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Dicas Técnicas: Engate reforçado para reboques

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Minha experiência real com engates automotivos se iniciou há muitos anos atrás, mais precisamente quando do naufrágio do Fusca Mau. Na ocasião, meu saudoso Tio Dio (in memoriam) rebocou o afundado carro do lago da sede da fazenda da minha Vó Gleide até o centro da cidade de Borborema – SP com o seu Gol "quadrado". Recordo-me que ele estava bastante receoso e relutante em realizar a tarefa pois não confiava na fixação do engate do Golzinho. E eu, em silêncio, refletia comigo mesmo: de que adianta ter um engate desses, então, se não serve para muita coisa? Afinal, se o acessório estava ali, era para ser usado de forma efetiva, sem receios!

No fim das contas, contudo, tudo acabou dando certo e o meu tio conseguiu rebocar o Fusquinha em segurança e com pleno êxito (em que pese a incerteza, o engate da Goleta acabou suportando a tarefa).

Passados alguns anos, diante de uma necessidade de economizar pequenos fretes na empresa, implementei a a ideia de disponibilizar uma carretinha do tipo fazendinha para ser rebocada pelo valente Barrinho, unindo o útil ao agradável: economizar um capital e se divertir com o VW Sedan! Assim, iniciei uma detalhada procura por um engate realmente confiável para a missão, a qual se revelaria bastante árdua e exigente.

Inicialmente, o Barrinho recebeu um engate da competente empresa Mult Engates, o qual, contudo, após alguns meses de trabalho, rompeu-se durante um translado, numa subida íngreme, e por pouco não proporcionou um grande acidente, uma vez que a carretinha com mais de 400 kg de carga ficou travada ao carro apenas pela lâmina do para-choque! Tivesse ela se soltado, com aquela inclinação de rua, as consequências seriam imprevisíveis...



O primeiro engate do Barrinho, da Mult Engates, não aguentou a tarefa e se rompeu. Além de não ostentar os reforços superiores fixados aos suportes do para-choque, o acessório possuía um ponto frágil, o qual provavelmente passou despercebido no projeto. Faz-se oportuno mencionar que, embora tenha experimentado esta desagradável ocorrência com a Mult, em outros carros da frota os engates da marca tem suportado o trabalho pesado sem nada que os desabone (muito pelo contrário).


Decidi, então, que precisaria de algo ainda mais resistente e confiável, afinal, a tarefa era realmente bastante pesada. Após algumas pesquisas, e com o oportuno auxílio do pessoal da Slick Centro Automotivo, instalamos um engate da Enforth.

Esse engate, embora consideravelmente mais caro, era realmente bem feito: ostentava um par de fixações presas ao chassi do carro, no local onde o câmbio é parafusado (através de perfis de ferro chato), além de um reforço adicional fixado aos suportes do para-choque, formando uma estrutura robusta, confiável e adequadamente projetada sob a óptica da engenharia. Com esse engate o Barrinho trabalhou o resto de sua vida útil em nossa empresa, rebocando, não raro, muito além dos 500 kg de tração máxima teoricamente permitidos.



O segundo e último engate do Barrinho, da Enforth, era realmente robusto, tendo suportado por anos o trabalho pesado na empresa sem apresentar qualquer sinal de fadiga.



Nesta foto é possível conferir, dentro da lâmina cromada, o perfil de reforço que trava a parte inferir do engate aos suportes do para-choque, formando um conjunto bastante robusto.


Em tempos mais recentes, com a evolução do projeto polivalente da Penélope, chegara o momento de instalar nela um engate. Por infortúnio, a Enforth não mais estava fabricando aquele fantástico modelo de equipamento e, assim, tive de sair a procura de algum modelo para substituí-lo, o que seria bastante difícil, uma vez que os requisitos do meu projeto clamavam por um engate que possuísse confiabilidade e resistência, sem prejudicar o vão livre e o ângulo de saída do carro, protegendo também o motor da viatura, já que tais atributos e condições são imprescindíveis para o uso fora de estrada mais pesado.

Após algumas experiências fracassadas com outras marcas, e sem opções encontradas no mercado, confesso que desanimei um pouco. Está cada dia mais difícil encontrar peças e acessórios de qualidade para nossos estimados besouros...

Mas qual não foi a minha surpresa quando, num dia qualquer, ao visitar a competente Auto Mecânica Tsuzuki, fui informado pelo Eduardo que ele estava de posse de um engate dos antigos, bastante reforçado. Avaliamos a peça e concluímos que, embora ela realmente fosse robusta, por não possuir aquele necessário reforço na parte de cima (que trava os perfis sob o motor aos suportes do para-choque), provavelmente não teria a capacidade necessária para o atendimento das exigências da nossa protagonista. De qualquer modo, e sem melhores opções, fizemos a instalação do acessório para que fossem iniciados os testes práticos.

Quando a Penélope foi até Borborema para a tentativa de recepcionar o Fusca Juninho do meu amigo Fernando Zuliani, rebocamos a gaiola até a proximidade de uma lagoa para uma diversão na lama com os brinquedos. Durante esse reboque ficou evidente que o engate sem o reforço superior não atenderia às solicitações de uso, pois, ao transladar a gaiola em uma estrada de terra com algumas erosões, os esforços decorrentes da missão ocasionaram uma pequena torção na lâmina do para-choque da Penélope, comprovando que aquele engate, embora bastante robusto, não atenderia os preceitos de resistência necessários devido à má distribuição de forças.

Deste modo, após o retorno da viagem, iniciamos a confecção dos reforços no engate, norteados sempre pelas seguintes características: confiabilidade, resistência, estética, proteção e baixa interferência no off-road.

Como sempre, a execução coube ao Eduardo Tsuzuki: empregamos alguns perfis de aço de chapa dobrada, no formado C enrijecido e construímos (na verdade ele construiu e eu palpitei) um reforço superior bastante forte. O resultado foi muito bom: um engate confiável e muito resistente, ainda que em termos estéticos e de interferências, tenha ficado um pouco aquém do antigo modelo da Enforth utilizado no Barrinho. De qualquer modo, o resultado obtido fora surpreendente pelo custo e ponderando os meios disponíveis.



Perfis de chapa grossa foram adicionados aos suportes do para-choque para receberem a peça central que trava os dois suportes aos componentes inferiores do engate que são fixados junto ao chassi (no local onde o câmbio do Fusca é preso).



A peça central de reforço, feita de perfil do tipo C enrijecido ostenta uma pequena curvatura para ficar parcialmente embutida nas lâminas do pára-choque.



Sob a peça central do reforço há uma espessa chapa de aço que trava a parte inferior a essa parte superior confeccionada pelo Eduardo.


Além de uma grande capacidade de tração, o engate construído está apto a suportar um elevado peso de lança (força vertical, para baixo, aplicada à bola do engate), protegendo ainda o motor e a saia traseira dos obstáculos no fora de estrada mais severo. Obviamente, também pode ser utilizado como um eficaz ponto de ancoragem para rebocar e ser rebocado nas inevitáveis ocasiões onde os carros atolam nas trilhas da vida, atingindo, por conseguinte, os preceitos de uso almejados e norteadores desta empreitada.



Chapas de travamento do reforço do engate fixadas no suporte do pára-choque.



Vista geral do reforço do engate. O reforço confeccionado acabou ficando esteticamente mais bonito e bem fito do que o restante do engate.

  

Parte inferior do engate protege o motor e a saia traseira de eventuais obstáculos no off-road.


Num futuro próximo, se oportuno, dedicaremos mais um pouco de atenção nas questões que considero serem passíveis de melhora. Até lá, certamente a viatura estará apta para o emprego para ao qual está sendo preparada gradativamente. Afinal, na Penélope também encontramos Tecnologia Além do Aço!



Nos vemos na estrada!

2 comentários :

  1. Sem contar que ficou um belo reforço no para choque traseiro. Show.

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    1. Ficou, né? Uma Saveiro que bateu na traseira do Barrinho uma vez que o diga kkkk...

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