PENÉLOPE VIAJANTE

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Casos e Causos: A infinita sabedoria dos Fuscas

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Em que pese o Barrinho normalmente servir como uma máquina de fazer alegria, por vezes ele aprontava alguma arte que me deixava furioso. Mas, passado algum tempo, eu entendia que o episódio que eu considerava ruim era, na verdade, algo muito positivo...


O ano de 2012 não estava sendo muito bom para mim.

A crise social vivida pelo Brasil me torturava dia e noite: eu não conseguia conviver direito com a ideia de que nosso país estava se auto-destruindo por absoluta culpa de seu povo. Por consequência, estava me distanciando de pessoas outrora queridas porque elas decidiram se enveredar pelo caminho da ignorância, tornando-se idiotas úteis, verdadeiros mentecaptos que ajudavam a mergulhar a nação num mar de lama cada vez mais fundo. Sei que cada povo tem o governo que merece (e vice versa) e que isso é um processo de retroalimentação infindável para o completo caos, mas aceitar que este seria o futuro da nação que carrega a bandeira que eu havia jurado proteger, com o sacrifício da própria vida se fosse, não era algo tão fácil.

A minha tão amada aviação estava ficando cada vez mais distante. Tudo parecia de cabeça para baixo em minha vida (e isso porque ver o mundo literalmente de pernas para o ar era algo relativamente íntimo da minha pessoa). Para ajudar, tive um péssimo aniversário...

Enfim, tudo estava indo de mal a pior naquele longínquo ano de 2012.

Nem mesmo o Barrinho estava conseguindo me ajudar. Ele bem que havia tentado, levando a Má e eu (na época apenas amigos) para um passeio com a turma na Trilha da Placa no feriado de carnaval, talvez iniciando algo imperceptível na ocasião. Mesmo assim, parecia que nada salvaria aquele ano (mal sabia ele, e tampouco nós, que este passeio seria como uma semente plantada para ser colhida alguns tempo depois, trazendo como frutos então futuros este nosso fantástico atual momento presente!).



Trabalhando pesado durante a semana e passeando (trilhando!) nos finais de semana, o valente Barrinho certamente participou de alguns momentos bons e importantes de minha vida!


Os dias paulatinamente iam se sucedendo, trazendo consigo novas surpresas desagradáveis. Foi, sem dúvida alguma, uma época difícil, repleta de desilusões, reflexões, pensamentos... e, claro, muito aprendizado.

Foi quando o feriado de 7 de setembro (que caiu numa sexta-feira) criou a oportunidade de um pequeno final de semana prolongado. A nossa família decidiu ir para Borborema (para variar) para desfrutar de alguns momentos de lazer e descanso.

E eu realmente precisava de algo para me distrair.

No passado, eu tinha os aviões para renovar minhas energias. Naquele ano, contudo, praticamente não tive contato com os pássaros alados, o que, certamente, contribuiu sobremaneira para a minha condição de mero "zumbi", vagando meio que sem rumo pela Terra.

Diante de tudo isso, decidi que eu iria com o Barrinho para Borborema. Queria ter um pouco de contato com a natureza, passeando pelas estradas da região com o meu valente amigo cujo coração é refrigerado a ar.

Malas prontas e partimos todos para o aguardado feriado, que para mim teria um sabor especial de aguardada calmaria, sendo um porto seguro diante das tempestades que me circundavam.

Meu pai decidira abandonar o conforto do maravilhoso Astra CD do meu irmão, que levaria a nossa família, para ir comigo de Barrinho, enquanto que a namorada do Diego (o irmão do Astra), e sua respectiva querida família, iria integrar o comboio com outro veículo.

Estávamos viajando na Rodovia dos Bandeirantes, a aproximadamente 120 km/h quando bruscas e repentinas falhas de motor aconteceram. O carro começou a emitir estouros pelo escapamento. Instintivamente, tirei o pé do acelerador, deixando a velocidade diminuir um pouco. Na sequência, voltei a acelerar novamente, de forma mais suave e gradual. Pareceu-me que o problema havia se estabilizado.

O Barrinho, como os nossos estimados leitores sabem, era o mais resistente e polivalente Fusca que eu já tive. Ele rodava para todos os lugares a trabalho na nossa empresa e não costumava nos deixar na mão, mesmo quando explicitamente forçado além do limite. Com este grande nível de confiança na máquina, decidi prosseguir viagem, certo da valentia deste meu amigo.

Chegando em Borborema, mesmo sabendo que as condições mecânicas do besouro não eram as ideais, decidi ir passear um pouco nas estradas de terra da região. Eu realmente precisava daqueles tão aguardados momentos no meio do nada!



A região de Borborema reserva surpresas naturais agradáveis, por vezes desconhecidas, como a relatada no último passeio da Penélope por lá.


Foi quando começaram novamente as falhas, desta vez mais severas. Optei por regressar para a cidade (tudo em Borborema é perto para quem é da capital), de modo que, no dia seguinte pela manhã (sábado), procuraria algum mecânico para me ajudar a entender o que estava acontecendo.

Por infortúnio, no regresso para a cidade o Barrinho ficou sem freio. Pane no cilindro mestre!

Não preciso dizer que fiquei inconsolável: um dos Fuscas mais confiáveis e valentes que já vi na vida resolveu ficar parado na garagem, impondo-me duas panes ao mesmo tempo!

É oportuno mencionar que estes nossos carrinhos possuem uma personalidade realmente forte: se eles querem andar, nada os detém, nem mesmo alguns obstáculos que parecem ser intransponíveis. Na contrapartida, quando eles decidem ficar quietos em seu lugar, não há o que os faça mudar de ideia...

No sábado pela manhã, como havia planejado, parti em busca de alguém para mexer na viatura. De fato, eu não aceitava a ideia de que tinha ido até Borborema com o Barrinho para andar na terra e isso não seria possível devido a um mero capricho dele próprio!

Após chegarmos na oficina mecânica, o problema das graves falhas, que eu julgava ser o mais grave e complicado, fora resolvido com relativa rapidez: as engrenagens do eixo do distribuidor não estavam acoplando de modo correto, fazendo com que o distribuidor saltasse de sua posição (por isso os estouros repentino). Problema solucionado alocando-se uma arruela de calço no distribuidor. Alegrei-me de imediato!

Contudo, naquele final de semana os astros do Universo se uniram e se alinharam de tal forma que, por mais incrível que possa parecer, numa cidade na qual os Fuscas são vistos aos montes, trabalhando pesado no dia a dia da roça, não havia nenhuma loja aberta que dispusesse do tão comum cilindro mestre do VW Sedan!

Era realmente difícil de acreditar: além de não conseguir utilizar o carro como uma remédio anti-estresse, precisaria deixá-lo na cidade para buscá-lo em outro final de semana, quando a peça estivesse disponível! O que era para desestressar acabou se tornando um estresse incalculável!

Meio que em estado de choque, completamente incrédulo no que estava ocorrendo, voltei para a casa que havíamos alugado para o final de semana. Parei o Barrinho na garagem e deitei na cama do quarto no qual estava alocado. Encontrava-me tão desanimado com a inacreditável ocorrência que resolvi passar o resto do final de semana dormindo, embora tudo o que eu realmente queria era acordar daquele verdadeiro pesadelo.

Em tentativa de consolo, restou-me procurar na internet alguma causa plausível para todos aqueles problemas repentinos. Não era possível: um carro que rodava milhares de quilômetros no mês, e que apesar do uso extremo recebia cuidados preventivos e corretivos a cada 3.000 km, não podia simplesmente sofrer duas panes graves ao mesmo tempo! Eu precisava debruçar sobre literaturas, textos, experiências, vídeos, enfim, qualquer coisa que justificasse minimamente a probabilidade de ocorrência destes reveses.

Impossível não se sentir mal com tanta coisa desagradável acontecendo em um curto espaço de tempo: onde será que eu estava errando tanto na minha vida?

Desesperado por respostas que me acalmasse, descobri, sem querer, que a Esquadrilha da Fumaça faria uma apresentação no domingo, 09/09/2012, na cidade vizinha de Itápolis.

Ora, considerando-se que o final de semana para mim estava perdido, não custava nada rodar menos de 30 km na esperança de tentar desfrutar de alguns momentos de verdadeiro relaxamento mental.

Assim, no domingo, saímos todos mais cedo de Borborema para o regresso a São Paulo, aproveitando para passar em Itápolis e ver o show da nossa Esquadrilha.

Não tenho a menor dúvida de que aquele foi o melhor show da Fumaça que assisti nos tempos recentes. A Esquadrilha voou mais baixo e mais perto do público do que era o praxe na ocasião, realizando aquela que, para mim, certamente foi a mais bela das apresentações na era dos T-27 Tucano pós-retorno (com a pintura nas cores da bandeira).





Os vídeos acima mostram um pouco do que foi aquele show! Infelizmente eles (os vídeos) não conseguem demonstrar de verdade o que aconteceu e muito menos o que sentiram todos aqueles que lá estavam...


Até hoje eu não sei ao certo o porque, mas o fato é que sai daquela apresentação revigorado. Acho que, de alguma forma, aquele voo me deu um choque de realidade e me mostrou que eu precisava acordar para poder seguir pelos novos rumos da minha vida, demonstrando-me que, não obstante tudo de ruim o que tinha ocorrido naquele ano, a vida ainda me reservaria bons momentos de surpresas e plena felicidade. Exatamente como aquele que estava lá vivendo. Indiscutivelmente, ainda existiam esperanças...

Voltei para São Paulo decidido a recuperar efetivamente o controle de tudo de ruim que estava acontecendo. Não mais me permitiria continuar caindo em queda livre naquele abismo sem fim...

E os resultados foram os melhores possíveis!

No final de 2012, conseguimos realizar aquele que foi até então o melhor ano na história da nossa empresa. Espantei para sempre alguns fantasmas que me assombravam, traçando um novo caminho para a minha vida, repleto de novos objetivos. E eu estava finalmente prestes a iniciar o namoro com a Ma.

E, em todos os estes casos, o Barrinho teve participação ativa e fundamental!

Recordei-me disso tudo ao encontrar, por acaso, um vídeo daquela apresentação da Esquadrilha no Youtube. Um sentimento incrivelmente forte tomou conta de mim, fazendo-me relembrar cada segundo vivido naquele feriado, o qual, erroneamente, eu cheguei um dia a considerar amaldiçoado.

Hoje, porém, ao olhar para trás, avaliando aqueles momentos, eu realmente sei o que aconteceu: o Barrinho, conhecendo-me profundamente como somente nos conhecem os nossos melhores e mais íntimos amigos, sabia que eu precisava assistir àquele magnífico show da Fumaça para, no despertar de emoções, acordar para a realidade, parando de sonhar sonhos impossíveis e de viver pesadelos irreais, ambos tão somente imaginários. Ele sabia que seria uma apresentação especial da Esquadrilha e fez de tudo para que o "destino" me levasse para aquele evento.

E tudo isso só aconteceu porque Fuscas, inexplicavelmente, possuem algum tipo de alma. E uma infinita sabedoria cujas justificativas e entendimentos transcendem quaisquer explicações racionais e razoáveis.


Nos vemos na estrada!

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Viagens e Passeios: A recepção de um novo "Fusqueiro" de Borborema - SP

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Pode-se dizer que Fuscas são verdadeiras paixões no universo do automobilismo. Muito além de tudo aquilo que o VW Sedan representa em termos de história, a magia deste carrinho também reside em sua capacidade inconstes de unir diversas pessoas, de diferentes "tribos", culturas, idades e localizações geográficas. Afinal de contas, paixão é paixão e ponto final... não são necessárias maiores explicações! E tudo isso somado à impagáveis viagens, passeios e aventuras!


Há algum tempo atrás, o meu amigo Fernando Zuliani, advogado de sucesso na pequena cidade de Borborema, interior de São Paulo, decidiu enveredar-se pelos caminhos e obstáculos do off-road ao adquirir um veículo do tipo "Gaiola", montado sobre o chassi e mecânica da Kombi a ar. Esse tipo de viatura, embora muito capaz no fora de estrada, possui grandes limitações para o uso on-road, sendo que a maior delas é não ser um carro emplacado e licenciado para rodar.

Numa de nossas muitas conversas sobre automóveis, apresentei-lhe a ideia de que, sobremaneira para aquela região, um Fusca seria uma opção mais versátil, pois lhe permitiria ter mais um carro para ser usado normalmente, além de proporcionar capacidade suficiente para transitar pelos caminhos da sua casa até os sítios da região, tudo isso com relativo conforto e muito estilo. Aliás, cabe mencionar que em Borborema (assim como em muitas outras cidades do interior), os besouros são muito utilizados para a labuta diária nos sítios e fazendas, uma vez que são os únicos carros de passeio que conseguem transitar por muitos anos nas estradas de terra, indo e voltando sem maiores problemas e dificuldades mesmo sob chuva torrencial. Tal assertiva já havia sido por ele comprovada quando, há um bom tempo atrás, demos uma volta pelas estradas vicinais de Borborema com o Fusca de seu pai, introduzindo-o ao divertido universo das brincadeiras na terra com este veículo que nasceu prestando serviços militares. Por conseguinte, não estava difícil convencê-lo a integrar o time dos "fusqueiros"...

Passado algum tempo deste aquela conversa inicial, o Fernando animou-se para valer com a ideia de ter um Fusca, iniciando a procura por um bom exemplar para ser comprado. Objetivando motivá-lo, prometi-lhe que, concretizada a compra, iria com a esposa e com a Penélope até Borborema para dar-lhe, pessoalmente, as boas vindas ao mundo (sem volta) dos "Air Cooled".

Há aproximadamente um mês, este meu estimado amigo encontrou a sua joia: um legítimo Última Série, 1986, 1.600 à álcool, em bom estado de conservação. Na sequência, iniciou uma grande revisão mecânica, a qual culminou na retífica completa do motor do carrinho.



Meio que sem querer, o nosso colega Fernando Zuliani adquiriu uma verdadeira raridade do universo refrigerado a ar! Nesta imagem, ele aparece rebocando a Gaiola no towbar para participar, em dose dupla e com grande estilo, do 1º Encontro de Fuscas e afins de Borborema - SP!



Esta bela imagem do Juninho repousando no sítio, sob o por-do-sol, materializa e ilustra o que eu sempre digo: no interior, Fuscas estão em seu habitat natural, sendo um dos melhores veículos já fabricados para rodar em estradas de chão, especialmente as precárias. Eles realmente combinam com isso!


Para cumprir nossa promessa, na última sexta-feira, 09/09/2016, após o cansativo expediente de trabalho, partimos para Borborema, distante aproximados 390 km da capital. Como saímos tarde de São Paulo, a viagem transcorreu por boa parte da noite, contando com uma parada no Graal de São Carlos para esticarmos as pernas e abastecermos preventivamente a Penélope. Foi quando descobrimos que o Fernandinho e a namorada Adrieli estariam nos esperando para "jantarmos" juntos (se é que é possível chamar de jantar o ato de se alimentar durante a madrugada...).

Chegamos em Borborema já tarde da noite. Por infortúnio, o Juninho (como foi batizado o Última Série) não ficou pronto por conta de um problema nos carburadores, obrigando o Fernando a nos escoltar de "plast-car" até o excelente Cantinho da Helo, onde pudemos desfrutar de um saboroso e merecido lanche. Vale ressaltar que o pessoal desta lanchonete gosta bastante de Fusca, sendo que, portando, em poucos minutos já estávamos perfeitamente integrados e nos sentido em casa.

Um fato que nos deixou muito felizes foi que a Penélope se tornou quase que uma atração do local. Ainda que eu entenda isso como perfeitamente normal (haja vista as minhas muitas viagens de Barrinho e com o Ray), para eles, um Fusca viajar de São Paulo para Borborema é um feito notável (mal sabiam o que a nossa protagonista aprontaria na manhã seguinte...). Soma-se a isso a diferente proposta off-road do nosso brinquedo com o que eles consideraram um bom estado de conversação (notadamente do interior) e temos como resultado alguns novos fãs da Penélope! E, com muitíssima honra, descobrimos que muitas pessoas por lá são assíduos leitores do nosso Blog! Muita coisa legal acontecendo em tão pouco tempo, e tudo por causa destes nossos queridos Fuscas...

Como já era um horário avançado da madrugada, e considerando-se que o amanhecer prometia um dia cansativo, decidimos ir para a casa da minha avó Gleide para pernoitarmos. Após uma semana cansativa, e uma viagem relativamente longa, dormir bem era algo bastante necessário!

No sábado pela manhã, acordei e me encontrei com o Fernandinho. Fomos até o mecânico na esperança de ver o Juninho pronto, mas, infelizmente, os carburadores não estavam no estado desejado e o carro acabou por não ter a aguardada "liberação médica".

Para não perdemos a manhã, fomos até a maravilhosa padaria Pão com Manteiga objetivando comprar alguma coisa para o desjejum. Para quem é de São Paulo, o custo-benefício daquelas "gostosuras" à venda é extremamente chamativo, pois estamos acostumados com outras realidades de preços.



A padaria Pão com Manteiga, em Borborema - SP, é parada obrigatória para quem passa na região: muitas opções deliciosas a preços realmente convidativos!


Barrigas devidamente abastecidas. Pressão dos pneus da Penélope oportunamente adequada (dos 20/28 psi para a viagem por rodovias para 12/15 psi para andar em estradas de terra). Iniciamos os passeios pelas estradas de terra da região com o Fernandinho na Gaiola e a Má, a Dri e eu na Penélope (a "patroa" do nosso colega optou pelo "conforto" do Fusca à emoção da gaiola).



Eu com a Penélope e o Fernando com a Gaiola: duas viaturas empurradas pelo robusto motor Boxer refrigerado a ar, ideal para o uso no fora de estrada devido à sua simplicidade, confiabilidade e bom torque em baixas rotações.


Num certo ponto do passeio, chegamos à um "playground" dos trilheiros de "Borbocity". De imediado, o nosso colega tratou de fazer a Gaiola subir num dos barrancos com erosão. Confesso que tentei resistir à tentação de não fazê-lo, mas, infelizmente, em certos momentos sou vencido pela minha necessidade de adrenalina. Assim, a Penélope apontou o barranco e, mesmo com POB 3 (Persons On Board, como se diz na aviação), nossa valente Fusquinha praticamente ignorou o obstáculo (que até então havia sido apenas superado por motos, jipes e gaiolas), alcançando o seu topo para o delírio de algumas pessoas que estavam trabalhando nas plantações próximas do local. Em poucos instantes, fomos cercados por alguns curiosos, dentre os quais alguns amantes de Fuscas (inclusive integrantes do grupo "fuscomaníaco" da cidade), os quais pareciam não acreditar no que viam: um VW Sedan original superando obstáculos de verdadeiro off-road!



A Penélope praticamente ignorou a inclinação do barranco!



Embora não pareçam nas filmagens, as erosões do barranco eram consideráveis. Reparem que, na descida, a Penélope chega a tirar a roda traseira esquerda do chão, mesmo com o excelente curso de suspensão do Fusca!



Os vídeos mostram um pouco do que rolou durante a brincadeira de superar um obstáculo natural como o barranco. As pessoas que estavam trabalhando nas plantações ao redor pareciam não entender o que viam. Se por um lado a presença de Gaiolas e Jipes no local era algo constante, por outro, um Fusca original se divertir por lá era algo completamente inusitado!


Após alguns minutos de conversas, decidimos prosseguir com o passeio. Num dado momento, saímos da estrada e descemos uma pirambeira por uma trilha aberta por dentre as árvores, com considerável declive e erosões relativamente fundas, terminando num pequeno barranco. Após analisar o caminho, e com a gaiola liderando a formação, descemos por este local, no qual foi necessário empregar um pouco de técnica e perícia de fora de estrada para que o carro fosse poupado (se é que isso é possível numa situação destas). Considerando-se a facilidade que tudo transcorreu, cabe-me apenas elogiar a Penélope e afirmar que, indubitavelmente, tem horas que até eu me surpreendo com a facilidade que ela supera as adversidades, aparentemente impossíveis para um Fusca original! De qualquer forma, não foi a primeira e acredito que não será a última vez que esta valente fusquinha surpreende com seus feitos...



Penélope fazendo pose para a foto no ambiente que tanto ela quanto os seus donos adoram!


No retorno do passeio, decidimos acelerar forte e andar a quase 100 km/h pela estrada de chão. Em alguns instantes, a Penélope praticamente levantou voo nas curvas de nível... o que me leva a crer que eu preciso montar um Fusca exclusivo para off-road mais pesado (haja vista que não é a intenção judiar demais da nossa protagonista em brincadeiras mais fortes).



O parceiro na Gaiola filmando o deslocamento para o retorno e o aguardado almoço!


O almoço fora realizado na churrascaria Biazotão, à beira da estrada que liga Borborema à Ibitinga. Em que pese a satisfatória qualidade e variedade das carnes, pelo preço cobrado do rodízio completo, acredito que o local poderia oferecer mais opções de acompanhamentos, especialmente batatas-fritas!

O período vespertino ficou reservado para um passeio diferente. Iríamos andar alguns quilômetros de estrada de asfalto, depois alguma distância por terra (e, por isso, fomos todos de Fusca) para chegar à uma pequena área habitada por macacos (que acredito ser de alguma espécie de macaco-prego). Quando chegamos na área prevista, provavelmente devido à grande quantidade de pessoas (inclusive algumas crianças, que ficavam correndo atrás dos bichinhos), os primatas estavam mais reservados e distantes. Contudo, após o esvaziamento do local, os macaquinhos passaram a, gradativamente, aproximaram-se de nós. Como levamos bananas para darmos de presente a eles, em alguns instantes já éramos amigos dos macacos e eles vinham retirar o alimento de nossas mãos. Sem dúvida alguma, uma distinta e rara oportunidade de travar contato com a natureza de forma tão diferenciada e efetivamente próxima!



Penélope estacionada na área dos macacos-prego!



Nosso amigo Fernandinho se entendeu muitíssimo bem com os bichinhos!



Aos poucos, a confiança entre as partes aumento e, assim, pudemos desfrutar de um momento diferente ao lado dos nossos novos amiguinhos.


No trajeto de volta deste passeio, o nosso casal de amigos comentou, para a satisfação dos enormes egos, que a Penélope era o carro mais confortável, macio e silencioso que já haviam andando numa estrada de terra esburacada. Ficaram espantados com isso. Expliquei-lhes, oportunamente, que qualquer Fusca devidamente bem cuidado e mantido, estando com pneus originais e com pressões baixas, deveria se portar daquela forma, já que é uma característica intrínseca dos besouros andar bem na terra. De fato, são os melhores carros para isso - tanto é que em qualquer cidade do interior são os preferidos por aqueles que necessitam transitar muito em estradas de chão precárias!

Como haviam algumas horas disponíveis antes da janta, e objetivando colocar um pouco mais de emoção em nosso sábado, combinamos que iríamos passear por caminhos ao redor de um pequeno lago da região, cujas estradas ao seu redor continham atoleiros de lama pegajosa e alagados para brincarmos.

No trajeto de ida a Penélope foi levando nós quatro além da gaiola no towbar. Sobremaneira na cidade, a capacidade de reboque dos Fuscas é bastante elevada, haja vista que o conjunto câmbio curto e motor com bom torque em baixa permitem o deslocamento de um peso considerável.

Chegando ao lago, o Fernandinho adentrou com a gaiola nos atoleiros. Estavam um pouco fundos, mas nada de muito diferente daquilo que esperávamos. E, já que a gaiola estava passando, decidimos brincar com a Penélope também. E lá fomos nós mergulhar a nossa valente viatura nos atoleiros e alagados, os quais superamos com uma facilidade que espantou a todos.

Infelizmente, não registramos com fotos nem o reboque da gaiola nem a transposição dos atoleiros (as vezes a gente se empolga com a conversa e com a brincadeira e esquece que a câmera está conosco para fazer as fotos que os nossos leitores tanto gostam... desculpem-nos pela falha!).

O término do sábado aconteceria num pequeno encontro de amigos organizado no Cantinho da Helo. Como mencionamos anteriormente, o local abriga alguns fusqueiros e trilheiros da turma de Borborema. A decoração do ambiente remete a esta predileção pelos besouros, sendo que, inclusive, o carro-propaganda do local é um Fusca personalizado no estilo "Ratão".



A Penélope suja devido às brincadeiras ocorridas durante o dia e as demais viaturas dos amigos do grupo.



As Gaiolas fazem sucesso na região de Borborema. Esta da foto está equipada com motor AP e tem seu uso majoritariamente no asfalto!



O Fusca personalizado ao estilo "Ratão" (Hoodride) é o cartão de visitas do Cantinho da Helo, deixando claro para todos que a predileção do pessoal são os VW Sedan!



E a decoração do ambiente corrobora a supracitada assertiva!


Vale frisar que, dentre as diversas opções do cardápio (que ostenta pratos para todos os gostos), destaca-se as grandes panquecas recheadas, todas elas ostentando grande custo-benefício. Comemos uma recheada de filé com alho, catupiry, calabresa e outras coisas mais a qual, pelo preço de aproximadamente R$ 35,00 alimentou pelo menos três pessoas!



Muitos pratos diferentes e igualmente deliciosos são oferecidos no cardápio do Cantinho da Helo! Mas, certamente, a panqueca de filé é algo que merece ser provado!


Embora a conversa estivesse muito boa, tínhamos de ir embora! Queria passar ainda no excelente Palácio do Sorvete no centro da cidade (que também oferece um produto muito bom por um preço bastante atraente) e, claro, dormir cedo, pois o domingo seria bastante cansativo: passaríamos em Bauru para visitar familiares e, no fim do dia, seguiríamos para São Paulo!

A estrada que liga Borborema a Bauru passa próximo de Ibitinga (capital do bordado), permitindo que se aproveite a oportunidade para comprar bordados bons a preços mais em conta. Também passamos pela barragem do Rio Tietê que fica próxima de Iacanga (cidade que, segundo meu pai, é a melhor cidade do país... afinal, ele viveu boa parte da infância por lá...). E, finalmente, chegamos em Bauru, uma cidade excelente do interior paulista, a qual já contribuiu muito com o desenvolvimento da nação (para quem não sabe, Bauru é terra natal do Tenente Coronel Marcos Pontes, o primeiro astronauta brasileiro, além do Coronel Ozires Silva, fundador da Embraer - além, é claro, do meu pai também...).



Viajar pelo interior de São Paulo é certeza de descobrir pelas paisagens e cidades tranquilas com excelente padrão de vida! A vantagem de estar de Fusca é poder entrar em qualquer lugar e ter a certeza de que irá voltar!



A bela barragem do Rio Tietê na estrada que liga Borborema a Iacanga - SP.



A região visitada é rica em belezas naturais e em atrativos. Um final de semana apenas é muito pouco para que tudo seja aproveitado do jeito que se deve!


O domingo encerrou-se forma muito agradável na companhia da família. E, por infortúnio, chegara a hora de partir. Afinal, seriam aproximados 340 km até São Paulo, e, como sabemos, a Rodovia Castelo Branco costuma ter engarrafamentos nos domingos a noite... o que de fato aconteceu!

Mas este detalhe de trânsito não iria estragar o final de semana fantástico que tivemos, cujo saldo se traduz em 1.000 km rodados em rodovias, estradas de terra e fora de estrada, além de muita canseira, diversão e, claro, lembranças da melhor qualidade!

Como esperado, fomos e voltamos sem nenhum tipo de contratempo, mesmo com as brincadeiras mais pesadas que aconteceram nos barrancos, erosões, atoleiros e alagados.

Com seus 40 anos de idade, a Penélope é prova inconteste de que, bem manutenidos, Fuscas são máquinas indestrutíveis e inacabáveis de fazer alegrias!

Mais fotos do passeio podem ser vistas no Facebook da Penélope!


Nos vemos na estrada.

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