PENÉLOPE VIAJANTE

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Viagens e Passeios: Pedra do Jair (Sapucaí Mirim - MG)

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Quem possui um Fusca ou um 4x4 e gosta de empregá-los em seu melhor e mais natural habitat certamente utiliza muito do seu tempo vago (ainda que por vezes raro) para procurar locais diferentes e destinos inusitados para passear. A ideia primordial é tentar unir, sempre que possível, o relaxamento de uma aventura na natureza, belas paisagens, comida gostosa e, claro, um pouco de diversão ao volante no fora de estrada. A conquista do objetivo é geralmente muito gratificante!


Confesso que me surpreendi quando conheci a Pedra do Jair, localizada no município mineiro de Sapucaí Mirim. Não apenas por sua incontestável beleza, mas, também, por já andado pela região por diversas vezes e jamais tê-la conhecido. E, para atiçar a minha já nada moderada ansiedade, durante uma dedicada pesquisa sobre o atrativo, descobri que, ao pé da Pedra do Jair, existe o Restaurante Pedra do Jair, cujos pratos, ilustrados por fotos na internet, fizeram-me ficar extremamente afoito em conhecer o local (sim, eu sei, é coisa de gordinho...).

Foi quando, numa conversa com os amigos do off-road, surgiu o interesse de organizarmos um passeio até a bela região. Além das atrações supracitadas, a vontade de reunir novamente a nossa turma (que anda um pouco afastada) foi forte aliada nos esforços individuais para o alinhamento das agendas, de modo que, finalmente, conseguimos marcar uma data para nos enveredarmos pelos caminhos desconhecidos dessa aventura. Embora, infelizmente, nem todos pudessem estar presentes, fazia um bom tempo que não partíamos em comboio para uma viagem do tipo.

O grupamento seria composto pela Penélope (transportando a mim e a esposa aventureira), pelo nosso amigo aeromodelista Neto (quem, pela primeira vez, estaria participando de um passeio desse tipo com o seu Fusca), pelo Juninho (com os amigos Fernando e Adrieli, que vieram de Borborema – SP especialmente para a missão, rodando mais de 1.000 km no fim de semana, retribuindo a visita da Penélope, relatada nesteBlog) e, fechando o grupamento, o valente Jimny 4All do nosso estimado amigo Luiz Gomes, que se faria acompanhar do Fernando Miguel (companheiros de algumas bagunças também aqui contadas em postagens anteriores). Tudo estando combinado, faltaria o mais difícil: segurar adequadamente a ansiedade até o grande dia!

Na madrugada do dia combinado para o passeio, precisamente as 04:30 da manhã, fico sabendo, por mensagens de Whatsapp, que o Juninho, em seu início de deslocamento para o ponto de encontro, está apresentando uma pane estranha na estrada: repentinamente ele perde toda a parte elétrica (luzes, farol, ignição, enfim, tudo), voltando a funcionar após o seu delicado piloto esmurrar o seu volante. Isso acontece de forma constante, deixando o Fernandinho e a Dri incomodados e, não sem motivos, preocupados. Imediatamente passei a tentar entender a situação, estudando acerca do problema para, algum tempo após, telefoná-los com o provável diagnóstico: provavelmente o problema estaria ligado a um dos fios principais do besouro (aquele mais grosso que sai da parte de trás do carro, alimentando o veículo em seu necessário suprimento elétrico). Na mosca: ele estava apresentando mau contato devido a uma acoplamento inadequado e, após ser devidamente fixado, não mais apresentou a desagradável falha.

Conforme acertado entre os participantes, encontramo-nos no Posto Dom Pedro em Atibaia – SP logo pela manhã. O Neto, talvez pela ansiedade do primeiro passeio e por residir mais próximo do local, foi o primeiro a chegar. Na sequência, chegamos, praticamente juntos, o Luiz, o Fernando e nós com a Penélope. Faltavam, então, apenas os nossos corajosos amigos do interior de São Paulo, que chegariam alguns instantes após devido aos atrasos decorrentes da pane que enfrentaram (além, é claro, da grande distância). Obviamente, estavam perdoados por todos, haja vista que estavam realizando um grande feito!

Com a turma reunida, iniciamos o deslocamento rumo à Camanducaia – MG, onde abandonaríamos a Rodovia Fernão Dias para pegar a estrada que nos levaria à Pedra do Jair. Saímos em comboio, com a Penélope liderando e o Jimny fechando o grupamento. A configuração escolhida serviria para, conforme uma brincadeira muito infeliz minha, o Suzuki “ir pegando as peças dos fusquinhas que fossem caindo pelo caminho”.

Não deu outra! O Juninho ouviu o meu desastrado e inoportuno comentário e resolveu aprontar novamente, desta vez para se vingar: perto de Extrema – MG, decidiu soltar a sua alavanca de câmbio na mão do Fernandinho (que, naquele momento, passou do êxtase pela grande viagem à plena frustração promovida pelos problemas decorrentes). Por infortúnio, eu estava distraído alinhando o horário de almoço e a quantidade de pessoas com o pessoal do Restaurante Pedra do Jair e acabei não vendo pelo retrovisor o comboio parando no acostamento para socorrer um de seus intrépidos integrantes. Por sorte, o pessoal do Jimny estava levando um rádio comunicador e conseguiu reportar o acontecimento à nós na Penélope.



Numa rapidez invejável, nosso comboio parou no acostamento e já iniciou a investigação preliminar do problema!


Como eu estou acostumado a passar pela região em viagens à serviço, informei à turma que alguns quilômetros adiante existia um posto com uma adequada infraestrutura (Auto Posto Pururuca), a qual nos auxiliaria a verificar melhor os danos ocorridos no besouro. Assim, tendo o Neto conseguido engatar a segunda marcha no carro, o comboio se deslocou até o local por mim sugerido. Após uma breve reunião, decidimos que eu iria com a Má e com a Penélope tentar encontrar um mecânico na cidade (até porque Minas Gerais é um verdadeiro paraíso para os VW Sedan, já que muitos exemplares por lá rodam), enquanto que eles ficariam tentando resolver a pane no local. Uma das duas alternativas certamente resolveria o nosso revés (embora eu tenha descoberto, algum tempo depois, que eles na verdade ficaram brincando de fazer test-drive no jipinho japonês...).

Depois de rodar alguns quilômetros dentro de Extrema, deparamo-nos com uma funilaria repleta de Fuscas: havia pelo menos três deles na rua, e mais outro tanto na parte de dentro. Comentei para a Má que, nesse tipo de confraria de besouros, certamente o problema seria resolvido. Alguém saberia arrumar ou indicar quem arrumasse.

Como a porta do estabelecimento estava aberta, adentrei parcialmente ao local. O diálogo que se seguiu foi mais ou menos isso:

- Senhor, bom dia! Estamos fazendo um passeio com uma turma de Fuscas pela região, e um deles teve uma quebra da alavanca de câmbio. O senhor poderia realizar o serviço, ou saberia quem indicar? Em caso afirmativo, eu pedirei para o pessoal se deslocar até aqui, pois eles estão lá parados tentando solucionar a pane (não estavam, como disse anteriormente...).
- Rapai, mai o cê já comprou a alavanca de câmbio?
- Não comprei, não.. Seria melhor o senhor dar uma olhadinha primeiro, pois, se tiver que comprar algo a mais, já compramos tudo junto, não?
- Uai! Cê já devia tê comprado a alavanca!
- Vamos olhar primeiro, né? Aí verificamos o que precisa e eu saio a procura de tudo...
- Rapai! A alavanca num tá quebrada?
- Está!
- Então o cê vai tê di compra uma de qualquer jeito, uai!

Confesso que fiquei um pouco irritado com a insistência do caboclo na bendita alavanca de câmbio! Afinal de contas, até então não sabíamos ao certo o que tinha acontecido e se seria só a alavanca...

Assim que o comboio chegou escoltando o Juninho, o Sr. Salvador (o insistente mineiro do diálogo acima) passou a verificar o que ocorreu e exclamou: “Precisa di comprar a alavanca, uai, num disse pro cê?!"



Uma verdadeira legião de Fuscas estacionados em frente à oficina do Sr. Salvador!



Vale mencionar que o pessoal da San Motos a todo tempo nos ofereceu água, banheiro e sombra, comprovando a já conhecida cordialidade mineira.


Saímos o Fernando Zuliani (dono do Juninho) e eu à procura da peça. Neste momento, ele me confessou que estava chateado com a situação, pois, além do desgosto que tais acontecimentos normalmente geram, temia estar atrapalhando o passeio do pessoal. Expliquei-lhe que, em nossa turma, somos norteados pelo seguinte lema: entra junto, sai junto! Ou seja, enquanto estiver conosco, todos estaremos nos ajudando mutuamente, de forma a todos completarmos a missão, sobremaneira quando está conosco gente da estirpe do Fernando Miguel, amigo de longa data desse tipo de aventura, que sempre está disposto a ajudar no que puder para o pleno êxito do passeio! E, nesse grupo distinto, independentemente da situação, a diversão é garantida, conforme ficou comprovado nas muitas gargalhadas e brincadeiras enquanto o Fusca rebelde era reparado.

Quando retornamos à oficina do Seu Salvador, sem a bendita peça em mãos (não a encontramos em nenhuma autopeça) o Fusca do Neto já estava recebendo uma merecida regulagem, com peças de Fusca de fato (o Neto confessou que estava empregado algumas pecinhas de motores de aeromodelos no seu brinquedo de quatro rodas). Sem outras opções plausíveis, sugerimos que o nosso novo amigo mineiro tirasse uma alavanca de um dos seus Fuscas e a instalasse no Juninho. Afinal, ele poderia comprar outra depois com mais tempo e o nosso grupo poderia prosseguir em seu passeio. O Seu Salvador concordou com a proposta e, em poucos minutos, o revoltado besouro estava pronto para prosseguir viagem.

O reparo dos dois VW Sedan, inclusa a alavanca e a mão de obra, ficou em trinta reais. Sim, você leu certo: R$ 30,00! Ao ficar sabendo disso, desci da Penélope ( que já estava com o motor acionado, pronta para reiniciar o deslocamento), fui até o Seu Salvador e o parabenizei. Não tanto por sua distinta habilidade e conhecimento no carrinho, mas, principalmente, por seu caráter elevado! Indubitavelmente, muitas pessoas teriam se aproveitariam da situação e cobrariam um valor bastante extrapolado, haja vista que não tínhamos muitas opções viáveis naquele instante e também não queríamos abandonar o roteiro!



Neto (a esquerda) faz questão de posar junto ao lado do Seu Salvador, um grande exemplo de honestidade, integridade, honra e caráter, qualidades estas tão raras e escassas em nossa sociedade nos dias atuais.



Fernandinho Zuliani (a direita) fazendo questão de registrar esse momento ao lado do Sr. Salvador, verdadeiro salvador do dia (perdoem o previsível trocadilho).


O azar durante o trajeto se tornou uma verdadeira lição de vida, merecendo honrosa menção no Blog da Penélope. Aliás, é oportuno mencionar que uma das coisas mais interessantes no universo dos Fuscas é exatamente esse tipo de experiência que somente o carro mais famoso do século pode proporcionar, haja vista que desconhecidos se unem de verdade por conta dele! É inacreditável a magia que o carrinho acaba criando, meio que sem querer, entre as pessoas!

Animados, felizes e surpresos com tudo o que vivenciamos nesses momentos ao mero acaso, voltamos à estrada!

Pouco tempo depois, logo ao adentrar à Camanducaia, recebemos por minha mãe a triste notícia do falecimento da Dona Elpídia, nossa tia-avó, residente em Borborema – SP, a quem prestamos nossa singela homenagem neste momento. A distância existente naquele instante entre o local que estávamos e Borborema impedia qualquer ação de deslocamento em tempo hábil (até mesmo porque velocidade não é uma característica inerente aos nossos bólidos). Deste modo, ainda que chateados pelo ocorrido, descartamos a possibilidade de abandonar a formação e focamos no objetivo de chegar ao Restaurante Pedra do Jair.



Camanducaia é uma típica cidade mineira: pequenina e tranquila!


De Camanducaia ao restaurante seriam 35 km de estrada de terra em boas condições, a qual seria balizada pelo GPS Google Maps do nosso celular. Mesmo com uma pesada chuva que pegamos pelo caminho, não encontramos nenhum trecho de dificuldade, permitindo-nos afirmar que qualquer veículo 4x2 pode se aventurar nessa estrada e, por conseguinte, ir até o Restaurante Pedra do Jair.

Com a permissão do leitor, gostaria de destacar um momento extremamente gostoso que vivenciamos, quando, com os vidros abertos, fomos acariciados pelas gotas da água da chuva, as quais se faziam acompanhar de um delicioso cheiro de mato molhado. Nos deleitamos com essas sensações enquanto contemplávamos o visual campestre das montanhas, cujas formas se escondiam atrás das nuvens, cegadas pela redução da visibilidade proporcionada pelas partículas de água que caiam do céu. Acostumados que estamos com a modernidade, com a correria, com os afazeres, acabamos nos esquecendo do quão mágicas e agradáveis são essas situações típicas do interior, as quais comprovam que, de fato, as melhores coisas da vida residem nestes instantes de plena simplicidade! Perdoe-me, estimados leitores, por não possuir a habilidade necessária para transmitir-lhes, por palavras, todas as sensações inigualáveis vivenciadas durante aquele trajeto sob a chuva... mas garanto-lhes que foram momentos inesquecíveis!



Comboio iniciando o deslocamento pelos 35 km de estrada de terra de Camanducaia ao Restaurante Pedra do Jair.



A cada momento, o tempo ia piorando em nossa rota.



Como já dissemos em outras oportunidades, não existe nada melhor do que um Fusca com os pneus originais diagonais para rodar por estradas de chão!



Enquanto que para muitos uma chuva torrencial e 35 km de estrada de terra seria algo temeroso, para o nosso grupamento esta condição significa apenas diversão! Detalhe para a legenda da foto: por que cada Fusca está indo para uma direção? Também não sei o que responder...



A estradinha nos revelou belezas naturais agradáveis, além de algumas simpáticas vilas pelo caminho.



Alguém poderia por favor informar às pessoas que fizeram estas placas que os caminhos percorridos podem ser transpostos até por modernos e caros veículos 4x2 de plástico?


Já próximos do Restaurante, encontramos um casal em uma bela Pajero Dakar que estava tentando chegar à Pedra do Jair, mas, ao que parece, tinha errado uma das bifurcações da estrada. Informamos que acreditávamos estar indo para lá  e que se quisessem poderiam nos seguir (não podia afirmar com plena convicção que estávamos no caminho correto, até porque não o tinha percorrido antes e, não raro, o Google Maps comete alguns erros de rota, mas vale mencionar que a forma pela qual disse isso ao pessoal os deixou um pouco encafifados...).

Alguns minutos após, chegamos no tão aguardado local (finalmente iríamos comer!). A vista da Pedra do Jair ao fundo do restaurante ostenta uma beleza indescritível, servindo como um verdadeiro plano de fundo para aquela visão que mais parecida uma obra de arte de distinta beleza!



A vista da Pedra do Jair na chegada do restaurante é algo impressionantemente belo!



O Restaurante Pedra do Jair oferece uma infra-estrutura muito bacana para os visitantes! Altamente recomendado!



Viaturas estacionadas com o Restaurante ao fundo.


A recepção dos proprietários do restaurante é realmente diferenciada, corroborando muitos relatos que isso informavam. A comida estava à disposição para nos servirmos. A primeira “passagem” sobre o fogão à lenha serviu para um reconhecimento visual do objetivo. Naquele instante, mentalmente criei meus alvos prioritários e servi-me de uma considerável pratada de arroz, linguiça caseira, pernil de porco à pururuca e batatas fritas rústicas. Esbaldei-me em pelo menos mais outros dois “rasantes” sobre a pista de comida (e neste instante, esfomeado leitor, confesso que também estou quase babando no teclado, tamanha quantidade de água na boca ao recordar daquele almoço...), tudo isso regado à Coca-Cola de 2 litros vendida no local (ah! como eu gosto quando os estabelecimentos oferecem este porte de garrafa de refrigerante).



A mesa de comida apresenta algumas gostosuras feitas de forma mineiramente "caseira"!



Um almoço realmente diferenciado!


Ao término do divido almoço, duas agradabilíssimas surpresas: o valor da conta (R$ 42,50 para mim e para a Má, juntos, já incluso o refrigerante!), e a possibilidade de deitarmos em redes sob árvores para contemplar a paisagem lindíssima do local, enquanto respiramos ar puro (com o sabor do campo). Tal feito é importantíssimo, permitindo que o seu organismo se recupere depois de se empanturrar em um verdadeiro banquete!

Após um breve descanso, decidimos iniciar aquele que seria o ponto alto da aventura off-road: a trilha que nos levaria do restaurante ao cume da Pedra do Jair!

Para esse trecho, o Jimny iria na frente, de modo a poder socorrer os Fuscas em caso de necessidade. Quem não conhece esse jipinho da Suzuki acaba se enganando com a carinha bonita dele, a qual esconde um legítimo jipe 4x4 à moda antiga. Alguns metros à frente, percebemos que esta decisão fora acertada: no trecho mais difícil da subida, a terra úmida e lisa se aliou ao percurso íngreme e repleto de erosões. Como consequência, os besouros não dispunham da tração e do curso de suspensão necessários, sendo, por conseguinte, derrotados pelo obstáculo. Mesmo a Penélope com os competentes pneus militares (embora comandada por um motorista medíocre) não conseguiu vencer o desafio, ainda que diversas metodologias tivessem sido promovidas. Para evitar alguma quebra, acabei optando por não tentar transpor o local com o emprego de muita energia cinética, ou seja, com grande embalo (existia o risco de o carro sair do trilho e bater forte numa erosão grande, o que certamente provocaria danos consideráveis). Desta forma, coube ao Luiz e seu valente Jimny iniciar o reboque de cada um dos Fusquinhas.



A "trilha" do restaurante ao cume da Pedra do Jair, embora tenha começado relativamente tranquila, foi, gradativamente, aumentando a sua dificuldade.



No ponto mais complicado do passeio, todos os Fuscas necessitaram da importante ajuda do Luiz e seu valente Jimny!



Para permitir que o Suzuki iniciasse o resgate a partir de um ponto com mais tração, emendamos algumas cintas de reboque, originando um cabo de muitos metros de comprimento. Tal feito causou espanto no piloto do Juninho, já que o Fernandinho não esperava que o grupamento estivesse tão bem equipado, com essas e outras ferramentas imprescindíveis para o fora de estrada. Não fosse isso, talvez o nosso herói do dia tivesse tido mais dificuldade para auxiliar as demais viaturas.



Um a um, os 4x2 foram auxiliados pelo único 4x4 do grupo. A partir de então, o caminho, embora ainda um pouco técnico, não mais apresentou algum obstáculo capaz de deter os valentes bólidos da Volkswagen.



O Juninho, mesmo com seu potente motor 1.6 Tork não conseguiu lograr êxito na superação do obstáculo (em que pese os maiores problemas serem realmente a falta de curso de suspensão e de tração do piso / pneus).



Apesar de enganar quem não conhece, o Jimny é um dos mais valentes e capazes 4x4 vendidos no Brasil.


Perto do cume da montanha, a estrada se torna bastante estreita, com barrancos em seu perímetro, tornando a transposição de cada atoleiro um momento de adrenalina e emoção, já que um erro de maior dimensão pode ocasionar um acidente grave ou até mesmo fatal.



As condições do terreno da pequena trilha (que tem por volta de 2 km) permitem uma boa dose de diversão com as viaturas!



A paisagem é deslumbrante durante praticamente todo o trajeto até o cume da Pedra!


Finalmente, alguns metros adiante, atingimos o nosso objetivo: o cume da Pedra do Jair.

Diante de minhas limitações enquanto escritor, novamente pedirei desculpas aos nossos caríssimos leitores. Mas, de modo inconteste, é impossível transmitir-lhes por palavras a vista de lá de cima. Poderia dizer-lhes que lá do alto contempla-se toda a cadeia de montanhas da região. As paisagens formadas pelo relevo, cujas formações se alternam num espetáculo de rara beleza, permite-nos percorrer com um olhar atento a variedade de bonitas faces da fauna nos trezentos e sessenta graus possíveis de serem observados daquele local. Perdendo-me e pensamentos, enquanto degustava o sibilar saboroso do vento nas arestas da montanha, longe dos sentimentos mundanos menos evoluídos, percebi o sol vaidoso caindo em direção ao poente para se esconder atrás daquelas distintas montanhas. Tudo isso acompanhado da esposa companheira, da viatura predileta, dos amigos, da paz e da calmaria que sussurra diretamente em nossa alma. Desnecessário mencionar que a sensação formidável experimentada é de estar no paraíso!




Será que a maioria dos proprietários de Fuscas sabem que seus bólidos permitem ver através de seus vidros paisagens como esta?



Há tempos não fazíamos isso: uma foto de toda a turma com as viaturas ao lado!



Por onde quer que se olhe, a vista é magnífica!



O Jimny e os Fuscas: uma combinação que deu muito certo!



Algumas destas fotos poderiam tranquilamente virar belíssimos quadros, não?



Viaturas multicoloridas trouxeram ainda mais beleza à linda paisagem!



É uma pena, mas as fotografias não conseguem registrar tão bem quanto nossos olhos a beleza de um lugar...


Com o princípio do cair da noite, decidimos iniciar o retorno. A descida, ainda que tenha exigido cuidados e atenção, revelou-se bastante tranquila, mesmo no trecho mais complicado que parou os besouros quando da subida. Retornamos pelos 35 km de estrada de terra em deslocamento noturno, quando ficou evidente que os faróis auxiliares da Penélope promovem uma iluminação adequada para esse tipo de evento.

Assim que adentramos à Rodovia Fernão Dias, o Neto e seu possante Fusca saíram da formação do comboio e aceleraram seu retorno para casa, uma vez que tinham compromissos particulares e já estavam mais do que atrasados.
  
A Penélope, o Juninho e o Jimny seguiram juntos até o Posto Dom Pedro em Atibaia, uma vez que o Fernando Miguel havia deixado o seu confortável (e caro) 4x2 de plástico lá estacionado para não o estragar com a da estrada de chão. Na sequência, o comboio novamente se separou, sendo que os dois Fuscas restantes retornaram juntos até São Paulo.



Juninho seguindo a Penélope em mais um retorno de aventura!


Chegamos tarde da noite em casa, bastante cansados (sobremaneira o Fernandinho e a Dri, que viajaram madrugada adentro com o Juninho para participarem do passeio). Mas, em que pese o desgaste físico, a mente estava descansada como em poucas vezes na vida.

Afinal de contas, não é sempre que tanta coisa acontece num só dia: amigos percorrendo muitas distâncias para uma aventura; descobertas de verdadeiras figuras humanas no interior; diversão e pilotagem no fora da estrada; superação conjunta de obstáculos por um grupo unido movido por um ideal; paisagens raras e incrivelmente belas, a viatura predileta e a esposa... tudo isso junto, culminando numa das histórias mais especiais postadas em nosso Blog até agora.

E acreditem... tem gente que ainda me pergunta qual a graça de ter um Fusca!

O álbum completo das fotos desse passeio pode ser conferido aqui, em nossa página do Facebook!


Nos vemos na estrada!

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Dicas Técnicas: Revisão completa do motor ("Overhaul")

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No último passeio que fizemos (aqui relatado), vocês devem se recordar de que, ao retornar para casa, ainda na estrada, experimentamos uma pequena perda de potência no motor, pane esta que só não produziu danos ainda mais severos devido ao fato de ter sido identificada à tempo (embora alguns minutos mais tardes do que o ideal). Todavia, mesmo que eu tenha tomado providências imediatas (aliviado o acelerador, reduzindo marchas e prosseguindo com a menor quantidade de aceleração possível, pois imaginava que o motor tinha sobreaquecido), ocorreram alguns danos, até um pouco mais severos do que o esperado. E, antes que o leitor mais incrédulo teça algum comentário, antecipar-me-ei: sim, motores refrigerados a ar também sobreaquecem, e isso acontece com uma frequência maior do que a maioria das pessoas acreditam!

Ao comentar detalhadamente o ocorrido com o Eduardo Tsuzuki, competente mecânico da Penélope, ele insinuou que provavelmente alguma bronzina de mancal teria girado, sem descartar um eventual afrouxamento dos cabeçotes. Para tirar a dúvida, fomos, na sequência, ouvir o barulho do motor do carro, na esperança de identificar o ruído estranho que havia surgido depois do episódio de sobreaquecimento supracitado. Como de costume, após algumas aceleradas, nosso experiente mecânico apontou o diagnóstico: "rodou" a bronzina da biela!

Foi difícil acreditar! Após praticamente 10 anos de convivência com a Penélope, período no qual rodei algumas dezenas de mil quilômetros com essa maravilha viatura, ela foi escolher justo este momento para apresentar problemas de saúde em seu valente coração? Fosse em outras épocas, iria considerar o fato uma belíssima oportunidade para uma revisão geral no motor, promovendo-lhe algumas bem-vindas melhorias! Mas, indiscutivelmente, esta não era a melhor hora para isso ter acontecido...




Um pouco chateado e decepcionado, encostei nosso carrinho na garagem da Vó Marina. A correria do trabalho não me permitiria cuidar da minha Fusquinha da maneira merecida. Também não era o momento de dispor de uma considerável quantia de dinheiro para repará-la da maneira correta...

Entretanto, devido à situação, estava cada vez mais difícil dormir sossegado. Algo me incomodava demais quando eu fechava os olhos na tentativa de descansar das pesadas e estressantes rotinas de serviço. O motivo era mais do que óbvio: deixar a Penélope abandonada sozinha, sem cuidados, na garagem seria quase a mesma coisa que abandonar um familiar querido agonizando sem tratamento, jogado em algum local qualquer. Acredite, estimado leitor; percebi que a situação chegou perto do intolerável, beirando a insanidade, quando, ao repousar minha cabeça no travesseiro, fechando os olhos para dormir, vinha-me à mente o vociferar das palavras de Alphonsus Guimaraes em seu poema "A Catedral": "E o Rodrigo chora em lúgubres responsos: Pobre Penélope! Pobre Penélope...




Passados alguns dias, tomei coragem de combinar com o Eduardo de mexer no carro, até mesmo porque estava ficando preocupado comigo mesmo. Seria melhor gastar um montante de dinheiro na viatura do que ter de entregá-los a médicos, hospitais, psicólogos e manicômios...

Confesso que, no fundo, tinha esperança de o motor estar bastante íntegro por dentro. Afinal, o besouro não soltava fumaça visível, não baixava óleo, tinha um bom desempenho, consumo satisfatório...

Por infortúnio, entretanto, a abertura do motor revelou condições ainda mais desagradáveis e indesejadas: de fato o Edu tinha acertado o diagnóstico e a bronzina de biela havia girado; o virabrequim e o comando estavam demasiadamente gastos; um dos cabeçotes apresentava uma minúscula trinca; a carcaça do motor precisaria ser retificada também, além de outros pormenores.

Na oportunidade, também descobrimos um dos vilões do problema: a bomba de combustível, com quase 5 anos de uso, não estava dando a vazão e pressão adequadas. Refletindo sobre o assunto, posteriormente, cheguei a conclusão que provavelmente isso aconteceu porque, em tempos recentes, o carro passou a ficar muito tempo parado, haja vista que os compromissos profissionais estão cada vez mais constantes.




Passado o dissabor inicial, assimilei, com a ajuda terapêutica insistente do Tsuzuki, que a melhor alternativa seria realmente promover uma retífica completa no motor, aproveitando a ocasião para melhorar algumas características desejáveis.

Assim, com o objetivo de tornar o coração da Penélope ainda melhor, e por mais alguns bons anos, a carcaça foi retificada; o comando de válvulas foi substituído por um novo em configuração "tork" (pós 1984); os cabeçotes foram trocados pelos do motor 1.500; o virabrequim foi substituído por um proveniente de uma Kombi antiga (usado, mas em bom estado e em medida standard); a taxa de compressão fora maximizada, passando das originais 6,6 para 7,5; bielas, volante do motor e tudo mais devidamente balanceado; carburador totalmente revisado, com giclagem alterada para os cilindros do 1.600; além de outras coisinhas mais...

O norte que direcionou as pequenas alterações promovidas foi bastante claro: obter o máximo de torque na menor RPM possível (mesma ideologia empregada no motor da Kombi), de forma a termos a maior quantidade plausível de força para superar os obstáculos no fora de estrada, sem ter de acelerar demais e correr o risco de perder tração em momentos críticos. Em outras palavras, queríamos que a primeira marcha da Penélope ostentasse um comportamento o mais próximo possível da reduzida dos 4x4 (por razões físicas e mecânicas, é impossível obter tal equiparação, mas vale o exemplo para entendimento e auxílio à instrução).

Estabelecidas as alterações, era hora de juntar o quebra-cabeça e, finalmente, trazer à vida o coração revisado da nossa protagonista. Deste modo, após montado todo o motor, logo na primeira partida, percebeu-se de imediato os resultados obtidos: funcionamento mais suave, mais silencioso, com bastante força em baixíssimas RPM, insinuando que provavelmente tínhamos logrado êxito na empreitada.

Nos dias subsequentes, iniciamos alguns testes na cidade, ficando com uma sensação bastante positiva acerca da nova configuração.

Num destes dias, a Penélope e eu fomos acionados de emergência: o Volkswagen Up da nossa empresa, bisneto dos Fuscas, sofreu uma pane elétrica em Santa Isabel: a bateria, repentinamente, simplesmente deixou de funcionar, impossibilitando a partida do veículo após uma rápida parada para almoço do meu pai na estrada. Saímos para socorrer o novo carrinho de plástico, aproveitando a oportunidade forçada para testar a nossa viatura na estrada. O desempenho, como era de se esperar, estava bastante satisfatório: com uma leve pressão no pedal, conseguíamos manter 80 km/h mesmo nos trechos de subida, e era nítido que o motor trabalhava de forma mais suave, balanceada e silenciosa.

Feito o resgate através de uma "chupeta" entre os carros, regressamos à São Paulo.




Alguns dias depois, fomos para Atibaia no final de semana para resolver algumas pendências profissionais e outras pessoais. Como de praxe, a Penélope se comportou de maneira exemplar. Foi quando o tempo fechou e uma forte chuva desabou sobre a cidade. O que para muitos seria algo ruim, para nós acabou sendo uma excelente oportunidade: testar o novo motor na lama! E, assim, prosseguimos para o Terreno do Puma, já velho conhecido nosso aqui do Blog. Devido à semana chuvosa, e a água que estava caindo abundantemente, um grande atoleiro se formou logo na entrada do Parque de Diversões Off-Road. Escolhi um caminho mais complicadinho, primeira marcha, aceleração bem leve e... parecia que não existia o atoleiro. O torque em baixas rotações, aliado à capacidade de tração dos pneus Maggion Militar, permitiram-nos atravessar o obstáculo com calma e elegância. Empolgado, tratei de ir até a subida com erosões que leva à outra saída do local. Com a chuva, o caminho se tornou bastante liso e, devido aos buracos e inclinações, uma vacilada poderia nos colocar numa situação mais complicada. Novamente a combinação de boa tração, boa articulação e excelente torque em baixa contribuíram de forma decisiva para o êxito na empreitada.

Feliz e satisfeito com os testes iniciais, retornamos à São Paulo, desta vez de forma tranquila e sem surpresas desagradáveis, como sempre foi de costume com a Penélope!

No fim das contas, acho que ela estava querendo apenas um pouco de carinho, atenção e cuidados (merecidos, diga-se!), de modo a nos levar para passeios cada vez mais legais...

E, algum tempo depois, isso se tornaria verdade. Mas este passeio especial eu relatarei na próxima postagem apenas...

Nos vemos na estrada!

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Viagens e Passeios: Pedra do Coração, Pedra Grande e Terreno do Puma

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A correria do dia a dia, não raro, nos impede de fazermos muitas das coisas que mais gostamos. Os afazeres profissionais, compromissos familiares, a necessária dedicação ao aprimoramento dos saberes, enfim, prioridades que acabam usurpando grande parte do nosso escasso tempo, forçando-nos a renegar a um segundo plano de importância o lazer, o descanso, os hobbys... E infelizmente esta escassez de recursos (muito bem prevista e discutida nas teorias econômicas) tem se refletido até na disponibilidade para cuidar deste adorado blog, situação essa que me obriga a pedir desculpas para os fiéis e pacientes leitores.


Feito o desabafo, vamos à história!

Justamente por estar um pouco estressado pela correria da rotina, precisava fazer um passeio pela natureza com a Penélope – uma das poucas coisas hoje em dia que consegue me relaxar de verdade. Acompanhado pela esposa companheira e guerreira, além de um grupo de amigos que foram no Jimny 4All do Luiz Gomes (incluindo o colega Marcos Kohatsu, autor das exuberantes fotos utilizadas nesta postagem, a quem agradecemos e dedicamos o trabalho artístico deste texto) decidimos ir visitar a maravilhosa região de Atibaia, refúgio constante da nossa turma, fato este que pode ser comprovado pela grande quantidade de passeios nestes locais relatados no nosso blog.

O objetivo desta vez, porém, era conhecer a Pedra do Coração em Bom Jesus dos Perdões (SP), explorando inclusive a trilha que liga este local à conhecida Pedra Grande em Atibaia (SP).

Mudando um pouco o roteiro tradicional, optamos por fazer um dos trajetos que nos levaria de Mairiporã ao Bairro do Portão em Atibaia, priorizando estradas de terra. A rota fora escolhida utilizando-se o aplicativo Wikiloc, o qual possui uma enormidade de percursos fora de estrada, com níveis de dificuldade para todos os gostos e viaturas.



Os belos caminhos da região de Atibaia são um refúgio magnífico para quem gosta de passear com a viatura no meio da natureza, desfrutando de horas de descanso, paz, harmonia e de remédio para as doenças loucas ocasionadas pelo ritmo de vida frenético das grandes cidades.



Os Fuscas costumam se sair muito bem nas fotos tiradas em meio à natureza. Afinal de contas, é nesse cenário que ele está em seu habitat natural!


Percorremos algumas estradinhas e povoados entre as duas cidades, terminando esta primeira parte do passeio na Pedra Grande, atrativo turístico que possui um visual fantástico. Não me canso de subir até o local e confesso que sempre que vou à Atibaia, mesmo a serviço, fico com vontade de ir apreciar a visão de lá de cima, embora, claro, isso não seja possível e eu tenha de me contentar com algumas subidas esporádicas em um final de semana ou outro.



Você pode ir uma, duas, três... cem vezes à Pedra Grande. Em cada uma das vezes ficará maravilhado com o local!




Na sequência, partimos para Bom Jesus dos Perdões na tentativa de encontrar as rotas para a Pedra do Coração. Já nas proximidades do caminho em questão, conversamos com alguns moradores acerca das condições das opções de acesso disponíveis. Uma delas permitia um acesso fácil para praticamente qualquer veículo. Outra, por sua vez, era apenas superada pelos veículos 4x4 dos jipeiros que passeavam pela região.

Embora não pareça, o Jimny é um dos 4x4 mais valentes que existem. Embaixo daquela carcaça bonitinha, meiga e "cuti-cuti", existe uma viatura construída com a receita dos antigos jipes militares (carroceria sobre chassi, eixos rígidos dianteiro e traseiro, suspensão dependente tri-link , caixa de transferência com reduzida, e por aí vai...). Na contrapartida, apesar de extremamente valente, um Fuscas é, em última instância, um carro de passeio. E, por isso mesmo, fomos bastante desaconselhados pelos moradores a tentar subir pelo caminho dos jipes. Afinal de contas, aquele carrinho de brinquedo e um mero fusquinha não deveriam se arriscar a trafegar por onde se atreviam apenas os jipes brutos!

Ora bolas! Dentre muitas coisas que me incomodam, ver o nosso bruto VW Sedan ser menosprezado é uma delas. Por isso, o rumo escolhido foi justamente o pior caminho...

A subida, embora íngreme, era repleta de erosões e, como contrapartida aos buracos, o solo estava bastante liso, ostentando terra úmida, vegetação e galhos e pedaços de árvores em alguns pontos (sim, isso foi uma frase irônica).

Com uma considerável intimidade fora de estrada com a nossa viatura, é possível aproveitar o excelente torque em baixas RPM do motor "boxer air-cooled", usufruindo da primeira marcha bastante reduzida do câmbio de relação 8x35, além da espetacular tração fornecida pela distribuição de peso concentrada na traseira com a frente bem leve, tudo isso ainda tracionado pelos competentes pneus Maggion Militar. Como esperado, a Penélope foi transpondo os obstáculos, galgando sucesso em sua empreitada ao chegar no topo do caminho da Pedra do Coração pela trilha dos jipes! Como costumo dizer, só quem tem um Fusca e conhece os seus verdadeiros limites sabe do que aquela arte da indústria automobilística é capaz de fazer.

Após atingirmos o topo da Pedra do Coração, de onde pudemos contemplar um visual muitíssimo bonito, decidimos prosseguir novamente para a Pedra Grande, mas, desta vez, seguindo por uma trilha entre as duas atrações.



A subida para a Pedra do Coração pelo caminho dos jipes é de uma beleza diferenciada. Nesse local, trecho em que a foto foi tirada, a estrada, embora íngreme, assume uma condição de conservação muito boa, sendo, nesta parte, trafegável por praticamente qualquer veículo.



Os caminhos que levam ao topo da Pedra do Coração ostentam uma beleza diferenciada!



Viaturas estacionadas enquanto seus ocupantes se deliciam com a beleza da região!



A vista lá de cima permite a contemplação da belíssima natureza da região!


Sabíamos que existiria provavelmente apenas um ponto apenas de maior dificuldade, e, por estar acompanhado do meu competente amigo Luiz e seu valente Jimny, estava mais tranquilo. Qualquer problema certamente um auxiliaria o outro (melhor dizendo, provavelmente eles nos auxiliaria...), afinal, esta é uma cultura diferenciada dos jipeiros, sobremaneira do nosso distinto grupo. Costumamos dizer que "entra junto, sai junto", referindo-se a dedicação, uns com os outros, para que todos passeiem, divirtam-se, e voltem para suas casas, aconteça o que acontecer.

Como previsto, a maior parte do caminho estava fácil. Para ser sincero, mais do que o desejável! Contudo, passados alguns minutos de andanças, no início de uma curva, deparamo-nos com um verdadeiro paredão de terra e pedra. Havíamos chegado no tão aguardado ponto alto do passeio, já que este era um dos trechos mais difíceis e técnicos do dia. Oportuno ressaltar que este obstáculo estava criando uma grande expectativa em todos nós, haja vista que, dias antes, nosso amigo Fernando Carpinelli, feliz proprietário de uma das viaturas mais capazes, bonitas (e caras) da turma, enroscou por lá com uma valente e bastante preparada Pajero TR4 de um amigo dele.



Embora as fotos não permitam perceber, este trecho é realmente complicado. A inclinação absurda da subida, em curva, com erosões e pedras lisas torna a brincadeira até um pouco perigosa: notadamente os jipes mais altos, caso, por algum motivo, escorreguem lateralmente, estarão consideravelmente sujeitos a capotamento.


Embora as fotos não permitam perceber, este trecho é realmente complicado. A inclinação absurda da subida, em curva, com erosões e pedras lisas torna a brincadeira até um pouco perigosa: notadamente os jipes mais altos, caso, por algum motivo, escorreguem lateralmente, estarão consideravelmente sujeitos a capotamento.

Descemos das viaturas e fizemos um reconhecimento prévio a pé. Até por estar bem fora de forma, confesso que senti dificuldades em subir aquele morro a pé no “4x2 normal”. O retorno, então, mais ainda: era visível que a inclinação do obstáculo era muito considerável, fazendo-nos descer com bastante cautela para evitar um escorregão e um acidente (mesmo sem viaturas envolvidas...).

Decidi realizar um primeiro reconhecimento das condições do solo com a Penélope. Avisei a Má (minha esposa) que iríamos apenas testar a inclinação e a tração do carro naquelas condições. A subida era tão íngreme que a Penélope, mesmo com o câmbio curto e com um motor 1.600, não conseguia obter forças para fazer girar as rodas: os pneus militares e o eixo motriz traseiro faziam a tração ser grande, mas faltava torque ao motor para conseguir empurrar o carro e, assim, superar esse obstáculo. Aproveitando a oportunidade, é interessante mencionar que é exatamente nesse tipo de situação que a marcha reduzida dos verdadeiros 4x4 faz uma diferença brutal no desempenho da viatura, uma vez que, engatada, multiplica sobremaneira a força do veículo, permitindo-o deslocar devagar, com total controle direcional e com uma capacidade ascendente formidável, devido ao consequente grande torque proveniente das relações muito reduzidas. Considerando-se que, embora curta, a primeira marcha da Penélope está muito longe de ser uma primeira reduzida de um jipe de verdade, restava-me apenas uma alternativa: encher o motor, ir “queimando” a embreagem para manter a RPM bastante alta e, provocar a perda de tração dos pneus e, assim, conseguir ter a potência necessária para superar aquela verdadeira barreira.

Na segunda tentativa, agora para valer, peguei um pouco de embalo, o giro do motor lá no alto, tentando controlar as variáveis de tração e RPM na embreagem e, embora com algumas batidas um pouco fortes embaixo do carro e no engate (ainda bem que ele está lá para proteger o motor), a nossa valente protagonista superou o temido desafio!



Durante a primeira subida para reconhecimento do terreno e da capacidade de tração, ficou evidente que faltaria motor para superar o obstáculo com a técnica correta de subir em baixa velocidade e com aceleração moderada.



Após o primeiro teste, foi realizada uma segunda investida, desta vez para valer!



Esta imagem demonstra claramente o bom curso da suspensão dianteira do Fusca, a qual copia bem as irregularidades do terreno e, dentro do possível, faz o carro ficar com as rodas no chão durante as erosões, permitindo bom controle direcional.



A foto de cima, por sua vez, demonstra o curso da suspensão traseira. Ao mesmo tempo em que é uma grande virtude (por permitir transpor pequenos obstáculos em grande velocidade, tornando este carro excelente para andar em estradas de terra), a suspensão traseira independente do Besouro permite que a carroceria abaixe demais em certos obstáculos, perdendo muito do vão livre do carro, ocasionando batidas na parte de baixo da valente viatura. Neste aspecto, os 4x4 de verdade, com suspensão dependente por eixo rígido são absolutamente superiores!



Tomado pela adrenalina e pela alegria de ter transporto, com um velho fusquinha, um obstáculo que não raro segura muitos colegas do 4x4, um justo "Chupa Fernando" ecoou por toda a região!


Na sequência, o Luiz traçou e reduziu o Jimny, encarando a barreira com calma e elegância ímpares, típicos do jipinho japonês, ilustrando para todos os presentes os diferenciais da tração 4x4, da reduzida e dos eixos rígidos nessas situações de obstáculos mais complexos. Novamente, para deleite dos presentes, o nosso elitizado amigo Carpinelli foi bastante homenageado pelo piloto do bruto.



O Jimny, esbanjando capacidade off-road, praticamente nem sentiu o obstáculo. De qualquer forma, é oportuno ressaltar: "Chupa Fernando"! (risos)


Contentes por nossa conquista, continuamos seguindo o roteiro previsto e, assim, terminamos o passeio no terreno do Puma, quando brincamos um pouco com os carros nas erosões e nos barrancos lá existentes.

Devido à contenção de gastos, optamos por mergulhar as viaturas nos atoleiros do local (as lavagens completas estão um pouco caras, e, com esta crise por aí...).



O Terreno do Puma é um verdadeiro parque de diversões off-road: atoleiros rasos e fundos; erosões pequenas e grandes, barranquinhos e barrancões, enfim, um pouco de tudo o que qualquer aficionado por fora de estada gosta!



Além dos obstáculos, o Puma ostenta um visual extremamente bonito!



A Penélope brincando em um dos barrancos do local.



A imagem acima é bastante interessante, uma vez que mostra a grande capacidade de trabalho da suspensão do Fusca, atingindo consideráveis cursos para buscar tração no solo e, assim, transpor os obstáculos. Ainda que esteja aquém dos verdadeiros 4x4 com suspensão dependente (eixo rígido), é incontestavelmente muito superior à qualquer suspensão de carros de passeio para o fora de estrada.


Um pouco depois, despedimos-nos dos amigos do Jimny, e cada um tomou seu rumo, uma vez que ainda tínhamos alguns afazeres.

Na sequência, prosseguimos para o Bolzan Cremonese Advocacia, escritório jurídico da minha esposa que agora está operando também Atibaia - SP, oferecendo serviços diferenciados nas áreas de aposentadoria, previdência, trabalhista, perícia técnica, dentre outros serviços alguns com modus operandi realmente inovador!

Ao término de mais um dia de aventuras com a nossa valente Penélope, pegamos a Rodovia Fernão Dias em direção à São Paulo, para mais um retorno à nossa residência depois de um dia de diversão!

Mas... algo aconteceu de forma não usual desta vez!

Distraído que estava, não percebi que o motor começou a trabalhar com a mistura consideravelmente pobre (popularmente conhecido como “dar falta”) numa longa subida. Ao entender o que estava acontecendo (quando desconfiei que o motor estava com pré-ignição, o famoso batendo pino), aliviei o acelerador, mas já era tarde: o carro tinha perdido muita força devido ao elevado sobreaquecimento causado pela diminuição da pressão de combustível.

Reduzimos a marcha e passamos a andar vagarosamente na faixa da direita da estrada, na tentativa de resfriar o motor. O procedimento deu certo, mas o estrago estava feito: um barulho diferente passou a ser escutado.

Por estarmos num Fusca, um dos veículos com maior capacidade de sobrevivência que existe (não estou falando de acidentes, mas, sim, da possibilidade de suportar panes), chegamos em casa sem maiores problemas, embora com um provável dano no motor.

Dias depois conseguimos entender tudo o que aconteceu: o que ocasionou a repentina falta de combustível e o consequente aquecimento devido à mistura demasiadamente pobre, e, claro, o que era o barulho surgido. Mas isso é assunto para a próxima postagem.


Nos vemos na estrada (mas sem panes)!

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