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Viagens e Passeios: Pedra do Coração, Pedra Grande e Terreno do Puma

2 comentários

A correria do dia a dia, não raro, nos impede de fazermos muitas das coisas que mais gostamos. Os afazeres profissionais, compromissos familiares, a necessária dedicação ao aprimoramento dos saberes, enfim, prioridades que acabam usurpando grande parte do nosso escasso tempo, forçando-nos a renegar a um segundo plano de importância o lazer, o descanso, os hobbys... E infelizmente esta escassez de recursos (muito bem prevista e discutida nas teorias econômicas) tem se refletido até na disponibilidade para cuidar deste adorado blog, situação essa que me obriga a pedir desculpas para os fiéis e pacientes leitores.


Feito o desabafo, vamos à história!

Justamente por estar um pouco estressado pela correria da rotina, precisava fazer um passeio pela natureza com a Penélope – uma das poucas coisas hoje em dia que consegue me relaxar de verdade. Acompanhado pela esposa companheira e guerreira, além de um grupo de amigos que foram no Jimny 4All do Luiz Gomes (incluindo o colega Marcos Kohatsu, autor das exuberantes fotos utilizadas nesta postagem, a quem agradecemos e dedicamos o trabalho artístico deste texto) decidimos ir visitar a maravilhosa região de Atibaia, refúgio constante da nossa turma, fato este que pode ser comprovado pela grande quantidade de passeios nestes locais relatados no nosso blog.

O objetivo desta vez, porém, era conhecer a Pedra do Coração em Bom Jesus dos Perdões (SP), explorando inclusive a trilha que liga este local à conhecida Pedra Grande em Atibaia (SP).

Mudando um pouco o roteiro tradicional, optamos por fazer um dos trajetos que nos levaria de Mairiporã ao Bairro do Portão em Atibaia, priorizando estradas de terra. A rota fora escolhida utilizando-se o aplicativo Wikiloc, o qual possui uma enormidade de percursos fora de estrada, com níveis de dificuldade para todos os gostos e viaturas.



Os belos caminhos da região de Atibaia são um refúgio magnífico para quem gosta de passear com a viatura no meio da natureza, desfrutando de horas de descanso, paz, harmonia e de remédio para as doenças loucas ocasionadas pelo ritmo de vida frenético das grandes cidades.



Os Fuscas costumam se sair muito bem nas fotos tiradas em meio à natureza. Afinal de contas, é nesse cenário que ele está em seu habitat natural!


Percorremos algumas estradinhas e povoados entre as duas cidades, terminando esta primeira parte do passeio na Pedra Grande, atrativo turístico que possui um visual fantástico. Não me canso de subir até o local e confesso que sempre que vou à Atibaia, mesmo a serviço, fico com vontade de ir apreciar a visão de lá de cima, embora, claro, isso não seja possível e eu tenha de me contentar com algumas subidas esporádicas em um final de semana ou outro.



Você pode ir uma, duas, três... cem vezes à Pedra Grande. Em cada uma das vezes ficará maravilhado com o local!




Na sequência, partimos para Bom Jesus dos Perdões na tentativa de encontrar as rotas para a Pedra do Coração. Já nas proximidades do caminho em questão, conversamos com alguns moradores acerca das condições das opções de acesso disponíveis. Uma delas permitia um acesso fácil para praticamente qualquer veículo. Outra, por sua vez, era apenas superada pelos veículos 4x4 dos jipeiros que passeavam pela região.

Embora não pareça, o Jimny é um dos 4x4 mais valentes que existem. Embaixo daquela carcaça bonitinha, meiga e "cuti-cuti", existe uma viatura construída com a receita dos antigos jipes militares (carroceria sobre chassi, eixos rígidos dianteiro e traseiro, suspensão dependente tri-link , caixa de transferência com reduzida, e por aí vai...). Na contrapartida, apesar de extremamente valente, um Fuscas é, em última instância, um carro de passeio. E, por isso mesmo, fomos bastante desaconselhados pelos moradores a tentar subir pelo caminho dos jipes. Afinal de contas, aquele carrinho de brinquedo e um mero fusquinha não deveriam se arriscar a trafegar por onde se atreviam apenas os jipes brutos!

Ora bolas! Dentre muitas coisas que me incomodam, ver o nosso bruto VW Sedan ser menosprezado é uma delas. Por isso, o rumo escolhido foi justamente o pior caminho...

A subida, embora íngreme, era repleta de erosões e, como contrapartida aos buracos, o solo estava bastante liso, ostentando terra úmida, vegetação e galhos e pedaços de árvores em alguns pontos (sim, isso foi uma frase irônica).

Com uma considerável intimidade fora de estrada com a nossa viatura, é possível aproveitar o excelente torque em baixas RPM do motor "boxer air-cooled", usufruindo da primeira marcha bastante reduzida do câmbio de relação 8x35, além da espetacular tração fornecida pela distribuição de peso concentrada na traseira com a frente bem leve, tudo isso ainda tracionado pelos competentes pneus Maggion Militar. Como esperado, a Penélope foi transpondo os obstáculos, galgando sucesso em sua empreitada ao chegar no topo do caminho da Pedra do Coração pela trilha dos jipes! Como costumo dizer, só quem tem um Fusca e conhece os seus verdadeiros limites sabe do que aquela arte da indústria automobilística é capaz de fazer.

Após atingirmos o topo da Pedra do Coração, de onde pudemos contemplar um visual muitíssimo bonito, decidimos prosseguir novamente para a Pedra Grande, mas, desta vez, seguindo por uma trilha entre as duas atrações.



A subida para a Pedra do Coração pelo caminho dos jipes é de uma beleza diferenciada. Nesse local, trecho em que a foto foi tirada, a estrada, embora íngreme, assume uma condição de conservação muito boa, sendo, nesta parte, trafegável por praticamente qualquer veículo.



Os caminhos que levam ao topo da Pedra do Coração ostentam uma beleza diferenciada!



Viaturas estacionadas enquanto seus ocupantes se deliciam com a beleza da região!



A vista lá de cima permite a contemplação da belíssima natureza da região!


Sabíamos que existiria provavelmente apenas um ponto apenas de maior dificuldade, e, por estar acompanhado do meu competente amigo Luiz e seu valente Jimny, estava mais tranquilo. Qualquer problema certamente um auxiliaria o outro (melhor dizendo, provavelmente eles nos auxiliaria...), afinal, esta é uma cultura diferenciada dos jipeiros, sobremaneira do nosso distinto grupo. Costumamos dizer que "entra junto, sai junto", referindo-se a dedicação, uns com os outros, para que todos passeiem, divirtam-se, e voltem para suas casas, aconteça o que acontecer.

Como previsto, a maior parte do caminho estava fácil. Para ser sincero, mais do que o desejável! Contudo, passados alguns minutos de andanças, no início de uma curva, deparamo-nos com um verdadeiro paredão de terra e pedra. Havíamos chegado no tão aguardado ponto alto do passeio, já que este era um dos trechos mais difíceis e técnicos do dia. Oportuno ressaltar que este obstáculo estava criando uma grande expectativa em todos nós, haja vista que, dias antes, nosso amigo Fernando Carpinelli, feliz proprietário de uma das viaturas mais capazes, bonitas (e caras) da turma, enroscou por lá com uma valente e bastante preparada Pajero TR4 de um amigo dele.



Embora as fotos não permitam perceber, este trecho é realmente complicado. A inclinação absurda da subida, em curva, com erosões e pedras lisas torna a brincadeira até um pouco perigosa: notadamente os jipes mais altos, caso, por algum motivo, escorreguem lateralmente, estarão consideravelmente sujeitos a capotamento.


Embora as fotos não permitam perceber, este trecho é realmente complicado. A inclinação absurda da subida, em curva, com erosões e pedras lisas torna a brincadeira até um pouco perigosa: notadamente os jipes mais altos, caso, por algum motivo, escorreguem lateralmente, estarão consideravelmente sujeitos a capotamento.

Descemos das viaturas e fizemos um reconhecimento prévio a pé. Até por estar bem fora de forma, confesso que senti dificuldades em subir aquele morro a pé no “4x2 normal”. O retorno, então, mais ainda: era visível que a inclinação do obstáculo era muito considerável, fazendo-nos descer com bastante cautela para evitar um escorregão e um acidente (mesmo sem viaturas envolvidas...).

Decidi realizar um primeiro reconhecimento das condições do solo com a Penélope. Avisei a Má (minha esposa) que iríamos apenas testar a inclinação e a tração do carro naquelas condições. A subida era tão íngreme que a Penélope, mesmo com o câmbio curto e com um motor 1.600, não conseguia obter forças para fazer girar as rodas: os pneus militares e o eixo motriz traseiro faziam a tração ser grande, mas faltava torque ao motor para conseguir empurrar o carro e, assim, superar esse obstáculo. Aproveitando a oportunidade, é interessante mencionar que é exatamente nesse tipo de situação que a marcha reduzida dos verdadeiros 4x4 faz uma diferença brutal no desempenho da viatura, uma vez que, engatada, multiplica sobremaneira a força do veículo, permitindo-o deslocar devagar, com total controle direcional e com uma capacidade ascendente formidável, devido ao consequente grande torque proveniente das relações muito reduzidas. Considerando-se que, embora curta, a primeira marcha da Penélope está muito longe de ser uma primeira reduzida de um jipe de verdade, restava-me apenas uma alternativa: encher o motor, ir “queimando” a embreagem para manter a RPM bastante alta e, provocar a perda de tração dos pneus e, assim, conseguir ter a potência necessária para superar aquela verdadeira barreira.

Na segunda tentativa, agora para valer, peguei um pouco de embalo, o giro do motor lá no alto, tentando controlar as variáveis de tração e RPM na embreagem e, embora com algumas batidas um pouco fortes embaixo do carro e no engate (ainda bem que ele está lá para proteger o motor), a nossa valente protagonista superou o temido desafio!



Durante a primeira subida para reconhecimento do terreno e da capacidade de tração, ficou evidente que faltaria motor para superar o obstáculo com a técnica correta de subir em baixa velocidade e com aceleração moderada.



Após o primeiro teste, foi realizada uma segunda investida, desta vez para valer!



Esta imagem demonstra claramente o bom curso da suspensão dianteira do Fusca, a qual copia bem as irregularidades do terreno e, dentro do possível, faz o carro ficar com as rodas no chão durante as erosões, permitindo bom controle direcional.



A foto de cima, por sua vez, demonstra o curso da suspensão traseira. Ao mesmo tempo em que é uma grande virtude (por permitir transpor pequenos obstáculos em grande velocidade, tornando este carro excelente para andar em estradas de terra), a suspensão traseira independente do Besouro permite que a carroceria abaixe demais em certos obstáculos, perdendo muito do vão livre do carro, ocasionando batidas na parte de baixo da valente viatura. Neste aspecto, os 4x4 de verdade, com suspensão dependente por eixo rígido são absolutamente superiores!



Tomado pela adrenalina e pela alegria de ter transporto, com um velho fusquinha, um obstáculo que não raro segura muitos colegas do 4x4, um justo "Chupa Fernando" ecoou por toda a região!


Na sequência, o Luiz traçou e reduziu o Jimny, encarando a barreira com calma e elegância ímpares, típicos do jipinho japonês, ilustrando para todos os presentes os diferenciais da tração 4x4, da reduzida e dos eixos rígidos nessas situações de obstáculos mais complexos. Novamente, para deleite dos presentes, o nosso elitizado amigo Carpinelli foi bastante homenageado pelo piloto do bruto.



O Jimny, esbanjando capacidade off-road, praticamente nem sentiu o obstáculo. De qualquer forma, é oportuno ressaltar: "Chupa Fernando"! (risos)


Contentes por nossa conquista, continuamos seguindo o roteiro previsto e, assim, terminamos o passeio no terreno do Puma, quando brincamos um pouco com os carros nas erosões e nos barrancos lá existentes.

Devido à contenção de gastos, optamos por mergulhar as viaturas nos atoleiros do local (as lavagens completas estão um pouco caras, e, com esta crise por aí...).



O Terreno do Puma é um verdadeiro parque de diversões off-road: atoleiros rasos e fundos; erosões pequenas e grandes, barranquinhos e barrancões, enfim, um pouco de tudo o que qualquer aficionado por fora de estada gosta!



Além dos obstáculos, o Puma ostenta um visual extremamente bonito!



A Penélope brincando em um dos barrancos do local.



A imagem acima é bastante interessante, uma vez que mostra a grande capacidade de trabalho da suspensão do Fusca, atingindo consideráveis cursos para buscar tração no solo e, assim, transpor os obstáculos. Ainda que esteja aquém dos verdadeiros 4x4 com suspensão dependente (eixo rígido), é incontestavelmente muito superior à qualquer suspensão de carros de passeio para o fora de estrada.


Um pouco depois, despedimos-nos dos amigos do Jimny, e cada um tomou seu rumo, uma vez que ainda tínhamos alguns afazeres.

Na sequência, prosseguimos para o Bolzan Cremonese Advocacia, escritório jurídico da minha esposa que agora está operando também Atibaia - SP, oferecendo serviços diferenciados nas áreas de aposentadoria, previdência, trabalhista, perícia técnica, dentre outros serviços alguns com modus operandi realmente inovador!

Ao término de mais um dia de aventuras com a nossa valente Penélope, pegamos a Rodovia Fernão Dias em direção à São Paulo, para mais um retorno à nossa residência depois de um dia de diversão!

Mas... algo aconteceu de forma não usual desta vez!

Distraído que estava, não percebi que o motor começou a trabalhar com a mistura consideravelmente pobre (popularmente conhecido como “dar falta”) numa longa subida. Ao entender o que estava acontecendo (quando desconfiei que o motor estava com pré-ignição, o famoso batendo pino), aliviei o acelerador, mas já era tarde: o carro tinha perdido muita força devido ao elevado sobreaquecimento causado pela diminuição da pressão de combustível.

Reduzimos a marcha e passamos a andar vagarosamente na faixa da direita da estrada, na tentativa de resfriar o motor. O procedimento deu certo, mas o estrago estava feito: um barulho diferente passou a ser escutado.

Por estarmos num Fusca, um dos veículos com maior capacidade de sobrevivência que existe (não estou falando de acidentes, mas, sim, da possibilidade de suportar panes), chegamos em casa sem maiores problemas, embora com um provável dano no motor.

Dias depois conseguimos entender tudo o que aconteceu: o que ocasionou a repentina falta de combustível e o consequente aquecimento devido à mistura demasiadamente pobre, e, claro, o que era o barulho surgido. Mas isso é assunto para a próxima postagem.


Nos vemos na estrada (mas sem panes)!

2 comentários :

  1. Muito Legal!!!

    Gosto muito de suas postagens....


    Até a próxima!!

    Um Abraço!!

    Ricardo Dimer

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    Respostas
    1. Obrigado Ricardo. Ficamos muito felizes com seu elogio! Já que você gosta tanto... Muito em breve sairá uma pastagem especial de um passeio fantástico que fizemos recentemente! Certamente um dos mais legais até agora! Até breve!

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