalmente agregarão um "ar" mais nostálgico e clássico ao VW Sedan.

O ideal, obviamente, é ponderar os ganhos e perdas (trade-off), tentando definir qual será o uso majoritário do acessório, de forma a optar por aquele que for ser mais utilizado, sem deixar de considerar o gosto pessoal e a preferência estética, sempre que plausível (costumo valorizar mais a utilidade do que a aparência).



Bagageiros de teto combinam muito com o Fusca, já que são acessórios clássicos. Entretanto, os produtos deste tipo vendidos no mercado atualmente costumam suportar cargas menores que bons racks, sendo mais adequados à alocação de malas, pequenos objetos e coisas afins, os quais necessitam de um plano de apoio para o seu transporte, mas não são extremamente pesados.


Contudo, independentemente do dispositivo escolhido (rack ou bagageiro), algumas observações técnicas e legais são sempre válidas, e devem ser analisadas em ambos os casos.

Primeiramente, faz-se mister ressaltar que os Fuscas e derivados possuem uma carroceria confeccionada em chapa mais grossa do que as atuais. Portanto, os racks e bagageiros que são fixados em suas calhas de teto, desde que sejam produtos de qualidade, certamente suportarão uma quantidade surpreendente de peso, haja vista que a lataria do besouro é robusta o suficiente para isso.

Também é imperioso frisar que, ao carregar algo pesado sobre o teto do carro, há uma perceptível perda de estabilidade devido à elevação do centro de gravidade (CG) do conjunto, além, é claro, da majoração da inércia total do veículo.

Nunca é demais ressaltar que, estando o veículo leve, e sendo o objeto transportando de grande área frontal e lateral, haverá a ampliação dos efeitos do arrasto aerodinâmico e dos ventos laterais, respectivamente, implicando na necessidade de se reduzir a velocidade e de se maximizar a atenção na direção (o consumo de combustível também aumenta, sobremaneira na estrada).

Para uma viagem tranquila, é fundamental prender bem a carga no teto da viatura através de cordas (com nós adequados) e/ou catracas, dedicando-se especial atenção ao travamento longitudinal do objeto, uma vez que a frenagem exerce sobre ele uma força nada desprezível. 

Devido à importância dos preceitos legais para que sejam evitadas confusões desnecessárias, urge-nos dissertar acerca de alguns aspectos normativos do transporte de objetos sobre o carro.



A ilustração acima serve como auxílio de instrução das explanações a seguir.


Existem diversas resoluções do CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito) que tratam do transporte de cargas no teto (rack ou bagageiro) de veículos de passeio, camionetes e utilitários, como, por exemplo, a Resolução 210 e a Resolução 349 (acessáveis na íntegra ao se clicar sobre as mesmas, respectivamente).

Porém, podemos resumir aquelas mais aplicáveis ao assunto discutido neste certame nas seguintes assertivas, materializando as exigências normativas nos seguintes aspectos, considerando-se o objeto transportado:

1. Limite dianteiro: não pode ultrapassar o para-choque dianteiro.
2. Limites laterais: não pode ultrapassar a largura do teto;
3. Limite de altura: não pode ultrapassar 50 centímetros acima do teto (Y ≤ 50 cm);
4. Limite traseiro: pode ultrapassar um pouco o pára-choque traseiro; limitado este excesso a, no máximo, 60% da medida do entre-eixos, medido a partir do eixo traseiro (B ≤ 0,6 x A), e desde que o seu limite esteja demarcado por sinalização noturna e refletivo (no ponto mais externo).

Quem necessita transportar objetos que não se enquadrem nas diretrizes supracitadas, poderá se valar de uma Autorização Especial de Trânsito (AET). Nesta condição, o objeto poderá exceder até um (01) metro o pára-choque dianteiro e atingir uma altura de até 4,4 metros (do chão a parte mais alta da carga). Caso seja necessário emitir a AET, é possível fazê-la através do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) em www.dnit.gov.br.

Por fim, nunca é demais ressaltar que, dependendo da quantidade total de carga alocada sobre o valente brinquedo, haverá a ocorrência esforços consideráveis. Deste modo, é oportuno sugerir a leitura de um artigo técnico do blog da Penélope, que trata sobre os macetes para se utilizar ao máximo da elevada capacidade utilitária do Fusca (clique aqui para ler o imprescindível texto).

Com as leituras técnicas, normativas e legais em dia, e com todas noções básicas assimiladas, é hora de partir para a pista!


Nos vemos na estrada!

4 comentários :

  1. Sempre passando informações úteis para os seguidores do blog. Muito bom.

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    1. Obrigado pela visita constante, pela força e pela amizade Fé. Mesmo você tendo abandonado a idéia do Fusca e ter voltado para os maravilhosos 4x4 kkkkk

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    2. Obrigado pela visita constante, pela força e pela amizade Fé. Mesmo você tendo abandonado a idéia do Fusca e ter voltado para os maravilhosos 4x4 kkkkk

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