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Casos e Causos: Afinal, por que um carro antigo é tão especial?

2 comentários

Para muitas pessoas, um carro antigo é apenas um veículo velho: não tem valor financeiro, não trás status social... apenas dá trabalho com manutenções, não é confiável, só aborrece... enfim, por aí vai a lista de depreciações de julgamentos a que são submetidos nossos queridos velhinhos. Mas lhes asseguro: pessoas assim estão redondamente enganadas!


Já não é de hoje que partes da humanidade por vezes me fazem sentir pena dos rumos da sociedade. Infelizmente, o mundo atual tornou grande parte das pessoas seres pouco pensantes, que absorvem "valores" que lhes são apresentados, sequer parando, um instante que seja, para questioná-los.

Não foram poucas as vezes que meus estimados Fuscas foram menosprezados. Ah! Como eu adoro quando isso acontece... eles sempre respondem à altura e, não raro, promovem enorme raiva naqueles preconceituosos. Afinal, quem tem um VW Sedan sabe do que eles são capazes!



A Ma pilotando a Penélope na Trilha da Placa, em Cajamar - SP. Sim, um 4x2 sobe até lá! E com a "patroa" no comando. Entregar a "xodó" para a então namorada pilotá-la na trilha só poderia resultar mesmo em casamento. Histórias e mais histórias...


A grande verdade é que enquanto algumas pessoas preferem a imagem que um caro automóvel zero-quilômetro transmite, outros preferem viver a experiência que somente um bólido que tem muitos anos de vivência com você podem proporcionar. E esta oportunidade pode ser deliciosamente marcante.

Quer uma prova? Venha comigo...

Nos começo de 2013 eu já estava bastante afastado da atividade aérea. Os finais de semana acrobáticos estavam se tornando raros e, portanto, estava indo muito pouco para Itu, sede dos meus muitíssimos queridos amigos do Bazaia Aerobatic Team, gente da mais alta estirpe da acrobacia aérea nacional, responsáveis por me inserir no maravilhoso universo do "voar de cabeça para baixo".

Contudo, naquele final de semana algo diferente aconteceria: a Ma, então namorada (hoje minha esposa), havia me convidado para passar o sábado e domingo na casa dos pais dela em Araçoiaba da Serra, cidade próxima de Itu. Por questões de compromissos particulares, ela apenas estaria em casa à noite. Resolvi, então, aproveitar a oportunidade da viagem para passar um tempo com o pessoal da aviação, afinal de contas, ficar afastado dos pássaros metálicos e sua respectiva turma de aviadores costuma me fazer mal.

Após um dia de conversas aviatórias, encerramos aquele momento especial com um voo para ficar marcado em nossas memórias. Beto, meu grande amigo e instrutor de acrobacias, convidou-me para fazermos um treino com os Super Decathlon. Liberados pelo "chefe" (meu grande mestre Tike Bazaia, proprietário das aeronaves), iniciamos os preparativos para a decolagem. Estávamos nos aproximando do fim do dia, o que nos proporcionou um espetáculo visual maravilhoso: ao por do sol, dois Decathlons bailando pelos céus, com seus pilotos empenhados em fazer aquilo que mais amam no mundo - transformar seus sentimentos em belas e ousadas manobras pelo céu, explorando as três dimensões do universo! Não tenho a menor dúvida: por tudo o que significou, foi um dos vôos mais fantásticos de minha vida!



Passagem baixa na faca com o Deca! Técnicas ensinadas pelos mestres, e cuja manobra é marca registrada da grife Bazaia!



Beto liderando e eu na ala. Voar, ainda mais neste cenário, com estes amigos e estes aviões é algo simplesmente indescritível!


Após o pouso, confraternizamo-nos por alguns instantes, quando percebi que, pelo adiantado da hora, precisava iniciar o deslocamento para Araçoiaba da Serra.

Enquanto prosseguíamos pela estrada - a Penélope e eu - fui traçando em minha cabeça a "rota" que me fora explicada: precisaria encontrar o condomínio com as instruções que me foram passadas... e já era noite! Alia-se a isso a preocupação e vergonha de passar um final de semana com seus sogros pela primeira vez e, não sem motivos, teremos todos os ingredientes para um justificado nervosismo. Mas minha Fuca, grande companheira e amiga, tentava me distrair durante o deslocamento, como se estivesse a me acalmar. E naquele badalar gostoso que só o motor Boxer refrigerado a ar possui fui desfrutando do prazer diferenciado que é guiar um antigo pela rodovia.

Chegando em Araçoiaba, prossegui pela estrada que julgava ser a correta, parando para obter informações em todos os condomínios residenciais existentes no caminho. Até que, por fim, cheguei na entrada do Clube da Pró-Vida. Estacionei o carro e pensei comigo: "bom, a estrada é esta... mas como farei para achar o residencial correto?". Foi quando meu sogro estacionou do meu lado, informando que havia acabado de deixar a Ma para sua aula. Ufa! Não estava mais tão perdido. Claro, foi fácil me achar: um Fusca vermelho chama bastante atenção mesmo!

Passados alguns instantes de maior timidez, já sentia-me da família (previsão esta confirmada recentemente com o casório) e então relaxei um pouco. Mais tarde, a Ma chegou e, na sequência, dormimos para aproveitar melhor a aguardada manhã que estava por vir.

No dia seguinte, um outro momento bacana aconteceu: levamos, a Ma e eu, a nossa sobrinha "figurinha" - que na época tinha por volta de três anos de idade - para andar de Penélope. Colocando-a em meu colo, deixei que ela segurasse a direção, permitindo-a conduzir um pouco o carrinho. Também passamos um pouco mais rápido em algumas lombadas, para o deleite da garotinha que se divertia como se estivesse numa montanha russa.

Acredito que isso tenha a marcado de alguma forma, pois, dois anos depois, quando estava vendendo alguns carros para os ajustes pré-casamento, ela chegou a mim e disse, tristonha: "Rodrigo, você não vai vender o Fuca, né?!". - "Claro que não, meu anjo!", respondi emocionado. E ela, vez ou outra, recorda-se de que já dirigiu um carro... e este carro foi a Penélope. Já pararam para pensar quantas pessoas não dirigiram pela primeira vez através dos volantes deste meu besouro?



Penélope acompanhando a turma de 4x4 num passeio por Cajamar - SP. O ex-Troller Sansão da Krika e do Cris, e a valente Explorer do Fernando e da Clarice. Foi a primeira vez que a Ma pilotou um Fusca numa trilha off road! Momentos memoráveis!


Até então, havia sido a última vez que fui com a Penélope para Araçoiaba... mas muitos momentos memoráveis estavam gravados para sempre nas minhas recordações.

Alguns anos se passaram. Mais precisamente, em torno de três anos...

Marcamos de passar um final de semana em Araçoiaba. Fazia um bom tempo que não íamos para lá e realmente estávamos precisando relaxar.

Conversei com a Ma e decidimos ir de Penélope para testar o desempenho na estrada dos pneus militares.

A viagem, como sempre, transcorreu de forma tranquila. Chegamos em Araçoiaba no fim do dia. Enquanto fazia o retorno para acessar aquela estradinha do início do texto, uma verdadeira retrospectiva passou por minha cabeça.

Lembrei-me do início do namoro com a Má. Agora estávamos casados, iniciando nossas vidas juntos há pouco tempo. A Penélope, que algumas vezes nos levou passear a noite, no princípio do namoro, levara-me até Araçoiaba naquele que seria o primeiro de muitos finais de semana por lá. A Fusquinha também ajudou a abrilhantar o nosso casamento, levando-nos para o nosso lar pela primeira vez após a cerimônia. De certo modo, em muitos e importantes momentos de nossas vidas este carro estava conosco.

Agora, transportava-nos em segurança para aquele reduto de paz que tanto gostamos... incrível como de fato este besouro está sempre presente em trechos importantes e marcantes das nossas vidas!

Como não podia de deixar de ser, recordei-me daquele último voo especial, e de tudo o que passei para chegar até aquele nível de pilotagem, o qual possuía na ocasião. Dos amigos aeronautas. Dos campeonatos de acrobacia. Da correria da vida aviatória mesclada com a faculdade, com o trabalho na empresa... lembrei do momento em que precisei deixar os aviões um pouco de lado... do quanto eles fazem falta em minha vida... um verdadeiro filme passou em minha cabeça naquele curto instante.

Veio a minha mente, também, tudo o que havíamos passado desde então, os caminhos percorridos, as coisas boas, as coisas ruins... surpresas agradáveis e desagradáveis as quais, naquela primeira viagem, jamais poderiam ser previstas. Tudo isso iniciado por um simples retorno, o qual havia sido realizado daquele mesmo jeito há aproximados três anos...



Na primeira vez que a Penélope esteve em Araçoiaba da Serra, a nossa sobrinha viveu a - nova - experiência de andar de Fusca. Nesta segunda vez, a prerrogativa foi do cunhado, que inclusive dirigiu a Penélope! E logo será a vez do novo sobrinho, que certamente estará, em breve, fazendo trilhas conosco!


Tantas e tantas memórias vieram-me à tona naquele retorno que, naquele instante, decidi que precisava escrever sobre isso, compartilhando estas emoções com os amigos.

Sei que as vezes cuidar de um carro antigo não é fácil. Eles exigem mais cuidados, sobremaneira quando são utilizados em seu limite.

Não raro eles nos deixam um pouco sem paciência, já que a correria absurda do dia a dia nos impede de dedicar-lhes a atenção necessária.

Mas uma coisa eu tenho certeza: é impossível um carro recém comprado lhe trazer tamanha emoção em uma coisa tão simples quanto um retorno de estrada.

E é por isso que um carro antigo é tão especial: ele se torna parte da sua vida, muitas vezes sendo um dos personagens principais da história que escrevemos juntos.

Um carro novo pode custar alguns milhares de reais. Manter o carro antigo pode ser até mais caro do que isso...

Mas, indubitavelmente, sentimentos como aquele que senti, o qual tentei materializá-los, ao menos um pouco, neste texto, não tem preço! Por infortúnio, falta-me capacidade para escrever tudo aquilo o que gostaria de transmitir-lhes. Nem sei se é possível fazê-lo através de palavras.

Portanto, para você que não entende o que significa ter um carro antigo, o qual esteja há muitos anos com você, solicitar-lhe-ei minhas sinceras escusas. Não poderei demonstrar-lhe, em narrativas, o que isso significa! Convido-o, entretanto, a experimentar estas sensações que somente as memórias vividas com um mesmo carro lhe podem proporcionar.

Juntos, tenho a certeza que escreverão histórias inesquecíveis... mesmo que elas não façam sentido para ninguém, como acredito que esta não os fará.

Mas isso pouco importa. Afinal, a verdadeira beleza da poesia não está nos olhos de quem as lê, mas, sim, no coração de quem as escreve!


Nos vemos na estrada!

2 comentários :

  1. Rodrigo você é o dono que todo Fusca sonha ter kkk vai gostar de fusca assim 4x4 vezes meu kkk e o pior você acaba contagiando a gente com suas histórias, ensinamentos e causos. Parabéns deliciosa leitura.

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    1. Kkkkk que bom que acha isso Fé. E saiba que você é daqueles amigos que todos gostariam de ter. Que venham mais passeios legais!!

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